Estados Unidos: 2012 ratificará a postura conservadora

 

Em 2012, os norte-americanos irão às urnas, com o objetivo de renovar ou não o mandato de Barack Obama. A afirmação se deve à barafunda por que atravessam seus opositores na escolha de um candidato viável à Presidência da República. Até o momento, a visão dos aspirantes republicanos não ultrapassa o horizonte provinciano.

 

Há uma questão importante nas primárias republicanas: a fim de ganhá-las, o pretendente deve contar com uma parcela dos votos reacionários, concentrados na denominada ala dos chazeiros. Ao granjear o apoio mais conservador, ele desgasta-se perante boa parte dos votantes dos grandes centros urbanos, preocupados mais com as questões econômicas do dia-a-dia.

 

Ao se tratar da imigração, em cujo centro se encontram os mexicanos, esquecem-se os candidatos de que ela é basicamente impulsionada pela acelerada desagregação social do país vizinho, desarticulado ainda mais em decorrência da crise econômica, originada nos Estados Unidos, e do aumento do crime organizado, conectado com o outro lado da fronteira;

 

Ao se abordar o constante déficit fiscal, ignoram eles o crescente peso administrativo do Pentágono no orçamento e a quantia destinada ao pagamento dos juros dos títulos públicos. Optam por concentrar a atenção em eventuais cortes nas despesas vinculadas às rubricas sociais e funcionais.

 

Se os republicanos comportam-se nos últimos tempos desta maneira, os democratas podem confortavelmente renunciar às suas responsabilidades políticas – e por que não morais – concernentes às questões acima levantadas.

 

No tocante aos servidores públicos, o governo democrata congelou os salários a partir de 2010. Estima-se que a medida contribuirá para a diminuição do déficit em torno de 0,1% nos próximos anos. Decisões como esta influenciam estados e municípios a adotar procedimentos semelhantes, com impacto negativo na educação, saúde e segurança.

 

Com os dois grandes partidos procedendo de maneira insensível em termos sociais, mesmo em graus diferentes, a população sente-se desanimada a comparecer para a votação. Em 2008, os democratas se beneficiaram bastante porque eles haviam incentivado os eleitores mais jovens a participar de todo o processo eleitoral, o que abarcou a arrecadação de fundos de campanha.

 

Por meio do aproveitamento inédito das redes sociais digitais, o Partido Democrata apresentou um candidato em seu primeiro mandato federal, o de senador por Illinois, filho de uma antropóloga norte-americana de tradição anglicana com um médico queniano de cultura muçulmana.

 

Professor de direito constitucional da Universidade de Chicago, após ter efetivado os estudos superiores em Columbia e Harvard, ele não aparentava ter vínculos profundos com os meios políticos tradicionais, especialmente com os de Washington; enfim, ele encarnou a renovação necessária para os Estados Unidos em um momento de descrédito do país perante a sociedade internacional.

 

Com pouco tempo de administração na Casa Branca, a despeito da obtenção de um prêmio Nobel da Paz no final de 2009, o governo Obama marcou o tom conservador. A única diferença significativa concernente ao seu antecessor foi o esforço para providenciar assistência médica mínima à parcela mais pobre da população.

 

Em 2012, os democratas não contam mais com o entusiasmo do eleitor, mas com o receio. Embora não haja a possibilidade de progressismo com eles, o eleitor teme o conservadorismo ainda maior dos republicanos. Desta maneira, as chances de reeleição de Obama são expressivas, apesar de ter desperdiçado a oportunidade de transformar o país.

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

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