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Na Espanha, Rajoy e o PP ganharam: governarão os mesmos Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Gutierrez   
Sexta, 25 de Novembro de 2011
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A contundente vitória do Partido Popular (PP) nas eleições de 20 de novembro (20N) não traz nada, a não ser colocar de manifesto o profundo déficit democrático que representam tanto o Estado Espanhol como a União Européia. Isso se traduz no paradoxo de que enquanto se produziu uma das mais amplas maiorias absolutas da democracia, o governo que formará Mariano Rajoy terá quase que totalmente limitada sua capacidade de atuação e não poderá fazer outra coisa se não seguir os ditames – com toda a segurança de muitos lucros – do Banco Central Europeu e os chamados “mercados”.

 

Portanto, os especuladores, os financistas e os tecnocratas da União Européia, que ninguém elegeu, serão os que continuarão tendo em suas mãos o destino dos cidadãos do Estado espanhol. Parece evidente que muitos trabalhadores, de modo muito primário, e expressando dramáticas situações pessoais, concederam seu voto ao Partido Popular pensando que era necessária uma mudança. Desgraçadamente, com toda a certeza, tais expectativas se verão frustradas muito prontamente. Não podemos esperar outra coisa além da aceleração do programa neoliberal de cortes, liquidação dos serviços públicos, precarização do trabalho e os custos da crise nas costas dos mais pobres. Além do mais, o fato de que o PP – um partido que vai da direita liberal a setores da extrema-direita pós-franquista – domine tanto a maioria das câmaras regionais, assim como as comunidades autônomas e o governo central, não augura muito futuro para as liberdades e a democracia em nosso país.

 

A dura derrota eleitoral sofrida pelo PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) põe de manifesto uma significativa perda de confiança em um partido que não aplicou políticas social-democratas e que se entregou aos braços do neoliberalismo e dos mercados. Salvo as primeiras medidas de Zapatero, como o matrimônio homossexual ou a ampliação do direito ao aborto, o resto de seu mandato se distinguiu por sua submissão às políticas econômicas neoliberais e por sua falta de decisão para enfrentar as forças mais poderosas. A tentativa desesperada de Rubalcaba de “voltar às origens” e se apresentar como fiel seguidor das políticas sociais foram um enorme fracasso. Os cidadãos não caíram na armadilha e parecem reclamar mais coerência aos socialistas. Não é possível nem honesto fazer o contrário do que se diz. Tampouco é menos previsível o surgimento de setores de ruptura, ao estilo Oskar Lafontaine na Alemanha, que se aproximem da Esquerda Unida (IU). No PSOE não existem mais setores importantes que defendam um pensamento social-democrata forte. Os desgraçados anos de Felipe González à frente do partido liquidaram qualquer veleidade esquerdista no socialismo espanhol.

 

A ascensão do populismo – 1 de cada 5 deputados – encarnada no UPyD (União, Progresso e Democracia), fundamentalmente nutrida pelo desencanto socialista e muito localizado em Madrid, é uma conseqüência lógica da crise. Os momentos de desespero e falta de confiança no futuro têm como conseqüência o fato de importantes setores depositarem suas expectativas em projetos guiados por líderes mais ou menos carismáticos – neste caso, a ex-socialista Rosa Diéz – que dizem a cada cidadão o que querem escutar. A mescla de liberalismo econômico, populismo espanholista e guinadas aos movimentos sociais praticada pela UPyD não deverá, apesar de sua ascensão, ter fôlego. Creio ser muito necessário assinalar que a UPyD mantém posturas que superam o PP pela direita no que se refere à relação do Estado Central com as Comunidades Autônomas, e foi o único partido que não valorizou positivamente o fim da atividade armada do ETA. Sua auto-proclamação de partido “transversal” não faz outra coisa se não levantar suspeitas sobre sua autêntica ideologia. Não é casual que a maioria de seus votos seja de Madrid, conseguindo 4 de seus 5 deputados nesta Comunidade. Tal fato revela que seu discurso anti-autonomias e anti-ETA tem um público muito concreto e localizado geograficamente.

 

No campo da esquerda, é muito destacável o importante, de 2 a 11 deputados, crescimento da Esquerda Unida. Este bom resultado, mais que um consciente trabalho social ou dentro nos movimentos, se deve tanto ao descenso do PSOE como a uma crescente rejeição popular ao bipartidarismo e ao discurso único neoliberal. De todos os modos, este resultado não se aproxima dos “bons tempos” de Julio Anguita (21 deputados) como líder da IU. Uma profunda crise econômica como a que afronta o Estado espanhol deveria contar com um grupo de esquerda ainda mais forte e coeso. O desafio da Esquerda Unida será tratar de se constituir como um autêntico movimento social e político, abordando uma verdadeira refundação e convertendo-se em ferramenta útil aos movimentos sociais. Se não, voltaremos ao pêndulo, e uma nova subida do PSOE suporá a queda da IU, que por sua vez, sem autêntico enraizamento social, ficará sempre condicionada aos altos e baixos do PSOE.

