Santa Cecília e Campos Elíseos exigem respeito!

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As comunidades de Santa Cecília e Campos Elíseos, por meio de suas Associação Santa Cecília Viva e Associação de Moradores e Comerciantes de Campos Elíseos, reiterando protesto em carta aberta de julho de 2009, vêm publicamente protestar junto à prefeitura de São Paulo e o governo do estado de São Paulo quanto ao modo como vêm irresponsavelmente tratando o grave problema do crack na cidade de São Paulo, oportunizando a criação e colaborando com o estabelecimento de novas e muitas cracolândias pelas ruas de nossos bairros.

 

É preciso deixar claro que reconhecemos a necessidade de intervenções policiais que, por meio de inteligência, combatam o alto tráfico na região, mas jamais seremos favoráveis e repudiamos ações truculentas e violentas das polícias militar e civil, como lamentavelmente vimos acontecer nos episódios mais recentes da chamada Operação Centro Legal, retomada agora no início de janeiro de 2012.

 

Voltamos a reivindicar e exigir, como já o fizemos, sobretudo, uma ação efetivamente integrada que envolva setores da Saúde, da Assistência Social, Habitação, Trabalho, Legislativo, do estado e do município, envolvendo ainda o Ministério Público Estadual e Federal. Que seja uma ação verdadeiramente planejada por meio de Políticas Públicas necessárias, desenvolvidas para o acolhimento e o tratamento de pessoas em situação de rua e dependentes químicos.

 

Assim, não aceitamos e denunciamos ações paliativas e eleitoreiras, como as farsas das Tendas da Smads, que, na falta de um projeto de enfrentamento do problema, tenta enganar a população de São Paulo com falácias, mentiras e omissões, contribuindo ainda mais para o agravamento dos problemas sociais, além de favorecer o tráfico de drogas nesses locais com o beneplácito do poder público constituído.

 

É razoavelmente inteligível que ações policialescas que se esgotam em si mesmas, bem como ações "sociais" pífias e equivocadas, não favorecem sequer o vínculo necessário para que o dependente químico aceite um tratamento, ainda que este lhe fosse de fato ofertado. Temos comprovado em nosso bairro que as "Tendas" da Smads, até por falta de equipe multiprofissional de saúde e assistência social, ou atuação profissional efetiva, não criam condições para que usuários de drogas possam sequer em algum momento conscientizar-se da necessidade de seu tratamento. Não há nenhuma possibilidade de vínculo com um "estabelecimento" que fecha suas portas às 22 horas, pondo na rua crianças, velhos e demais necessitados supostamente atendidos em suas dependências.

 

Exigimos, portanto, respeito e responsabilidade do Poder Público para com todos os cidadãos, sobretudo aqueles que, por sua precariedade social, física e mental, vêm sendo utilizados como massa de manobra ou gado, tangido de um lugar para outro, com vistas à degradação orquestrada de áreas de nosso Distrito que só favorecerão a ação da especulação imobiliária que hoje lamentavelmente arbitra quanto aos desígnios políticos de nossa cidade.

 

Não é com falácias, mentiras e golpes eleitoreiros que o problema do crack na cidade deve ser enfrentado. Exigimos que nossos governantes apresentem urgentemente um programa de saúde e assistência social que não se paute pela tortura e manipulação dos usuários de drogas, e que promova a inclusão e a dignidade humana de todos os necessitados que por infelicidade ocupam as ruas e se deixam escravizar pelo vício e seus inescrupulosos traficantes.

 

São Paulo, janeiro de 2012.

 

Associação Santa Cecília Viva / Associação de Moradores e Comerciantes de Campos Elíseos.

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