Batendo nas mesmas teclas

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As notícias do mundo desenvolvido, em geral, não são animadoras. A França acaba de ter a confiança de sua economia rebaixada pelo sistema financeiro. A economia européia, como um todo, parece patinar no gelo, sem saber para onde vai. O mercado norte-americano, por sua vez, continua apontando sinais de estagnação por tempo indeterminado.

 

Assim, é possível que, na tentativa de aumentarem suas exportações, os Estados Unidos e a Europa entrem numa competição de desvalorização de suas moedas, mesmo artificialmente, transformando o mercado de câmbio numa terra de ninguém. Enquanto isso, o Japão decidiu comerciar com a China utilizando como parâmetro de troca suas próprias moedas, deixando o dólar de lado.

 

Apesar desses problemas em alguns dos principais mercados mundiais, o comércio internacional do Brasil teve um inesperado sucesso em 2011.

 

Suas exportações subiram cerca de 27%, atingindo mais de 256 bilhões de dólares, enquanto as importações cresceram cerca de 25%, somando mais de 226 bilhões de dólares. O saldo positivo foi de 30 bilhões de dólares. Desse saldo, mais de 38%, ou cerca de 11,5 bilhões de dólares, foram provenientes do comércio com a China, que movimentou 77 bilhões de dólares. Isto representou um aumento de mais de 43% nas exportações brasileiras, e de 28% nas importações daquele país asiático.

 

Os déficits do Brasil na balança entre os dois países, em 2007 e 2008, pareciam apontar para uma crescente onda de exportações chinesas e para a redução das exportações brasileiras. No entanto, a reversão de 2009 e 2010, com saldos favoráveis ao Brasil, de mais de 5 bilhões de dólares em cada ano, e o saldo recorde de 11,5 bilhões de dólares, em 2011, apontam noutro sentido.

 

A China se consolida como o principal parceiro comercial do Brasil, com 16% das transações totais brasileiras. E o crescimento de 122% nas importações de produtos brasileiros, em 2011, sinaliza que a nova expansão do mercado interno chinês, a ser promovida pelo 12º. Plano qüinqüenal, apresenta novas oportunidades para as exportações brasileiras destinadas a esse país.

 

Em relação ao comércio com os Estados Unidos, o Brasil continua apresentando um déficit comercial acentuado, embora seu percentual tenha caído de 38%, em 2010, para 28%, em 2011. Os Estados Unidos continuam ocupando um papel importante nas relações comerciais do Brasil, participando com cerca de 12,5% do total, mas aquele desequilíbrio é preocupante, tendo em conta principalmente a desvalorização do dólar.

 

Esses dados e perspectivas do comércio internacional do Brasil, no quadro geral de incertezas da economia mundial, indicam que foi acertado melhorar as condições de importação de bens de capital, como máquinas e tecnologias. Mas também dão relevo à necessidade de apressar as medidas internas de redução da taxa básica de juros e de construção de barreiras à entrada de capitais externos especulativos.

 

Sem essa combinação, o real continuará artificialmente valorizado em relação ao dólar e os capitais externos continuarão preferindo o mercado financeiro ao invés de projetos produtivos.

 

É fundamentalmente de investimentos, tanto estatais quanto privados, nacionais e estrangeiros, que o Brasil necessita. Eles são indispensáveis para que o país dê um salto na reconstrução de sua infra-estrutura industrial e urbana, e no barateamento dos custos de sua logística de transportes, energia e comunicações, como condições básicas para as empresas elevarem sua competitividade.

 

Nesse sentido, não deixa de ser impressionante que grande parte do empresariado e alguns setores do governo brasileiro continuem na ladainha de que os preços chineses são os responsáveis pela perda de competitividade dos produtos brasileiros e pela queda do peso da indústria de transformação no Produto Interno Bruto do Brasil.

 

Com uma visão desse tipo, ao invés de procurarem corrigir as distorções nas altas taxas de juros, na valorização do câmbio, na especulação financeira dos capitais de curto prazo, nos tributos regressivos, na ausência de uma política clara de atração de investimentos para o adensamento das cadeias produtivas brasileiras e para o reforço dos setores nacionais da indústria, acham mais fácil atacar justamente o parceiro que, nas condições atuais do mundo, talvez seja um dos poucos com capacidade de manter um comércio e uma relação econômica favorável ao Brasil.

 

O Brasil tem a vantagem de possuir produtos básicos, minerais e agrícolas, que lhe permitam obter um saldo comercial favorável para financiar as importações de bens de capital. E são tais importações de máquinas e tecnologias, aliadas a investimentos diretos na indústria e às medidas macroeconômicas que dêem fim às distorções apontadas acima, que permitirão ao Brasil elevar a participação da indústria no PIB e retomar a capacidade de exportar produtos manufaturados a preços competitivos.

 

O resto é propaganda enganosa. Em especial das multinacionais aqui instaladas, e de seus parceiros nativos, que pretendem manter seus oligopólios e têm horror a qualquer concorrência, mesmo de empresários brancos. Seu amor à livre concorrência e ao mercado está sempre pronto a ser imolado no altar dos preços administrados e dos lucros máximos.

 

É por isso que nos vemos obrigados, um dia sim, outro também, a bater na mesma tecla dos investimentos, da industrialização, da queda dos juros, da quebra dos oligopólios etc. etc. etc...

 

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

Comentários   

0 #2 Tecla desafinadaRaymundo Araujo Filh 24-01-2012 11:34
Se há pianista político ruim que eu conheço, este é o Wladimnir Pomar. O pior é que ele é destes artistas caras de pau que, ególatra e arrogantes, não para de tocar seu piano com suas teclas em total desafino com a boa afinação com a realidade.

