Chai-na – Otilia Arantes

 

 

“Acho muito forte a perspectiva de se analisar o tema sob o prisma do sonho e do despertar benjaminianos, revisitados por Otília Arantes através da percepção da Buck-Morss diante do colapso de Moscou, enquanto capital do sonho socialista. O leitor vai relacionando sem parar as duas faces da moeda da modernização, e não pode se impedir de articular a débâcle do projeto de construção de um futuro socialista com o desmoronamento das torres gêmeas e, sete anos depois, o derretimento de Wall Street – isto é, a tremenda crise do capitalismo.

 

É impressionante a articulação Luna Park-Manhattan e congêneres em Londres, Frankfurt e agora nas emergentes Kuala Lumpur, Xangai... A ambição de arranhar o céu como modelo de cidade capitalista, levada atualmente ao extremo, mas já como voluntarismo desesperado, aparece com grande nitidez. Mas o esgotamento do modelo também fica patente.”


Laymert Garcia dos Santos

“Otilia Arantes apresenta aqui uma interpretação perspicaz das transformações em curso na China, com um ceticismo político que estimula nossa curiosidade intelectual. Ela já havia sido uma das primeiras a mostrar o “planejamento estratégico” como uma miragem, álibi cultural da espoliação urbana do capitalismo financeiro. Este livro sobre a China compartilha com aqueles trabalhos a sagacidade crítica e, especialmente, a convicção de que é na dinâmica espacial, na crassa materialidade do mundo, que se hão de encontrar as chaves mais significativas do presente. Seu método para interrogá-las é aqui mais benjaminiano do que nunca: extrair as fantasmagorias do nosso tempo da dureza das cifras e dos feitos urbanos.


Trata-se de um livro de escrita precisa e inteligente – e bela – concepção: tudo nele expressa uma atitude autoral, a de uma intelectual dispondo de suas fontes para interrogá-las diante de nós, raciocinando e fazendo raciocinar com ela. Desde a própria alegoria fáustica do título, Chai-na (demolir aí) se apresenta como um quebra-cabeças do qual vai emergindo a figura de uma “paisagem transurbana” de lógicas extremas, cuja especificidade se manifesta ao rasgar o véu do show arquitetônico que parece replicar as políticas de image-making habituais no Ocidente.

 

De tal modo que esse jogo de formas olímpicas fabulosas pode ser pensado em parte como um passe de mágica para consumo ocidental; (...) mas, assinala Otília: ao mesmo tempo que encarnam bem a exuberância com que a China se reapresenta no tabuleiro mundial, essas imagens corroem – ironicamente, como ela sublinha – os fetiches do urbanismo contemporâneo, mostrando sua profunda falsidade. Não se trata portanto de réplicas, mas de uma digestão da modernização ocidental, que aparece transfigurada diante de um espelho revelador.”


Adrián Gorelik


Ficha técnica:

 

Título: Chai-na

Autor: Otília Beatriz Fiori Arantes

Editora: Unesp

Ano: 2011

Páginas: 192

Preço: R$ 68,00

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados