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Não ter pena de bater, não ter medo de apanhar! Imprimir E-mail
Escrito por Raymundo Araujo Filho   
Sexta, 17 de Fevereiro de 2012
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Nos idos de 1967-68, auge das manifestações estudantis no Brasil, notadamente no Rio e São Paulo, em plena ditadura militar, as manifestações eram noticiadas em destaque pela mídia burguesa, em revistas e jornais (O Cruzeiro, Manchete, Realidade, Fatos & Fotos e jornais em geral), muito diferentemente de hoje, em plena “democracia”, quando os episódios como os de Pinheirinho, Vila Autódromo, entre outros, foram relegados ao ostracismo ou à livre distorção midiática.

 

Hoje, eu tenho certeza que a radicalização do movimento estudantil e a sua evolução para a luta armada foi estimulada pelos que “operavam” a ditadura, pois, em 1967, se reorganizava o movimento operário, a partir de São Paulo e com grande força, com o surgimento da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo (cujo “modus operandi” e princípios, a meu ver, deveriam ser retomados por quem tem, ou diz ter, juízo), pois este era o alvo central da repressão burguesa, a força produtiva operária brasileira, a se rebelar.

 

Até hoje me soam ridículas algumas histórias de infiltração dos órgãos de repressão naqueles que se pensavam clandestinos, como foi, por exemplo, a história da namorada de Zé Dirceu (então um dos principais articuladores estudantis) que foi descoberta como agente policial, quando ensinou seu apaixonado par a manipular um revólver, de forma correta... Hoje, Zé Dirceu é vendedor de cacimbas de matéria plástica para um dos mega-capitalistas que lhe sustenta, pagando-lhe, quem sabe, por informações estratégicas e privilegiadas. Eu não boto a minha mão no fogo por este gajo, nem a pau de arara...

 

Lembro aqui, já passados 45 anos deste 1967-68, de uma crônica magistral, publicada n’O Cruzeiro, de autoria do não menos magistral Stanislaw Ponte Preta (Sergio Porto), com o título que nomeia este artigo e descrevia a situação de um policial militar e também estudante universitário (ou secundarista), que na caserna ouvia o mote “não ter pena de bater!”, do seu comandante, antes de sair para as ruas para perseguir estudantes revoltosos.

 

E a crônica também descrevia que este jovem PM ouvia na escola onde estudava o grito de guerra “não ter medo de apanhar”, constrangendo-o sempre. Não precisa ter muita verve literário-ideativa para vermos que o fim desta crônica descrevia o jovem PM-estudante em pleno surto psicótico, trancado em seu quarto, martirizando-se com o seu próprio cassetete e gritando “não ter pena de bater, não ter medo de apanhar!”.

 

Assim, da mesma forma que este personagem da crônica, a relação da esquerda brasileira com o aparelho policial burguês sempre foi constituída de uma espécie de Amor e Ódio, só que nada shakespeariano (pois apenas aditivado por interesses menores e materiais).

 

De uma parte (aliás, boa parte) temos aquela “esquerda”, hoje, ao que parece, vitoriosa, que queria apenas tomar o Estado e suas estruturas funcionais e repressivas, para “darem o troco” e levarem os seus “projetos populares” adiante, muito bem emblematizados pela privatização da saúde, das estradas, da educação, da previdência, dos transportes, do petróleo e mineração.

 

Estas que, se receberam estas privatizações como “herança maldita”, nada fizeram para anulá-las, muito ao contrário, agora inaugurando a privatização através do modelo de concessão dos aeroportos, nas chamadas “Parcerias Público-Privadas” de FHC, com tudo o que isso acarreta, como a perda de soberania, muito além da “concessão sem perda de patrimônio”, como o PILD (Partido da Imprensa Lulista-Dilmista) quer nos empurrar goela abaixo, junto com sua atual aliança com Kassab - e futuramente com Serra (mais tarde escreverei sobre isso). Tudo sob a desculpa de ser mais uma etapa para “derrotarem definitivamente” FHC, Alckmin e Aécio - os, a meu ver, cachorros mortos -, além do DEM (que se suicidou de forma histriônica), mantidos vivos “sob aparelhos” justamente pelo PT, que os faz de verdadeiros “tigres de papel” para uso “prêt-à-porter” eleitoreiro.

