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Os Estados Unidos e o tardio adeus do Iraque Imprimir E-mail
Escrito por Virgilio Arraes   
Sexta, 23 de Dezembro de 2011
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A primeira década do milênio foi desabonadora militarmente para os EUA. Não obstante a superioridade bélica, o país atolou em dois conflitos, Afeganistão e Iraque, e somente se desatasca de um após quase nove anos. O custo material foi altíssimo: em torno de um trilhão de dólares; o humano, com quatro mil e quinhentas mortes, nem tanto, caso se compare com outra confrontação de duração similar, a do Vietnã, com quase 60 mil falecidos.

 

Ao longo de dezembro de 2011, os últimos efetivos direcionam-se para o Kuwait. Duas décadas atrás, a efusividade das tropas – e do governo - era plena. O inimigo, Saddam Hussein, havia sido facilmente derrotado; nos dias atuais, a retirada ocorre de forma discreta, ainda que o mesmo adversário tenha tombado logo nos alvores da invasão.

 

Na primeira versão da Guerra do Golfo, houve uma investida tradicional, de feitio multilateral, com o objetivo de preservar a independência de um pequeno país, governado por uma monarquia absolutista, de uma ditadura civil.

 

O Iraque estava convencido de que tinha o direito de indenizar-se, após exaurir seus recursos materiais e humanos em quase uma década de uma inútil disputa com o Irã, convertido em um regime teocrático havia pouco tempo.

 

Na sua segunda forma, houve uma invasão, sem apoio das grandes potências, sob o pretexto de que a decadente tirania detinha armas de destruição em massa, voltadas possivelmente para atacar os Estados Unidos. Sem naturalmente encontrá-las, a Casa Branca alterou o discurso: a finalidade da presença vinculava-se à implementação da democracia e dos direitos humanos – obstar a perseguição a minorias, como a dos curdos, nacionalidade a que pertencia boa parte do grupo do ditador deposto.

 

Ao praticamente desatrelar-se de modo militar de Bagdá, Washington lega-lhe uma herança negativa, ao não ter viabilizado nenhuma melhora sócio-econômica estrutural. Politicamente, o Iraque tornou-se uma federação étnico-religiosa, de difícil harmonia, uma vez que o acesso a recursos petrolíferos e hídricos ocorre a partir de necessidades locais conjugadas com interesses internacionais.

 

Desta maneira, a perspectiva de formar um Estado de fato nacional encontra-se distante, a despeito de a atual composição governamental contemplar representantes dos principais grupos do país. No cotidiano administrativo, os xiitas prevalecem, até por ser a maior comunidade religiosa, em detrimento dos sunitas, defenestrados depois da chegada da coligação anglo-americana.

 

Com sua presença, a aliança ocidental involuntariamente mediou as divergências políticas nos últimos anos; sem ela, aflora a possibilidade de se buscar solucionar uma antiga gama de diferenças entre as comunidades através da utilização da força de duas maneiras: via privada, por meio de milicianos, ou estatal, por conta de policiais ou de militares, à margem da lei.

 

Na semana da transição, uma contenda entre xiitas e sunitas emergiu: a acusação ao vice-presidente do país de ser mandante de vários assassínios e de ataques a bomba, em decorrência de confissões de seus guarda-costas. Tariq al-Hashimi se dispôs a ser julgado, desde que em um tribunal de sua região natal - o Curdistão, rico em petróleo e com anseios independentistas.

 

Majoritariamente sunitas, seus partidários refutam a incriminação e afirmam ser isso parte de um temerário jogo político, com vistas à eleição do próximo ano, promovido pelo primeiro-ministro Nouri al-Maliki. Próximo do Irã, este político xiita solicitou ao parlamento um voto de desconfiança ao seu adjunto, Saleh Mutlaq, também sunita.

 

A instabilidade interna pode convergir com a externa, tendo em vista o desdobrar das turbulências na Síria - país de maioria sunita, fronteiriço com o Iraque – ou o desenrolar das disputas entre conservadores e moderados no Irã. As duas tendências em Teerã têm projetos de incrementar o relacionamento diplomático com o antigo inimigo, porém sob diferentes perspectivas.

 

A Casa Branca observa apreensiva a evolução da política iraquiana. Após quase uma década de ocupação, o enfermiço país não parece disposto a aliar-se de forma incondicional aos Estados Unidos. Ao fragmentá-lo politicamente, Washington visou apenas ao curto prazo, com o fito de cooptar lideranças regionais e, desta maneira, impulsionar o fim da ditadura baathista.

 

Desprovido momentaneamente o Iraque de identidade nacional, o governo Obama terá de negociar durante muito tempo de modo segmentado. Como conseqüência, o desgaste do campo de batalha passa a partir de 2012 para o da diplomacia.

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

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Última atualização em Terça, 27 de Dezembro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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