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Inglaterra e Irã: uma velha inimizade Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sábado, 17 de Dezembro de 2011
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A invasão da embaixada inglesa por estudantes iranianos começou no século 19. Foi quando governantes corruptos permitiram que durante muitos anos a Rússia e a Inglaterra dominassem o Irã e explorassem sua economia.

 

O domínio da Inglaterra era tão grande que assumiu o controle direto de várias cidades. Por sua vez o governo do Irã era tão fraco que não podia nomear sequer um ministro sem a aprovação dos consulados inglês e russo.

 

E assim começou o ódio dos iranianos pela Inglaterra, que foi aumentando com base em novas ações da potência européia contra o país dos aiatolás.

 

O povo iraniano sempre se rebelou contra as concessões feitas às potências estrangeiras e, em 1906, uma revolução constitucional tornou o Irã uma monarquia parlamentarista. Mas os russos e os ingleses não se tocaram. Em 1907 impuseram um tratado que dava à Inglaterra o controle do sul, e à Rússia, do norte.

 

Em 1913, com a descoberta do petróleo, o frágil governo do Irã deu a uma companhia inglesa, a Anglo-Iranian, o monopólio da exploração dessa altamente rendosa fonte de energia.

 

Em 1919, a Inglaterra forçou um acordo que lhe deu o controle do exército, dos transportes, das comunicações e do tesouro do Irã.

 

Dois anos depois, um golpe militar, liderado pela Inglaterra, colocou no poder Reza Khan. Na ocasião, os ingleses usaram gases venenosos contra os iranianos rebeldes.

 

Na 2ª. Grande Guerra, o Irã declarou-se neutro, mas a Inglaterra e a União Soviética não aceitaram essa decisão. Precisavam garantir o suprimento de petróleo para o exército soviético, por isso invadiram e ocuparam o país. Durante a ocupação, os ingleses fizeram requisições forçadas de alimentos para seus soldados em quantidades tão grandes que provocaram fome na população iraniana.

 

Ainda nesse período, logo ao instalar-se no Irã, o exército inglês tratou de depor Reza Khan, pois perdera a confiança nele. E providenciou sua substituição por alguém mais dócil: seu filho, Mohamed Reza Pahlevi.

 

Terminada a guerra, com a saída dos exércitos estrangeiros, o povo do Irã voltou a lutar pela democracia. Em 1951, um governo parlamentar elegeu Mohamed Mossadegh, primeiro-ministro. Sem demora, ele nacionalizou a exploração do petróleo, reservando uma parte dos lucros para pagar as reivindicações da Anglo-Iranian, quando fossem justas.

 

O Irã ganhou então uma extraordinária fonte de recursos porque o país era um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

 

A nacionalização empolgou o povo, que começou a sentir seus efeitos através das reformas sociais que Mossadegh começou a empreender.

 

Mas os ingleses não se conformaram em perder suas riquíssimas concessões. Convenceram a comunidade internacional a boicotar o petróleo iraniano, além de conseguirem a aplicação de duríssimas sanções econômicas, comparáveis às que o Irã está sofrendo hoje.

 

O Irã entrou em crise, mas resistiu. Como hoje está acontecendo.

 

Diante disso, Churchil convenceu o general Eisenhower de que a União Soviética acabaria tornando o Irã seu satélite.

 

Juntos, o MI6 e a CIA, os serviços secretos dos dois países, planejaram e executaram um golpe de estado contra o governo popular, secular e democraticamente eleito de Mossadegh.

 

O premier iraniano foi preso e o xá Reza Pahlevi assumiu poderes ditatoriais. Usou-os para passar o petróleo iraniano para a Brittish Petroleum, promover uma modernização de fachada e gastar fortunas em festas das mil e uma noites, cujas fotos provocaram admiração em todo o mundo. Menos no Irã, onde a SAVAK, a polícia secreta, prendeu e torturou opositores à vontade.

 

Enquanto isso, a Inglaterra, ao lado dos EUA, apoiava o governo do xá, com grandes verbas aplicadas especialmente na polícia e no exército. Ele chegou a iniciar um programa nuclear, negociando a importação de usinas e outros equipamentos.

 

Em 1979, uma revolução popular derrubou o governo do xá. O poder foi assumido pelo aiatolá Khomeini, que implantou um regime islâmico no país.

 

Pouco tempo depois, o exército do Iraque invadiu o Irã, iniciando uma guerra entre os dois países. A Inglaterra declarou-se neutra, impondo embargo à venda de armamentos. Mas fechou os olhos para a exportação clandestina de grande quantidade de armas, inclusive químicas, para o país de Saddam Hussein.

 

Nos últimos anos, os ingleses associaram-se aos países que impuseram sanções ao Irã, para forçá-lo a abandonar seu programa nuclear, que o Ocidente e Israel acusam de ser militar.

 

No mês passado, quando se divulgou as intenções do premier Netanyahu de atacar o Irã, a maioria dos governos ocidentais, inclusive o americano, manifestou-se contra a idéia. Já a Inglaterra ordenou a prontidão de parte de suas forças armadas, com o fim de apoiar eventuais ataques americanos.

 

E, mais recentemente, foi a primeira potência européia a empregar sanções contra o Irã, congelando ativos no valor 1,6 bilhão de libras.

 

Como se vê, a história das relações anglo-iranianas é marcada pela exploração, humilhação, fome e violências impostas pelo governo de Londres contra o Irã.

 

Sobram motivos para o povo iraniano ter a pior impressão dos ingleses. É um ressentimento que passa de geração a geração, que a Inglaterra não tem feito o menor gesto para procurar amenizar.

 

A invasão da embaixada inglesa pelos estudantes iranianos não passa de uma migalha comparada com o que o Irã sofreu da parte dos ingleses.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: www.olharomundo.com.br

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Última atualização em Terça, 20 de Dezembro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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