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Sem trunfos internos, Obama apela para política externa a la Bush Imprimir E-mail
Escrito por Virgilio Arraes   
Quarta, 26 de Outubro de 2011
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O governo Obama chega ao fim do terceiro ano com a taxa de desemprego levemente acima de 9%, praticamente um ponto acima da do começo de sua administração em 20 de janeiro de 2009 - http://data.bls.gov/timeseries/LNS14000000. Após a crise de 1929, a contínua inação dos republicanos proporcionou aos democratas a possibilidade de retorno à Casa Branca, depois da perda de três eleições consecutivas.

 

Ao assumir a Casa Branca em março de 1933, Franklin Roosevelt firmou o seguinte posicionamento: a sociedade norte-americana não iria deslocar-se para nenhum dos extremos políticos, em voga em toda a Europa: portanto, nem fascismo, nem comunismo. Seu contraponto à tentação política extremista contemplaria a aplicação de um vasto programa sócio-econômico, o New Deal, por meio do qual o Estado pudesse estimular a recuperação do país.

 

Houve bastante resistência no Legislativo ao examinar os projetos de lei reformadores e dificultar sua aprovação sem emendas, e no Judiciário, ao declarar a inconstitucionalidade de parte do teor das novíssimas leis, mas a reeleição em 1936 minou a oposição dos dois poderes. De maneira involuntária, o conflito na Europa, a partir de setembro de 1939, liquidou os últimos efeitos da severa depressão por que havia passado a população estadunidense.

 

Naquela época, o governo implementou uma série de medidas com o propósito de regulamentar e fiscalizar melhor a atividade econômica, em especial a do setor de bancos, de seguros e das bolsas de valores. A datar dos anos 80, o próprio Executivo lentamente revertê-la-ia. Note-se que os próprios democratas largamente contribuíram para isso nos anos 90, ao longo da administração de Bill Clinton.

 

Caso a legislação da década de 30 ainda estivesse em vigor, a economia norte-americana não teria atravessado uma fase tão negativa nos últimos anos. A Casa Branca evitou a derrocada do setor financeiro, porém não do próprio povo. O presidente George Bush celeremente dispôs-se a providenciar socorro às instituições de investimento e às casas bancárias.

 

Desta maneira, centenas de bilhões de dólares da arca governamental destinaram-se a eles, através do Programa de Desafogo de Ativos Depreciados. Com o generoso auxílio, o setor financeiro pôde repassar ao Estado créditos desprovidos de real valor nas suas próprias áreas de atuação: os mercados.

 

Disponibilizada a ajuda, o segmento não se esqueceu de retribuir: nas campanhas eleitorais, várias instituições de modo indireto figuraram como doadoras generosas. Através da constituição de comitês políticos, única forma autorizada pela legislação, elas puderam contribuir com milhares de dólares para as candidaturas.

 

Outrossim, funcionários e acionistas puderam colaborar, ao arregimentar outros colegas de trabalho, sócios e parentes, com a finalidade de criar redes sociais para apoiar nomes independentemente do partido, desde que estes fossem defensores da tradicional pauta econômica.

 

Nelas, viabilizaram-se diversos anúncios institucionais aos eleitores, especialmente aos indecisos, nos diferentes meios de comunicação, o que incluiu a internet, e promeveram-se inúmeras festas de apoio.

 

Normalmente, as contribuições beneficiam os dois partidos. Todavia, a atual campanha de reeleição dos democratas já arrecadou quase cem milhões de dólares até o momento, ao passo que a dos republicanos menos de quarenta milhões.

 

Some-se às formas de arrecadação a ação cotidiana, exercida legalmente através dos grupos de lóbi. Ainda que seus orçamentos tenham sido contraídos desde 2009, eles são o principal mecanismo de defesa dos segmentos organizados do país. Uma das causas relacionou-se a não restringir o pagamento de bônus, estipulados em milhões e milhões de dólares, a membros das diretorias de empresas auxiliadas pelo pacote do governo.

 

Três anos depois, a administração Obama lamentavelmente abarcou na medida do possível as medidas do predecessor republicano: sem trunfos internos, ele se socorrerá na política externa, ao aludir à eliminação de Bin Laden e à de Kadafi, no combate ao terrorismo fundamentalista e na promoção da democracia no mundo muçulmano.

 

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

 

 

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Última atualização em Sexta, 25 de Novembro de 2011
 

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