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Moçambicano e canadense contam suas experiências com Vale em seus países Imprimir E-mail
Escrito por Conlutas   
Sábado, 10 de Dezembro de 2011
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O “Intercâmbio Tri Nacional Brasil/Canadá/Moçambique” entre trabalhadores e comunidades atingidas pela Companhia Vale do Rio Doce ocorreu de 22 novembro a 4 de dezembro no Brasil. Teve como principal objetivo discutir com todos os participantes sobre a política de desrespeito a direitos trabalhistas, comunidades e meio ambiente da Companhia Vale do Rio Doce nos países onde a empresa se faz presente.

 

O intercâmbio passou pela cidade do Maranhão tendo seu término em São Paulo. A Central Sindical e Popular (CSP) Conlutas entrevistou dois companheiros que nos contaram um pouco da experiência desse encontro e de como a Vale atua em seus respectivos países.

 

Conversamos com o integrante do Movimento de Defesa da Terra do Moçambique, Rui Vasconcelos Caetano, e com o canadense Randy Koch, ferroviário e membro do sindicato dos metalúrgicos do Canadá, que aglutina diversas organizações.

 

Qual a importância desse encontro e seu principal objetivo?

 

Rui Vasconcelos Caetano: Fundamentalmente essa troca de experiência é contra um inimigo em comum, a multinacional Vale. Empresa que viola os direitos das comunidades e dos trabalhadores. Por isso, nesse encontro, definimos estratégias e formas de resistência à Vale do Moçambique e dos países explorados por ela.

Randy Koch: Meu objetivo nesse encontro, como trabalhador ferroviário, é pesquisar a realidade da estrada de ferro da Vale aqui no Brasil, assim como as comunidades de seu entorno. Além de contar sobre minha vivência, já que tenho 28 anos de experiência nos trilhos e lá no Canadá essas ferrovias também são utilizadas com o mesmo objetivo, transporte de minérios.

 

O que já foi traçado como meta concreta nesse intercâmbio?

 

R.V.Caetano: Buscaremos a intensificação desse intercâmbio, há experiências positivas no Brasil e Canadá. No Brasil, por exemplo, a experiência de envolver numa luta comum os movimentos sindical e popular é algo que queremos levar como modelo. Em Moçambique a Vale é recente, queremos capitalizar o espaço de mobilização.

 

R. Koch: Principalmente a troca de experiências com os países que participaram do encontro.

 

Vocês tiveram a oportunidade de ir ao Maranhão e ver a realidade dos trabalhadores e das comunidades atingidas pela Vale. Qual a semelhança com os ataques da Vale ao seu país?

 

R.V.Caetano: Em Moçambique, os ataques ao meio ambiente ainda não são tão visíveis como aqui no Brasil. A Vale se instalou em meu país em 2004. O que mais me impressionou no Maranhão foi ver a pobreza e desemprego por onde passa a estrada de Ferro de Carajás (MA), que transporta o minério. É algo que pode acontecer em Moçambique num futuro sombrio, se não lutarmos. Aqui, a empresa era estatal e depois foi privatizada. A Vale foi para Moçambique já privatizada. É importante o envolvimento de todos nessa luta!

 

R. Koch: A quantidade de pessoas que morrem na estrada de ferro do Carajás me impressionou. É triste ver o descaso das autoridades com relação ao assunto. No meu país as diferenças são basicamente em torno das leis de saúde e segurança do trabalho. No Canadá o Estado se envolve, mas aqui, pelo que pude perceber isso não ocorre. Nossas leis também não são perfeitas, a luta é permanente e tem haver com os políticos que estão no poder, que defendem as empresas e atacam os trabalhadores. Toda a atividade de mineração tem aspectos negativos.

 

No final de semana foi o desfecho do encontro, como foi esta troca de experiências?

 

R.V.Caetano: Desse encontro levo a saudade dos locais onde passamos e pudemos ver um Brasil profundo e real. Vamos continuar a ter essa ligação com as pessoas que estão envolvidas nessa causa.

 

R. Koch: O que me impressionou não foi só aspecto negativo, mas também a solidariedade das pessoas que moram nas comunidades atingidas pela Vale. Essa experiência vou levar comigo.

 

Qual o verdadeiro papel da Vale? A que essa multinacional tem submetido os trabalhadores em país?

 

R.V.Caetano: É retirar o máximo de lucro e mão-de-obra barata em Moçambique, país onde a empresa oferece os piores salários. Só traz prejuízos e sofrimento para as comunidades, como a desapropriação de famílias de diversas comunidades para explorar a terra. Perda de direitos e tradição das próprias comunidades. As compensações para essa retirada de direitos são casas, porém, de péssima qualidade e em lugares distantes, tudo para explorar o carvão. Existe um descontentamento generalizado no meu país, ninguém quer a Vale lá, principalmente as populações reassentadas pela empresa.

 

R. Koch: Não sou empregado da Vale, mas posso dizer que querem rebaixar as leis que protegem os trabalhadores da Vale no Canadá. Ao invés de nossas leis servirem de exemplo para o Brasil é o contrário que está ocorrendo, querem levar a flexibilização das leis que existe aqui para o meu país.

 

Uma mensagem de solidariedade aos mineiros aqui do Brasil e ao conjunto da classe trabalhadora.

 

R.V.Caetano: Que os trabalhadores do Brasil tenham muita coragem e nos passem sua experiência, para que nós possamos distribuir para os outros. Assim, nossa luta mobilizará cada vez mais trabalhadores.

 

R. Koch: Que todos os trabalhadores se unam por melhorares condições de trabalho, por isso é muito importante essa troca de experiências. Quando os trabalhadores e comunidades atingidas pela Vale se unem por suas reivindicações é mais certo que alcancem seus objetivos. Temos muita vontade de compartilhar nossa experiência. A solidariedade internacional é caminho para a construção de um mundo melhor.

 

 

Fonte: Site da Conlutas.

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Última atualização em Terça, 13 de Dezembro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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