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Crisis? What Crisis? Imprimir E-mail
Escrito por Raymundo Araujo Filho   
Qui, 03 de Novembro de 2011
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Os capitalistas de peso, aqueles remanescentes de cerca de 300 famílias e 8 principais conglomerados que literalmente dominam o mundo, querem que os ideólogos do capitalismo (mirian leitão, merval pereira, arnaldo jabor, entre outros) se lixem frente aos seus leitores, como temos notado ultimamente, sem deixar de dar boas gargalhadas das dificuldades que têm tido em justificar o que está aí, que venderam como peixe fresco, mas fedendo a podre.

 

Eles nada têm a ver com as teorias desta gente. O negócio deles é ganhar dinheiro, fincar raízes do Poder Real e comandar as ações que sejam necessárias para isso, fazendo o que for necessário para que seus objetivos se realizem, pois acreditam piamente que “os meios justificam os fins” (sejam quais forem os meios e os fins). Os ideólogos é que precisam dar explicações, formular teorias e justificativas, pois, sendo eles trabalhadores da (des)informação, precisam ganhar a vida em seus empregos da mídia corporativa, que por sua vez vive de anunciar as quinquilharias das empresas e apoiar o assalto ao erário e privatização do Estado, além da posse da alma dos leitores.

 

Neste momento, ao contrário do que uma enorme turba de ignorantes em realidade afirma, o Capitalismo está ganhando força, concentrando-se mais ainda nas mãos de menos gente, colocando as relações entre capital-trabalho extremamente favoráveis ao capital, transferindo o grosso da produção industrial para o terceiro mundo (no primeiro ficam só a indústria bélica, bens de capital e petróleo), colocando a classe média, operários e trabalhadores do setor de serviços a saírem às ruas "em busca do paraíso perdido" (leia-se capitalismo de pleno emprego e assistência social).

 

São poucas as palavras de ordem a favor de um mundo socialista, em todas estas manifestações da Grécia a Wall Street. Até porque o que fizeram do anticapitalismo socialista dá até dó...

 

Será que ninguém repara que, embora de O Globo ao PCB todos dizem que a Europa e os EUA estão com o povo nas ruas, os Congressos e governos destes países continuam a implementar suas propostas de sangria da população, de falta de empregos, quebra da produção, retirada de benefícios sociais, piora de todos os serviços (da saúde à educação), sem que a "casa caia"? E, logo após, já em plena crise, nas eleições dos anos recentes, a direita espraiou-se como “nunca d’antes” nesta Europa que protesta? Será que não reparam que Berlusconi não foi apeado do poder pelo congresso italiano e nada de grave aconteceu? Nem uma bombinha jogaram... Será que não percebem que Sarkozy transita com grande desenvoltura, como se nada tivesse a ver com a "crise"?

 

De minha parte, eu acho que os extratos da população fundamentais para que algo se transforme de verdade estão recolhidos, "Esperando Godot ou o trem que não vem". Aliás, como é comum ao povo, ainda mais sem lideranças ou vanguardas que digam algo que preste. Quem é o trouxa que vai combater a atual situação com os alfarrábios da velha esquerda?

 

Será que ninguém percebe que NÃO É O PROLETARIADO que está nas ruas? Apenas parte não fundamental dos trabalhadores das indústrias está nas ruas. E pelo simples motivo de que os das indústrias que mencionei (bélica, petróleo e bens de produção, essenciais) estão muito bem remunerados. E os outros ameaçados de suas empresas irem, como estão indo, para os Brasis da vida, onde reinam a Paz, as Bolsas-Esmolas e a deformação do caráter popular, com a nova Classe Média (de R$1000,00 por mês)? Ninguém percebe mesmo?

 

Será que não existe nada além de dois tipos de ignorantes políticos que se dizem de “esquerda”, um anunciando que "o capitalismo está acabando e o povo está quase em armas" (não deve ser à toa que este apoiou a OTAN na Líbia), e o outro dizendo que Lulla representa perigo ao capital e, por isso, a CIA lhe implantou um câncer...