 

Por último, e no campo da esquerda estatal, os modestíssimos resultados da “esquerda da esquerda”, os Anticapitalistas (o equivalente da Crítica Esquerdista na Itália) e o PCPE (Partido Comunista dos Povos da Espanha), que obtiveram 50.000 na soma de ambos, mostram a necessidade de estabelecer uma profunda reflexão sobre a necessidade ou não de se apresentar às eleições e sobre a imprescindível união de forças sem que se trate de buscar atalhos. Creio ser necessário se empenhar no trabalho de base, construindo a partir de novas subjetividades, sem pressa, mas sem pausa. Só um projeto político que surja a partir do conflito social será capaz de representar realmente os interesses dos que pretendem mudar o Sistema. Algum desses grupos, concretamente o PCPE, depreciaram os movimentos como o dos Indignados e se refugiaram em uma essência operária, que tem curtíssimo fôlego. Por outro lado, os Anticapitalistas, que têm um trabalho mais profundo nos movimentos sociais, elaboraram sua candidatura de modo muito apressado e sem esperar que se forjassem processos unitários de solidez à altura das circunstâncias.

 

A respeito dos verdes do Equo, o resultado foi muito modesto também. O único deputado que conseguiu é, na verdade, fruto de seu acordo com a formação valenciana Compromis, que por sua vez provém de uma ruptura com a IU. Parece indispensável esclarecer que o Equo surge diretamente de uma aposta dos verdes alemães que pretendem “patrocinar” este grupo no Estado espanhol. O partido veio se nutrindo também de setores mais moderados, próximos a Gaspar Llamazares, que rompeu com a IU pela direita.

 

Uma das maiores novidades dessa eleição é a potente irrupção do Amaiur (coalizão basca de esquerda pró-independência) no Parlamento Espanhol. Os sete deputados eleitos pela sigla da esquerda abertzale (nacionalista) supõem um grande êxito e a consolidação de um projeto político apartado do uso da violência. A saída negociada e democrática ao chamado “conflito basco” parece mais irreversível do que nunca. A vitória do Amaiur e a direita nacionalista (PNV – Partido Nacionalista Basco) colocam seriamente em questão o atual governo basco fruto do acordo PSOE-PP. Um futuro com Arnaldo Otegi como lehendakari (presidente) não parece muito bem aventurado. De toda forma, o sentido da votação deixou claro que a realidade política da Euskal Herria (País Basco) é bem diferente da do resto do Estado espanhol. Como desafio, em meu juízo, se apresenta para a esquerda abertzale saber combinar sua clara aposta soberanista com o conteúdo social e esquerdista de seu programa político. Creio que será muito interessante acompanhar como se aborda essa contradição que podem supor os acordos com forças que concordam, mais ou menos, na questão nacional, mas não no programa de transformação social.

 

Na Catalunha, nos encontramos com a surpresa da espetacular subida do CIU (Convergência e União, da direita nacionalista) - pela primeira a força mais votada em Eleições Gerais -, que está governando a região e aplicando uma política de cortes brutais, especialmente em saúde e educação. Parece que para os catalães pesou mais a necessidade de dar um castigo ao PSOE e se afirmar em sua identidade nacional do que mostrar sua oposição às políticas neoliberais levadas a cabo pela CIU em sua comunidade.

 

Voltando ao marco estatal, a necessidade de fugir do asfixiante bipartidarismo, a capacidade de se organizar à margem das estruturas tradicionais expressadas pelo 15-M (movimento dos indignados que tomou as praças espanholas em maio), ou ainda os potentes processos de subjetivização que estão se dando no calor da resistência aos cortes e à precarização, fazem que uma arrasadora vitória da direita nos deixe sinais de esperança no horizonte. Não importa quais sejam as siglas que representam essas novas subjetividades, o crucial é que sejam elas mesmas as elaboradoras do programa alternativo que se traduza em projeto político de transformação social. Só assim poderá existir uma opção política que supere o abismo existente, ao menos no Estado espanhol, entre conflito social e representação política. Não se trata de abordar uma nova soma de siglas de grupos de esquerda, mas de construir a estreita ligação com as lutas sociais reais e com os problemas reais dos trabalhadores e das camadas mais agredidas pela crise capitalista.

 

Abrem-se importantes desafios para a esquerda: isso porque nos encontraremos de novo com a tentativa do PSOE de capitalizar as mobilizações e tratar de se apropriar da bandeira da esquerda; veremos qual é a direção que tomam os sindicatos majoritários – Central Operária e União Geral dos Trabalhadores - que perderam quase toda sua capacidade de mobilização; será necessário que o sindicalismo alternativo se desenvolva e se consolide; haverá de se seguir muito de perto o movimento 15-M; e teremos de comprovar se os diferentes grupos da esquerda fragmentada e atualmente fragilíssima são capazes de renunciar ao sectarismo e buscar unidade.

 

Em resumo, muitas possibilidades abertas e poucas certezas no futuro. Fazer possível uma alternativa real à avalanche da direita e do neoliberalismo depende do trabalho de todos nós.

 

Carlos Gutiérrez é militante comunista, do Movimiento da Esquerda Alternativa e do Espai Marx – Espaço Marx, catalão.

 

Publicado originalmente em Kaos en la Red.

Traduzido por Gabriel Brito, jornalista do Correio da Cidadania.

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