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Escrito por Wladimir Pomar   
Sexta, 20 de Janeiro de 2012
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As notícias do mundo desenvolvido, em geral, não são animadoras. A França acaba de ter a confiança de sua economia rebaixada pelo sistema financeiro. A economia européia, como um todo, parece patinar no gelo, sem saber para onde vai. O mercado norte-americano, por sua vez, continua apontando sinais de estagnação por tempo indeterminado.

 

Assim, é possível que, na tentativa de aumentarem suas exportações, os Estados Unidos e a Europa entrem numa competição de desvalorização de suas moedas, mesmo artificialmente, transformando o mercado de câmbio numa terra de ninguém. Enquanto isso, o Japão decidiu comerciar com a China utilizando como parâmetro de troca suas próprias moedas, deixando o dólar de lado.

 

Apesar desses problemas em alguns dos principais mercados mundiais, o comércio internacional do Brasil teve um inesperado sucesso em 2011.

 

Suas exportações subiram cerca de 27%, atingindo mais de 256 bilhões de dólares, enquanto as importações cresceram cerca de 25%, somando mais de 226 bilhões de dólares. O saldo positivo foi de 30 bilhões de dólares. Desse saldo, mais de 38%, ou cerca de 11,5 bilhões de dólares, foram provenientes do comércio com a China, que movimentou 77 bilhões de dólares. Isto representou um aumento de mais de 43% nas exportações brasileiras, e de 28% nas importações daquele país asiático.

 

Os déficits do Brasil na balança entre os dois países, em 2007 e 2008, pareciam apontar para uma crescente onda de exportações chinesas e para a redução das exportações brasileiras. No entanto, a reversão de 2009 e 2010, com saldos favoráveis ao Brasil, de mais de 5 bilhões de dólares em cada ano, e o saldo recorde de 11,5 bilhões de dólares, em 2011, apontam noutro sentido.

 

A China se consolida como o principal parceiro comercial do Brasil, com 16% das transações totais brasileiras. E o crescimento de 122% nas importações de produtos brasileiros, em 2011, sinaliza que a nova expansão do mercado interno chinês, a ser promovida pelo 12º. Plano qüinqüenal, apresenta novas oportunidades para as exportações brasileiras destinadas a esse país.

 

Em relação ao comércio com os Estados Unidos, o Brasil continua apresentando um déficit comercial acentuado, embora seu percentual tenha caído de 38%, em 2010, para 28%, em 2011. Os Estados Unidos continuam ocupando um papel importante nas relações comerciais do Brasil, participando com cerca de 12,5% do total, mas aquele desequilíbrio é preocupante, tendo em conta principalmente a desvalorização do dólar.

 

Esses dados e perspectivas do comércio internacional do Brasil, no quadro geral de incertezas da economia mundial, indicam que foi acertado melhorar as condições de importação de bens de capital, como máquinas e tecnologias. Mas também dão relevo à necessidade de apressar as medidas internas de redução da taxa básica de juros e de construção de barreiras à entrada de capitais externos especulativos.

 

Sem essa combinação, o real continuará artificialmente valorizado em relação ao dólar e os capitais externos continuarão preferindo o mercado financeiro ao invés de projetos produtivos.

 

É fundamentalmente de investimentos, tanto estatais quanto privados, nacionais e estrangeiros, que o Brasil necessita. Eles são indispensáveis para que o país dê um salto na reconstrução de sua infra-estrutura industrial e urbana, e no barateamento dos custos de sua logística de transportes, energia e comunicações, como condições básicas para as empresas elevarem sua competitividade.

 

Nesse sentido, não deixa de ser impressionante que grande parte do empresariado e alguns setores do governo brasileiro continuem na ladainha de que os preços chineses são os responsáveis pela perda de competitividade dos produtos brasileiros e pela queda do peso da indústria de transformação no Produto Interno Bruto do Brasil.

 

Com uma visão desse tipo, ao invés de procurarem corrigir as distorções nas altas taxas de juros, na valorização do câmbio, na especulação financeira dos capitais de curto prazo, nos tributos regressivos, na ausência de uma política clara de atração de investimentos para o adensamento das cadeias produtivas brasileiras e para o reforço dos setores nacionais da indústria, acham mais fácil atacar justamente o parceiro que, nas condições atuais do mundo, talvez seja um dos poucos com capacidade de manter um comércio e uma relação econômica favorável ao Brasil.

 

O Brasil tem a vantagem de possuir produtos básicos, minerais e agrícolas, que lhe permitam obter um saldo comercial favorável para financiar as importações de bens de capital. E são tais importações de máquinas e tecnologias, aliadas a investimentos diretos na indústria e às medidas macroeconômicas que dêem fim às distorções apontadas acima, que permitirão ao Brasil elevar a participação da indústria no PIB e retomar a capacidade de exportar produtos manufaturados a preços competitivos.

 

O resto é propaganda enganosa. Em especial das multinacionais aqui instaladas, e de seus parceiros nativos, que pretendem manter seus oligopólios e têm horror a qualquer concorrência, mesmo de empresários brancos. Seu amor à livre concorrência e ao mercado está sempre pronto a ser imolado no altar dos preços administrados e dos lucros máximos.

 

É por isso que nos vemos obrigados, um dia sim, outro também, a bater na mesma tecla dos investimentos, da industrialização, da queda dos juros, da quebra dos oligopólios etc. etc. etc...

 

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Segunda, 23 de Janeiro de 2012
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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