 

Será que estes pobres coitados não vêem que o único povo em armas são os partidários da OTAN, em seus países de origem? E que, com raras exceções, os governantes do terceiro mundo estão empenhados em salvarem os anéis, mesmo que custem os dedos do povo?

 

Assim, coleguinhas de infortúnio que citam Marx sem sequer o terem lido (e se leram não entenderam – sem essa de “interpretações”), será que vocês não sabem que não há crise alguma do capital, mas sim mais um processo de acumulação financeira, de terras e dos meios de produção e da comunicação, esta essencial, aliada à falta de estudo, para mais um grande passo à idiotização e dominação geral dos povos?

 

Nada mais confortável para um capitalista do que pseudo-esquerdistas agindo como doidivanas, a apoiar como revolucionários aqueles que a OTAN financiou e armou, chamando também de revolucionários os que apenas desejam o retorno do “capitalismo assistencial”, que não virá mais.

 

Isso ao invés de, ao menos os que se dizem revolucionários e ativistas anticapitalistas (só se dizem...), se prepararem para a real batalha, que não será nas praças de Nova Iorque e nem no país dos queijos de cabras, mas sim a partir de levantes que devem ser estimulados nos rincões do terceiro mundo, para onde se desloca atualmente a Matrix do Capital.

 

Isso coloca no lixo as interpretações estáticas de Marx e sua teoria de que a Revolução viria do primeiro mundo, “onde o capitalismo é mais avançado”, quando o que vemos é que a Revolução só poderá vir com eficácia dos países em que se concentram os meios de produção e intensas relações antagônicas entre o capital e o trabalho, além de forte opressão econômica.

 

Soa ridícula a tese de que o proletariado do primeiro mundo iria se revoltar contra o capital, inclusive em solidariedade aos trabalhadores do terceiro mundo, em vez de cortar caminho associando-se a ele CONTRA os trabalhadores do sul do equador. Assim como soa risível a tese de que os europeus estão a questionar a essência do capitalismo. Talvez uma parte (não todos) dos que estão a se manifestar nas ruas. E olhe lá!

 

Tal tese, seguindo a máxima marxista em interpretação (ela de novo) equivocada, pois estática no tempo e no espaço, fez com que muitos “revolucionários” preferissem o eixo Nova Iorque-Londres-Paris-Berlim-Roma (a burguesia também adora este trecho, uma espécie de Circuito Elisabeth Arden ampliado) do que transitar entre o interior do México-América Central-Andes-Brasil-Cone Sul (ir à África ou ao Oriente Médio, então, nem pensar). A Faixa de Gaza, barreira física imposta aos Palestinos por Israel, está introjetada nesta “esquerda”, que se auto-limita - sem forças militares a impô-la, bastando o próprio conservadorismo desta gente, para descanso dos capitalistas.

 

Adoram o filme do Che jovem (Diários de Motocicleta), mas sequer compreendem que, malgrado o seu erro estratégico da luta armada foquista em regiões continentais e sem as condições políticas favoráveis, o seu processo de tomada de consciência, quando jovem, foi algo belo, verdadeiro e real, convivendo diariamente com aquela gente do povo, que aprendemos a amar, aprendendo a amá-los ainda mais, por podermos aprender com eles uma lógica simples e econômica, que os incessantes alfarrábios que lemos compulsivamente a enevoam, caso não temperemos as letras com a vida e com as pessoas.

 

Ficaram com a luta armada inconseqüente (e pagaram com o pior que podiam ter, portanto, não lhes cabe se não o meu respeito, mesmo na divergência) e largaram mão do convívio com aqueles que dizem ter de ser os protagonistas do processo revolucionário e a construção de sólida interseção no meio proletário e popular. A isso chamam de revolucionário...

 

Tem nome, mas é outro: Desvio Pequeno Burguês (dos mais puros). Querem, no fundo, dirigir aquela gente por quem dizem lutar, comandar e usufruir os louros da luta, confundindo-a com vitórias, esquecendo-se que as pessoas comuns não querem os louros da luta, mas sim a vitória para não terem mais de lutar.