No cinema tivemos a figura de Ed Wood (outro dia escrevi aqui erradamente, Ed Edward), o Rei do filme B, que recomendo que vejam filme biográfico produzido por Tim Burton, com Martin Landau tendo sido premiado com um Oscar pela interpretação de Ed Wood, e tendo imagens do grande Bela Lugosi em seu último papel de vampiro, morrendo ainda durante as filmagens de Plan 9 from Outer Space de Ed Wood, em 1956.

O que vê Wladinmir Pomar (será o nosso Ed Wood da política?), mas se exime de escrever, para não descortinar o plano de governos medíocres que vem apoiando, como se diferentes fossem do que chama de "direita" aqui no Brasil, é que não presta para nós, esta lógica de exportar matérias primas e importar manufaturados, alguns de alta tecnologia e para áreas estratégicas para nosotros, seja para quem for, sob que regime for e em que situação for. É ciclo perverso de colônia que a Ex Esquerda Corporation W.C. finge desconhecer.

Este é ponto central a ser atacado, para que a Revolução Brasileira (sem nenhuma profissão de Fé ao que esta esquerda marxista e que tais, desenxabida e colonizada como é, acha o que este termo significa)possa avançar e não retroceder como acontece no Brasil, subjugado por governos que se dizem "populares",do Maranhão ao Chuí, do PMDB ao PT e de Demétrio Magnoli a Marilena Chauí.

O que estes adeptos do populismo assistencialista não têm vontade, capacidade e vergonha na cara para enfrentarem é que o Desenvolvimento Brasileiro PARA A MAIORIA DOS BRASILEIROS, aliás, ESMAGADORA MAIORIA, não pode ser espelhado no que vemos acontecer no chamado primeiro mundo, que "em fase avançada do capitalismo" (objetivo tático dos marxistas e que tais para "incentivarem" a Revolução Socialista"), pois isso significa estarmos indo para o abate como mansos bois (e vacas, com todo o respeito...)ou n a China do Wladimir Pomar (porqaue a da maioria dos chineses não é a mesma nos descrita por WP).

Só que lá em cima da rampa do abatedouro, com a marreta na mão, encontram-se os que gerenciam o capital em nome do tal Socialismo, todos muito bem treinado pelos wladimires pomares da vida.

Já vi muita gente se prestar ao papel que WP se presta, cobrando dinheiro para isso. Se WP faz isso "de grátis", será a primeira vez que vejo (e não duvidaria, em se tratando dele). Embora eu ache que se prestar a um papel destes gratuitamente, é pior do que recebendo, pois os mercenários, ao menos, em geral, não acreditam no que escrevem.

O difícil nas Instituições Psiquiátricas é obedecer a ordem médica de "não contrariar os pacientes", mesmo que a gente desconfie que alguns não sejam loucos...

Como vocês podem ver, falar de filmes B é bem mais interessante do que os artigos do WP.

Quando eu morrer, espero ir pro Céu (esperando também que ele exista), só por conta desta tarefa que me obrigo a contestar com argumentos factíveis, as aleivosias políticas de Wladimir Pomar. O sarcasmo é o Seguro que pago, caso o Céu não exista ou eu seja mandado para o Inferno, afinal, não se pode agradar a Todos, se é que me entendem.
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0 #1 PROPAGANDA ENGANOSA?Rui S. 22-01-2012 02:39
Wladimir, você afirma que os que criticam a estrutura das trocas do Brasil com a China fazem propaganda enganosa. E fundamenta com o crescente peso da China no comércio externo brasileiro, que vc acha bom.
Penso o contrário. De facto, exisem razões para que muitos industriais se preocupem com a invasão de produtos chineses.
É verdade que o Brasil tem atualmente um superávite com a China. Mas não se pode omitir que mais de 80% das suas vendas à China são bens em bruto ou pouco manufacturados, enquanto a China vende ao Brasil bens industriais, máquinas e eletrónica fundamentalmente.
E isso de facto está afetando a indústria brasileira. Até agora dá para disfarçar, porque o Brasil tem dinherio entrando, o lhe permite redistribuir uma pequena parte pelas classes médias-baixas e baixas e com isso animar o mercado interno O qual, é altamente protegido por barreiras aduaneiras. Só por isso, aliás, a balança com a China ainda é favorável ao Brasil.
Acredite que tentar competir com os chineses, “não vai dar”. Por muito que o Brasil invista em bens de capital e novas tecnologias - o que, concordo consigo, deve ser feito - isso nunca impediria que a China, uma vez alcançada maior abertura das fronteiras, arrombe com a maioria da indústria brasileira, como fez com a norte-americana e a europeia, que se viram obrigadas a fechar ou a deslocalizar. Não tem como. Com 1 bilião e tal de "formiguinhas" chinesas sem férias nem direitos sociais, horários de 10 horas/dia e habituadas a serem máquinas disciplinadas, sem regras ambientais, com economias de escala doutro mundo - ninguém pode competir.
A solução é mesmo manter barreiras aduaneiras. A globalização à chinesa é uma dramático equívoco que, a meu ver, é a raíz da crise europeia e dos EUA.
Embora se deva reconhecer o outro lado da moeda (que sempre tem em tudo, não é?): o consumidor brasileiro perde com a falta de concorrência, continuando a levar com bem, muitos deles, terceiro mundistas, e a preços maiores que os do 1º mundo. Paradoxos e contradições difíceis de gerir...
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