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Solução ou armadilha Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Qui, 29 de Setembro de 2011
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O Ocidente acaba de fazer na ONU aquilo que sempre fez em séculos de relações com os povos árabes: trapaça.

Apresentou uma proposta que, ao mesmo tempo, salva Israel da condenação mundial, Barack Obama de perder totalmente a confiança dos árabes e os três grandes europeus (Reino Unido, França e Alemanha) de perderem face junto a seus eleitores e a governos do Oriente Médio com quem têm, ou esperam ter, bons negócios.

Só os palestinos é que saem perdendo, nesta maquiavélica urdidura do expert em tirar castanhas do fogo que é Sarkozy, Mas, vamos e venhamos, os palestinos não votam nas eleições americanas, pesam pouco nas européias (via emigrantes), não têm petróleo e nem são amigos de Rupert Murdoch, Berlusconi, Fox e outros grandes da mídia internacional...

Uma nova intifada, multidões árabes furiosas, aumento do terrorismo, passeatas de jovens nos EUA e na Europa, não são grande ameaça. Para isso, os EUA, Israel e as grandes potências européias estão equipadas com armas tão avançadas que só de ouvir sua descrição já causa pavor.

A proposta de Sarkozy foi assumida pelo quarteto ONU, EUA, Europa e Rússia, criado para solucionar o impasse palestino. Ela estabelece negociações entre as partes, com um ano de prazo para se chegar à criação do Estado palestino. Foi saudada como uma solução salomônica para o impasse que divide a ONU.

Impasse porque enquanto cerca de 180 países (entre 193) querem que a ONU reconheça a Palestina, os EUA prometem vetar no Conselho de Segurança. E com isso, suprema ironia, a posição de quase o mundo inteiro valerá menos do que a posição de um único país. Em outras palavras: a democracia, na prática, vai ser passada pra trás. Ficará para o terreno fácil da retórica.

‘Um contra o mundo’, até parece o título de um filme de um épico de Hollywood. Talvez com Charlton Heston e Vincent Price no papel de Sarkozy. O fim desse filme não deve ser dos melhores. Na certa, os palestinos, acabarão tendo de voltar pra casa de cabeça baixa e mãos vazias.

E Obama? Com que cara ficará? Não sairá mal junto a seu eleitorado e financiadores judeus. Terá argumentos fortes para enfrentar as acusações republicanas de que ele estaria traindo Israel. E para conquistar muitos votos e dólares desse segmento.

Mas, não é só de eleições que vivem os presidentes americanos (embora, para eles, costume ser o fundamental). No presente caso, o apoio à causa de Israel também terá seus lados desconfortáveis. Se acontecer, a Arábia Saudita – preciosa e petrolífera aliada - ameaça mudar para uma postura independente; o Egito e a Tunísia, onde os EUA derramam dólares para conquistar líderes democráticos, serão perdidos; a Turquia poderá aproximar-se do Irã; os líderes palestinos moderados serão superados pelos radicais; centenas, senão milhares de jovens muçulmanos, farão filas para entrar nos movimentos terroristas; a imagem americana que, em todo o mundo, está entre ruim e péssima, tenderá muito mais para segunda alternativa.

Foi para salvar o governo Obama (pelo menos parcialmente) de todas estas tragédias que Sarkozy, também para melhorar sua imagem não muito boa na própria França e no mundo muçulmano, apresentou sua proposta. Que, por tabela, beneficia Cameron, rejeitado nas últimas pesquisas junto ao povo inglês, que também se mostrava, em sua maioria, favorável (53% x 38%) ao reconhecimento do Estado palestino.

Todos os membros do quarteto de peacemakers toparam a idéia do engenhoso Sarkozy. Obama e a Comunidade Européia aplaudiram de pé. A ONU e a Rússia, pelo menos, não se opuseram.

Netanyahu, pressuroso, concordou logo. Lógico, sua política é adiar decisões o mais possível, até não haver mais territórios palestinos a serem negociados. E, como o plano Sarkozy não previa o reconhecimento obrigatório da Palestina pela ONU, se não houvesse acordos entre as partes, o sonho palestino não se realizaria nem em fins de 2012. A luta pelo reconhecimento do Estado palestino teria de ser reiniciada e rediscutida na reunião da ONU, somente em setembro de 2013, quando então ninguém sabe o que poderia acontecer. Quem sabe, outra proposta dilatória.

Abatido, sem forças, o moderado Abbas, presidente da Autoridade Palestina, cedeu. Mas, exigiu o óbvio. Para se iniciarem as negociações, nada de novos assentamentos. De fato, se a idéia era negociar a entrega à Palestina dos assentamentos judaicos em seu território, como continuar construindo mais assentamentos?