 

Assim, gente boa, não adianta querer gozar com a manifestação dos outros lá da Europa e EUA que, a rigor, enquanto tiveram tudo, sequer sabiam que existia o terceiro mundo e sempre se lixaram para quem não tinha nada e lhes servia a preço de banana. E rapinaram como ninguém durante séculos, continuando até hoje. Além de terem vindo em nossos países prender, torturar, assassinar e se aliar às elites coloniais.

 

E a comunidade árabe que habita na Europa e foi mão-de-obra barata que construiu aquele colosso, coitadinhos? Bem, eles, seus filhos e netos "europeus de segunda classe" que passem a saquear os que os saquearam, invadindo suas casas, tomando suas fábricas, y otras cositas más, ou ficarão como os europeus “autóctones”, esperando o trem, só que lá atrás da fila e para viajar na terceira classe. Não me consta que entre a grande maioria da comunidade árabe na Europa ou dos “chicanos” nos EUA tenha se desenvolvido alguma fração revolucionária ou anticapitalista de peso. Portanto, não é ali que a pomba da revolução se esconde.

 

O buraco é mais embaixo! Os europeus e os estadunidenses historicamente arrogantes e imperialistas que se danem! Os árabes e “chicanos” que foram “fazer” a Europa e os EUA que sofram as agruras de suas próprias alienações, para ver se mudam! E se não mudarem, não serei eu que dispersarei minhas poucas forças para melhorar a vida no primeiro mundo.

 

De minha parte, não movo um dedo só em solidariedade, por inútil que seria, na direção daquela gente egoísta que não se reformará, pois apenas está em busca do Paraíso Perdido, ao lado de outros buscando o Paraíso que disseram que existia, mas que não foi feito para eles... Porém, atenderei ao menor sinal de pedido de apoio ou contribuição ativa para uma jornada de mobilizações com uma pauta que não poderá ser corrompida com algum Bolsa Auxílio, ou leve diástole do processo, "para europeu ver". Que me desculpem, mas, repito, não irei lutar para melhorar o nível de vida na Europa...

 

A minha luta é no Terceiro Mundo! Os capitalistas também leram Marx (e bem melhor que esta esquerda ignorante) e já tomaram as suas providências preventivas, pois sabem que "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", assim como sabem que a História é escrita dia a dia e em atos, e não nas teorias estáticas dos livros; sabem que a política não é uma ciência exata ou mecanicista, a não ser quando é vazadouro para exibicionismos intelectuais e escudo para a covardia ou arrogância.

 

“Tá caro produzir na Europa? Manda fabricar na Tailândia ou no Brasil”. “Tá precisando de energia barata para pelotizar o ferro para exportação? Faz Belo Monte". "A CSA tá sujando a Alemanha? Manda ela pro Brasil". "Tem muitos direitos trabalhistas e salários altos? Vamos mudar as indústrias para o Brasil!”. E o BNDES com dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) bombando... em inglês.

 

Enquanto isso, esta esquerda iníqua renega os indígenas bolivianos em levante permanente, o EZLN de Chiapas, no mais completo isolamento, o processo venezuelano (mesmo com todas as suas imperfeições), ignoram a oposição sindical metalúrgica de São Paulo (ninguém das estruturas da chamada política institucional governamental, ou não, enviou um só representante ou mensagem para o evento do dia 15/10 no Memorial da Resistência, onde a oposição sindical foi homenageada na frente de cerca de 500 pessoas).

 

A pseudo-esquerda prefere se espelhar nos gregos comedores de queijo, nos espanhóis que nada acrescentam, nos portugueses à míngua e nos chicletes de Wall Street. Querem fazer ao sul do equador a Revolução que Marx, Lênin, Trotsky tentaram fazer na Europa e como se só estes fossem dignos de atenção. Quem sabe também gostariam de gastar em euros? Tenham a santa paciência! 

 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e dedica este artigo à Dona Thereza Araujo, sua mãe, que bastou um mês em Portugal para entender o que (não) se passava na Europa. E a Tita Ferreira, com suas observações mais do que argutas e antecipadoras da realidade.

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Última atualização em Segunda, 07 de Novembro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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