O presente de Natal de Dilma para os nordestinos: cisternas de plásticos

0
0
0
s2sdefault

 

O presente da presidente Dilma ao povo do semi-árido nesse Natal já está decidido: uma cisterna de plástico.

 

A presidente é uma excelente gerente, pessoa íntegra e acima de qualquer suspeita. Quando criou o “Água para Todos” nos encheu de alegria. Afinal, agora iríamos acelerar a construção das cisternas para beber e produzir. Mas, a presidente preferiu doar centenas de milhares de cisternas de plástico para os nordestinos. Descartou o trabalho histórico da Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) e vai trabalhar exclusivamente com os estados e municípios.

 

Claro que essa decisão está acima de qualquer interesse eleitoreiro, ou dos coronéis do sertão, ou dos 10% das empresas fabricantes do reservatório. Dilma é uma mulher honrada.

 

Claro que os empresários enviarão junto com as cisternas pedagogos, exímios conhecedores do semi-árido, que farão a educação contextualizada realizada a duras penas por milhares de educadores da ASA. Esses pedagogos evidentemente conhecem o semi-árido, o regime das chuvas, a pluviosidade de cada região, como se deve cuidar dos telhados, das calhas. Irão pelo sertão, pelas serras, pelos brejos, gastarão dias de suas vidas em meio às populações para realizar com um cuidado sacerdotal as tarefas que a questão exige.

 

Claro que os políticos farão, antes de entregar as cisternas, uma crítica ao coronelismo nordestino, ao uso da água como moeda eleitoral, afinal, já superamos os períodos mais aberrantes da política nordestina.

 

Quando a cisterna quebrar, os pedreiros capacitados saberão reparar os estragos, sem depender da empresa e as cisternas de plástico não virarão um amontoado de lixo no sertão.

 

As empresas também enviarão agrônomos para dialogar com as comunidades, falar como se faz uma horta com a água de cisterna para produção, uma mandala, uma barragem subterrânea, uma irrigação simples por gotejamento. Claro, o interesse das empresas e dos políticos é continuar o trabalho pedagógico da ASA tão premiado no Brasil e em outros lugares do mundo.

 

Não temos, portanto, nada a protestar. A presidente e a ministra Campello são exímias conhecedoras do Nordeste, mesmo tendo nascido no sul e sudeste. Conhecem cada palmo da região, dessa cultura, cada um de seus costumes. Claro que não nos enviarão mais sapatos furados, roupas rasgadas em tempos de seca, como acontecia antigamente. Até porque o trabalho da ASA eliminou as grandes migrações, a sede, a fome, as frentes de emergência e os saques. Mesmo não sendo nordestinas, nem jamais tendo vivido aqui, conhecem a região melhor que o povo que aqui nasceu ou aqui habita. Portanto, gratos por tanta generosidade.

 

Vamos conversar com os milhões de beneficiados envolvidos na convivência com o semi-árido. Eles vão entender as razões da presidente e da ministra e vão retribuir com a generosidade que lhes é peculiar.

 

O povo do semi-árido jamais esquecerá que, no Natal de 2011, ganhou como presente da presidente Dilma Rousseff uma cisterna de plástico.

 

Roberto Malvezzi é agente pastoral, membro da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e da Aliança para o Semi-Árido (ASA).

Comentários   

0 #1 Ministério diz que ampliar Água para TodosPaulo Renato 02-01-2012 17:07
MDS reafirma parcerias para atender 750 mil famílias

Brasília, 21 - O Governo Federal assumiu o compromisso de retirar 16,2 milhões de brasileiros da extrema pobreza até 2014. A maioria dessas pessoas (9,6 milhões, ou 60%) vive na região Nordeste, especialmente no Semiárido.

Frente ao desafio de superar a extrema pobreza em quatro anos, o Governo Federal se comprometeu a universalizar o acesso à agua no Semiárido em um prazo de dois anos por meio do programa Água para Todos. Isto porque a miséria não será superada enquanto milhares de famílias não tiverem acesso à água para beber, para a produção e para o preparo de alimentos.

O programa Água Para Todos envolve a ampliação do acesso dessas famílias a tecnologias de captação da água da chuva para alavancar processos produtivos voltados à geração de renda e o autoconsumo alimentar. Levar água para beber e para a produção de alimentos a essas famílias significa garantir-lhes dignidade humana e melhorar sua condição de convivência com a região.

Trata-se de um enorme desafio que, necessariamente, traz para o centro da agenda nacional toda a experiência acumulada dos governos e da sociedade civil na construção das cisternas, em especial a metodologia desenvolvida pela Articulação do Semiárido (ASA).

Queremos e vamos continuar esse trabalho. Para isso, o Plano Brasil Sem Miséria (BSM) tem como meta instalar cisternas e outros equipamentos de abastecimento de água para 750 mil famílias do Semiárido em dois anos.

É uma meta ousada. Para se ter uma ideia, de 2003 a 2010, com recursos do Governo Federal, a região recebeu 325 mil cisternas, numa média de 40 mil por ano. O Governo Federal precisa ampliar parcerias e buscar novas alternativas tecnologicamente viáveis para garantir o direito dessas famílias à água de qualidade e na quantidade necessária. Assim, os ministérios da Integração Nacional, do Meio Ambiente, além do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste e Funasa se uniram a esse desafio. A ampliação da parceria com Estados, Municípios e organizações da sociedade civil também é fundamental para a eficácia da ação.

Não se trata de uma troca de modelos de cisternas, mas de uma ampliação das alternativas existentes, de modo a garantir, mais rapidamente, que a meta de levar água para a população do Semiárido seja alcançada.

Para que esta tecnologia chegue às famílias e às comunidades garantindo cidadania, o governo está fomentando a formação de comitês locais de monitoramento e acompanhamento do programa, junto a organizações da sociedade civil locais.

Em 2011, como resultado dessa nova estratégia, o Governo Federal já conseguiu incrementar a produção de cisternas, atingindo 315 mil unidades: 84,7 mil entregues, 68,8 mil em construção e 161,7 mil em fase de licitação ou contratação. Do total, 255 mil são do modelo de placas e 60 mil de polietileno.

Não procede, portanto, a afirmação de que estamos substituindo as cisternas de placa. Ao contrário, mais que dobramos a média anual de construção dessas cisternas, ampliando os arranjos de execução dessa tecnologia social.

Fundamentalmente, serão milhares de famílias que terão sua cidadania ampliada, e melhores condições de vida e de inclusão produtiva. Reafirmamos a importância de contar com todos os parceiros comprometidos em levar água para milhares de brasileiros e em contribuir para a superação da miséria.

Ascom/MDS
(61) 3433-1021
www.mds.gov.br/saladeimprensa

http://www.mds.gov.br/saladeimprensa/noticias/2011/dezembro/mds-divulga-nota-sobre-cisternas
Citar

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados