Ministério da Integração dos Coronéis

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Há algumas décadas o Ministério da Integração Nacional é reduto dos coronéis nordestinos. Na era lulista, ficou inicialmente com Ciro Gomes. Ele se presume um estadista. Pensou estrategicamente o desenvolvimento do Brasil a partir do Ceará. Ali, um porto para exportar para o mundo, com a competitividade dos preços pelo encurtamento das distâncias, uma siderurgia no porto, movida pelas águas do São Francisco, uma ferrovia (Transnordestina) que carreasse toda a produção mineral e do agronegócio desde o Piauí até o porto do Pecém. Em debates mais internos, Ciro sempre foi sincero e nunca negou a natureza econômica da Transposição.

 

Saiu Ciro e entrou Geddel Vieira Lima. Aproveitou a pasta e dirigiu mais de 60% dos recursos do Ministério para a Bahia. Fez a base de sua campanha eleitoral para governador no vale do São Francisco com recursos do Ministério para as prefeituras da região. Trombou politicamente com Wagner, perdeu, está no ostracismo político.

 

Entra Dilma e o Ministério foi para Fernando Bezerra Coelho, ex-prefeito de Petrolina, da oligarquia reciclada dos Coelhos. Dominam a região há praticamente um século. É aliado de Eduardo Campos e quer ser prefeito do Recife e eleger o filho prefeito de Petrolina. Ele não se fez de rogado. Elegeu o filho Fernando Coelho Filho deputado federal e o irmão Clementino Coelho tornou-se presidente interino da CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco).

 

Diga-se, há nove meses ocupa o cargo. Liberou 9,1 milhões de reais para o filho através de emendas parlamentares, destinou 90% dos recursos de prevenção de enchentes para Pernambuco, impôs 300 mil cisternas de plástico para serem distribuídas pela CODEVASF. Detalhe: 22.799 (38%) do lote inicial de 60 mil são para Petrolina e região.

 

Era de se supor que um Ministro da Integração Nacional tivesse uma visão integrada do país. Mas, é assim, com políticos miúdos, salvo raras exceções, e com políticas miúdas que tem sido administrado esse Ministério. Enquanto o país de dimensões continentais se desmancha pelas encostas com as enchentes de cada verão, a visão paroquial permanece no miolo dos ministros.

 

Para piorar, Fernando Bezerra conta com o aval da presidente Dilma Rousseff, inclusive para desmantelar a convivência com o semi-árido e ressuscitar o coronelismo baseado no controle da sede humana, agora pela doação de cisternas de plástico.

 

Agora tudo é claro como o sol de Juazeiro e Petrolina.

 

Roberto Malvezzi é assessor de movimentos sociais e membro da CPT – Comissão Pastoral da Terra.

 

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