 

Porém, há outra “esquerda” institucional no Brasil que se diz oposição à que esta aí, mas atua sob os mesmos paradigmas, ao que me parece, por ter as mesmas origens e cartilhas teóricas pseudo-revolucionárias que a atual situação bradava quando era oposição. E por motivo óbvio de ser irmã, aliás, originada de costelas da que descrevi acima, portanto, com a mesma carga genética, a esquerda que se diz “diferente” age igualzinho à outra, “só que ao contrário”, como se viesse para confundir e não para esclarecer, como fazia o velho guerreiro das casas da banha, Abelardo Barbosa, o Chacrinha.

 

Assim, a “esquerda” no poder, mesmo após ter apoiado, quando oposição, greves armadas (com os agentes armados) da Polícia Federal contra FHC e tenha estimulado movimentos parecidos nas polícias estaduais, hoje impreca como “motim de vagabundos”, uma formulação simplista e bem ao gosto daqueles que precisam parecer revolucionários (sem o serem) a esta greve de policiais militares, civis e bombeiros, pré-anunciada, com a recusa do “governo popular” da presidente Dilma em votar a PEC 300. Originalmente, a PEC em questão equiparava os salários das polícias e bombeiros (os professores e médicos mais uma vez ficaram de fora) com o maior salário pago a tais categorias, o do Distrito Federal. Aliás, esta polícia bem paga e satisfeita, outro dia, sob o governo petista de Agnelo Queiroz, desocupou na base da porrada área em litígio social...

 

Já a “esquerda” da oposição, através de uma nova “heroína” que surge na ALERJ, a deputada estadual do PSOL Janira Rocha, passa a defender os “trabalhadores da segurança pública” com unhas e dentes, articulando táticas e estratégias para o movimento grevista, como se fosse uma líder sindical e não uma deputada estadual.

 

Desta forma, tomada por sua antiga função de trabalhadora sindicalista, “esqueceu-se” de colocar uma óbvia pauta para os líderes do movimento policial grevista, que seria própria se um pouco de norte político tivessem estes(as) que só pensam nos votos a mais que irão obter em eleições futuras, em vez de se colocarem no lugar daqueles que costumeiramente levam as cacetadas, balas de borracha – quando não reais – e gás pimenta da repressão policial às justas manifestações populares, sofrem as extorsões das mais variadas formas. Além de serem vítimas das temidas “polícias mineiras”, “milícias” ou, caso prefiram, “carro da salsicha”, que são os “bondes assassinos” comandados por policiais, em ação paralela e clandestina ao Estado (mas não para muitos mandatários do Estado).

 

E esta pauta não poderia ser outra, senão, para começar, o fortalecimento da principal, quase única, pauta de seu correligionário e líder de bancada Marcelo Freixo (PSOL-RJ), sobre a questão das milícias, tráfico de armas, extorsão e estas coisas de “maus policiais”, como sempre diz o deputado, afirmando a todos que “uma outra polícia é possível”. Não sem antes uma completa “débâcle” deste sistema de dominação burguesa, sempre afirmo eu, mas sem muito sucesso aos ouvidos desta gente, que acaba apenas como “heróis vendedores de ilusões”, mas sempre se reelegendo, o que penso satisfazer a proposta de adequação à ordem burguesa da qual venho afirmando ser o PSOL um portador inequívoco.

 

Mas, o que tanto reclama este Raymundo, criticando a tudo e a todos? Terá alguma ação propositiva a sugerir?

 

Embora eu não tenha nenhum sentimento de obrigatoriedade a esta demanda “propositiva”, freqüentemente cobrada por muitos que não têm como responder às nossas críticas (afinal sou eu-nós que pagamos a festa dos inspetores gerais – majoritários e minoritários – que deveriam se ocupar ao menos em ser coerentes), não posso fugir a ela, pois seria deixar a viagem pelo meio.