Interromper os assentamentos seria uma concessão. Pequena se considerarmos o quanto a proposta de Sarkozy era vantajosa para Israel. Mas Netanyahu disse não. Não é hábito de Israel fazer concessões, mesmo que favoráveis a seus bons amigos de Washington. É o que assegura o próprio Robert Gates, Secretário da Defesa na era Bush. Ele afirmou ao National Security Council Principals Comittee que o governo de Israel é um “aliado ingrato”, ao qual “os EUA dão tudo, sem receber nada em troca”.

E por que o fariam? Netanyahu sabe que não precisa atender aos EUA – nem um mínimo - para conseguir que os americanos façam o que Israel quiser.

No caso presente, ele não vê porque dar uma colher de chá a Obama, parando os assentamentos com o fim de viabilizar a proposta de Sarkozy, tão importante para os EUA.

 

Chova ou faça sol, Washington e seus followers europeus, de qualquer jeito, irão votar contra a Palestina. E para mostrar que seu “não” é pra valer, o governo Netanyahu acaba de autorizar a construção de mais 1.100 casas na parte árabe de Jerusalém. Protestos gerais no Ocidente por verem sua saída fechada.


Hillary Clinton considerou a ação israelense “contrária a nossos esforços para reassumir negociações diretas entre as partes”. Jay Carney, Secretário de Imprensa de Obama, disse que o governo estava “profundamente desapontado”. Para a Chefe de Política Externa da Comunidade Européia, Catherine Ashton, a decisão israelense “precisaria ser revertida”.

E a ONU, através do seu coordenador especial para o processo de paz no Oriente Médio, Robert Serry, foi enfática: “Os projetos dos assentamentos são contra a lei internacional e destroem a retomada das negociações em busca da solução dos dois Estados para o conflito”.


Por enquanto, tudo em vão: 1.100 novos assentamentos estão a caminho, com o apoio entusiástico da direita israelense, ora no poder. Alguns dos seus principais líderes, os presidentes do Likud (o partido do governo) e dos partidos Shas e Habayit Hayeudi, mais o líder da União Nacional, acham que o governo deve fazer algo mais contra os árabes do que apenas continuar assentando colonos israelenses em suas terras.

Eles mandaram uma carta apelando a Netanyahu para que imponha sanções à Autoridade Palestina por seu atrevimento em recorrer à ONU. Querem a anexação oficial de todos os assentamentos na Cisjordânia ao Estado de Israel, o aceleramento da construção de assentamentos e a proibição de qualquer construção palestina nas terras sob controle do Exército de Israel.

Netanyahu está longe de ver com maus olhos tais proposições. Não vamos esquecer que, não faz muito tempo, o premier israelense andou declarando diversas vezes que toda Samaria e Judeia (ou seja, a Cisjordânia) pertencem ao povo judeu.

No entanto, atualmente, Netanyahu parece visualizar a idéia de que, no futuro mais remoto possível, (ele ou algum sucessor) poderá admitir uma Palestina independente.

 

Claro, desenhada por mãos sionistas de extrema-direita e empurradas goela abaixo dos palestinos, então, esgotados por dezenas e dezenas de anos de lutas inglórias e artimanhas diplomáticas.
                                         
Nessa perspectiva, a proposta dilatória de Sarkozy seria perfeitamente adequada. Além do que está sendo impulsionada por pressões nervosas dos EUA e dos três grandes europeus.  Não é que elas assustem o governo de Israel, mas atendê-las certamente lhe trará prazerosas compensações.

 

Pensando assim, Netanyahu até que poderá aceitar um abrandamento da proposta original de Sarkozy. Talvez tornar a interrupção dos assentamentos praticamente inócua, excluindo os processos já iniciados, ainda que na fase de indicação das áreas a serem utilizadas. E, é claro, todos os previstos para qualquer parte de Jerusalém.

 

Não seria nada fácil convencer os árabes. Se não fosse possível, restaria a Obama & friends, usando seus vastos recursos midiáticos, espalharem pelo mundo que eles fizeram de tudo, mas nada conseguiram devido à intransigência árabe.

 

Como se vê, o desfecho do caso do reconhecimento palestino depende de muitos “ses”.

Um happy end para o pedido palestino pela ONU não está à vista. Há grandes chances de dar certo a armadilha, feita para salvar a face dos grandes do Ocidente e deixar os palestinos de mãos e esperanças vazias.

 

Claro, pode não acontecer. Basta Netanyahu reafirmar seu “não” à paralisação dos assentamentos. Ou Abbas recusar possíveis novas jogadas que o engenhoso Sarkozy, ou algum dos seus parceiros, criarem para driblar o direito dos palestinos de terem um Estado.

 

Findo o evento, a ONU, mais uma vez sairá desmoralizada. E aos palestinos, tendo as portas fechadas para suas justas reivindicações, o que lhes restará fazer?

 

O Oriente Médio em chamas é uma triste visão que não pode ser descartada.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: www.olharomundo.com.br

 

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Última atualização em Quarta, 05 de Outubro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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