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E o dólar sobe Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Passarinho   
Sexta, 23 de Setembro de 2011
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E agora o dólar sobe. Nesta quinta-feira em que escrevo, dia 22 de setembro, o dólar já andou cotado em R$ 1,96. Agora, depois de intervenções do Banco Central, vendendo dólares no mercado futuro de câmbio, algo que não ocorria desde 2009, a moeda americana está cotada em R$ 1,89, apresentando a 16ª alta nos últimos 17 pregões. Com isso, apenas no mês de setembro, o real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo em relação ao dólar.

 

O movimento de cotação de nossa moeda não foi singular. Com a piora do quadro europeu e o aumento da percepção de risco nos mercados financeiros, novamente o dólar passa a ser a opção preferencial dos especuladores, para procurar proteger as suas posições. O que chama a atenção é que no primeiro semestre, quando havia uma clara tendência de desvalorização da moeda americana em relação a todas as demais moedas, era o mesmo “real” a moeda que mais se valorizava no mundo em relação ao dólar. Em julho, por exemplo, a moeda americana chegou a ser cotada em R$ 1,53, seu menor valor desde 1999. Esse processo mostra muito bem como nos encontramos absolutamente reféns do movimento especulativo internacional, na fixação do valor do câmbio.

 

Câmbio, juros, salários são preços fundamentais para a definição, com um mínimo de previsibilidade, de qualquer estratégia de política econômica – para os Estados nacionais que se pretendam soberanos – ou de atuação empresarial, para os grupos privados. Com a taxa real de juros mais elevada do mundo, com uma moeda nacional equivalente a uma ficha de cassino ao sabor da especulação internacional, e com uma política fiscal que prioriza o pagamento de despesas financeiras - provocadas por uma política monetária controlada pelo setor bancário -, não há cálculo econômico privado ou planejamento estatal que resista. É por essa razão que – até mesmo nas mamatas representadas pelas privatizações – o capital privado somente mostra maior interesse em investir caso isenções fiscais e financiamento público generosos estejam à mesa.

 

Muitos poderão ponderar que a recente redução da taxa Selic, em meio ponto percentual, bem como medidas de tributação no mercado de câmbio começam a surtir o desejado objetivo do governo em deter o processo de valorização do real frente ao dólar. Pouco provável. O que mais vem influenciando esse recente processo de rápida desvalorização do real é o cenário externo e a posição dos especuladores e empresas estrangeiras no país frente a esse quadro.

 

Um bom indicador dessa hipótese é o movimento representado pela remessa de lucros e dividendos para o exterior. Nos últimos doze meses terminados em julho, essas remessas atingiram o montante de US$ 34,2 bilhões. Esse valor somente é inferior – para o resultado acumulado de doze meses – ao registrado em setembro de 2008 (US$ 34,95 bilhões), no auge da crise americana daquele ano.

 

Com o agravamento da crise européia, é provável que em agosto e neste setembro a pressão sobre o mercado de câmbio apenas tenha se acentuado, com o aumento das remessas de filiais aqui instaladas para as suas matrizes. É importante notar que o Brasil hoje abriga vultosos negócios de empresas de Portugal, da Espanha e da Itália, justamente países que se encontram no olho do tsunami europeu.

 

Naturalmente, as filiais aqui instaladas desses grupos estrangeiros são orientadas a antecipar o envio de lucros para as suas matrizes, com o objetivo de melhorarem os seus resultados financeiros, procurando também se beneficiarem da baixa cotação do dólar em reais, ao menos enquanto há tempo.

 

Nas remessas classificadas como decorrentes de investimento direto no país, apenas nesse ano, 2/3 das mesmas se dirigiram para a Europa, e no total acumulado nos últimos doze meses encerrados em julho, levando-se em conta o total de recursos remetidos ao exterior sob a forma de lucros e dividendos, os principais destinos foram os Países Baixos, a Espanha e os Estados Unidos.

 

Essa forte pressão das remessas de lucros tem deteriorado significativamente a conta de serviços do balanço de pagamentos. No mês de julho, o déficit anual acumulado nessa conta chegou a US$ 45 bilhões. Com esse resultado e com o saldo positivo da balança comercial nesse ano, acumulado até o mesmo mês de julho em US$ 16,1 bilhões, o déficit das transações correntes chega a US$ 28,9 bilhões. Mais uma vez, frente a esse quadro, o governo aposta em mais investimentos diretos estrangeiros no país para fecharmos nossas contas externas. Esses mesmos investimentos que irão continuar a elevar a despesa com o pagamento das remessas de lucros e dividendos e, pior, manter a trajetória da desnacionalização de inúmeros setores da economia brasileira.

 

Com o agravamento da crise internacional, portanto, um conjunto de fragilidades que hoje caracterizam a economia brasileira tenderá a se agravar. Dependendo cada vez mais da importação de peças e componentes variados para a “nossa” produção industrial, a desvalorização do real, atualmente em curso, por exemplo, também poderá implicar algum efeito inflacionário nos preços internos. Frente a um quadro dessa natureza, não há dúvidas: o Banco Central voltará a bater na tecla do samba de uma nota só e retomará a política preferencial de elevação da taxa básica de juros.

 

Nesse aspecto, talvez, a única esperança resida – por ironia – nas expectativas do próprio mercado financeiro, que ainda aposta, conforme pesquisa realizada pelo próprio Banco Central, em uma taxa de câmbio, para o final do ano, em R$ 1,65.

 

Paulo Passarinho é economista e membro do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro.

 

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Última atualização em Quarta, 28 de Setembro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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