 

Assim, de minha parte, gostaria muito de ver algumas organizações sociais, notadamente aquelas que têm um discurso anti-“esquerda” institucional, da situação ou da oposição, que se reunissem e se dirigissem aos policiais grevistas não para exatamente “prestar apoio” (ou deixar de prestá-lo), mas, sim, expor alguns pontos que devem ser discutidos na greve ou fora dela. Poderia servir como uma mostra, exposta por eles, de que os policiais podem não ser os verdadeiros animais que se mostram quando chamados para enfiar a porrada, na repressão e desmonte de ocupações legítimas de imóveis, que se multiplicam dia a dia nas cidades, por parte dos sem teto e dos trabalhadores desempregados e favelados em geral, agindo como verdadeiros “gendarmes” da burguesia, como se pudessem fazer isso sem serem chamados de covardes.

 

Sugiro aqui, então, uma pequena pauta para estes movimentos discutirem com os policiais grevistas (e não grevistas):

 

1) Reconhecerem a legitimidade dos pobres em ocupar os imóveis “largados de mão” e vazios, enquanto hordas de pessoas vagam sem ter para onde ir.

 

2) Recusarem-se, como força policial, a espancarem e humilharem, com suas armas que de efeito moral não têm nada, mas físicos, principalmente quando crianças, grávidas, portadores de necessidades especiais por deficiência física ou mental e idosos estiverem legitimamente defendendo seu direito à moradia, assim como se recusarem a fazer greves com armas de fogo nas mãos.

 

3) Recusarem-se a usar cães, armas elétricas ou balas de borracha, armas de fogo e gases adstringentes ou de qualquer efeito físico nos que legitimamente lutam pelos seus direitos.

 

4) Que exijam ser representados nas reuniões táticas e estratégicas, que determinarão as ações do Estado com uso da força policial.

 

5) Que se declarem, e façam por onde, contra as milícias, torturas, polícias mineiras, extorsões, pagamentos régios de rondas e camburões (como se fosse um negócio) e que combatam a malversação de dinheiro público nas compras de intendência das polícias civil e militar.

 

6) Que reivindiquem a carga horária fixa e o fim dos chamados “bicos”, e se envergonhem do fato de mais de 50% dos crimes no RJ terem a participação de algum policial.

 

Isso já seria um bom começo, não que eu tenha esperança de que seja acatado por neófitos em greves e distanciados dos movimentos sociais, como são os policiais. Mas já daria uma boa discussão na sociedade, que, afinal, lhes paga o salário.

 

O que não dá é para fazer politicagem eleitoreira com uma contraditória corporação de servidores públicos, aliás, tão parte do esquema de repressão como médicos, professores e burocratas que hoje ostentam em cima de suas cabeças o cartaz com a Lei que imputa pena de prisão para aqueles que agredirem moral ou fisicamente qualquer funcionário público, em clara intimidação ao usuário.

 

O que não dá é pra se fazer de heroína e “sindicalista experiente”, defendendo os policiais sem nada exigir como contrapartida, como fez a deputada psolista Janira Rocha no Programa Faixa Livre, sob o aplauso do apresentador, em entrevista no estúdio, no dia em que os jornais estampavam o massacre e pancadaria em cima dos usuários dos trens suburbanos cariocas que, pela enésima vez, os deixavam a pé, no meio do caminho, tendo crianças, idosos e pessoas, de forma indiscriminada, levado porrada, balas de borracha e gás pimenta, pelos policiais militares, um dia antes da greve ser marcada. Ou então, como divulgaram outras tendências psolistas opostas à da deputada, coadunando-se com jornalistas lulo-dilmistas, colocando na categoria dos policiais todas as mazelas do mundo. O PSOL não passa de mais uma "sopa de letrinhas", sem articulação e sem rumo definido.

 

O que não dá é para repetir o assessor do Ministério da Defesa, o ex-guerrilheiro esquerdista José Genoíno, que disse “a ordem é reprimir sem violência”. Mal sabe ele que os conceitos de “violência” mudam de acordo com as pessoas “em quem os olhos ardem”.

 

Se é para continuar assim, que os salários da polícia sejam reduzidos pela metade e que a deputada heroína seja eleita apenas a Rainha da Polícia Militar e dos Bombeiros.

 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e denuncia aqui o assassinato do jornalista fluminense, conhecido como Boca Maldita, ocorrido esta semana em Barra do Piraí (onde estava refugiado), tendo sido o quarto jornalista assassinado no interior fluminense em um ano.

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Última atualização em Sexta, 24 de Fevereiro de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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