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Obama mudou? Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 23 de Setembro de 2011
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Por fim, Barack Obama parece estar começando a realizar uma mudança. Talvez a mais importante de todas: a dele próprio.

 

Até agora ele vinha alisando a oposição republicana, evitando choques com o establishment , procurando ser “o presidente de todos os americanos”.

 

Logo no início do seu mandato, isso ficou claro quando nomeou diversos republicanos, inclusive ex-membros do governo Bush, para postos-chave, destacando-se Robert Gates, na importante Secretaria da Defesa. Alguns dos vilões que estrelaram o filme Inside Job continuaram dando as cartas na economia

 

No esforço de atrair adversários, até os homens da esquerda do Partido Democrata foram sacrificados. Nem um único cargo de peso coube a qualquer deles. Uma tática estranha para quem pretendia mudar a forma de o país ser governado. Em compensação, abriu as portas para a direita democrata, dando poder a Hillary Clinton e a outras figuras que o haviam combatido e a suas idéias na campanha.

 

Governar com tanta gente que representava o de sempre passou uma idéia de que estava em marcha uma pseudo mudança. A famosa frase de Lampedusa, no seu “O Leopardo”, vai bem aqui: ”É preciso mudar tudo para tudo permanecer como está”. E assim foi. Na verdade, bem que Obama tentou.

 

Quis convencer Nethanyau a ser flexível e admitir concessões para se conseguir acabar com o conflito eterno da Palestina. Mudança frustrada porque o primeiro-ministro israelense, de sua parte, não mudou 1 centímetro, apoiado pelos republicanos, mais os democratas de direita, a rede de comunicações do magnata Rupert Murdoch, os lobbies israelenses e das indústrias de armamentos. E Obama, no papel de grande pai da América, não quis ou teve medo de brigar. Preferiu não arregimentar seus seguidores, os 13 milhões de americanos que trabalharam e financiaram sua campanha. É certo quer isso dividiria a América. Mas uma mudança é sempre uma revolução. E revoluções raramente acontecem sem luta.

Nas demais frentes da política externa, Obama prometeu na campanha e reafirmou no histórico discurso do Cairo que os EUA buscariam promover a paz e a justiça nas relações internacionais. Mas essa mudança, chocante em comparação aos tempos de Bush, também não aconteceu.

Depois de inicialmente procurar um entendimento com o Irã, logo que Ahmadinejad andou agindo mal internamente, Obama virou um autêntico falcão, exigindo provas de que o Irã não tinha um programa militar nuclear. E usando vagos indícios de que isso acontecia para justificar repetidas sanções econômicas contra Teerã.

No Afeganistão e no Paquistão, se houve mudanças foi para pior. Os exércitos americanos adotaram raids noturnos em massa contra regiões afegãs suspeitas de esconderem talibãs. Pelo mesmo motivo, Obama decuplicou o programa iniciado por Bush de bombardeios por aviões sem pilotos das regiões fronteiriças do Paquistão. Nesses dois tipos de operações, centenas, talvez milhares de civis pacíficos acabaram  sendo mortos. Em ambas, Obama até que se preocupou em exigir medidas que protegessem ao máximo a vida dos civis. Mas não foram bem sucedidas: as baixas civis sequer diminuíram.

Algo semelhante aconteceu quando Obama tentou assegurar o respeito aos Direitos Humanos na própria pátria da Declaração de Direitos, que, no passado, inspiraram o mundo. Ele anunciou o fechamento em 1 ano da base de Guantanamo, onde suspeitos de terrorismo eram mantidos presos sem direito a advogados, submetidos a maus tratos e torturas e julgados por tribunais militares, sem as garantias do Direito americano. Novamente o Partido Republicano em peso, apoiado por parte da grande mídia e dos chefes  militares vindos do governo Bush, protestaram. Novamente o presidente cedeu. Sob a indignação dos grupos mais liberais que o apoiaram, anunciou que o fechamento de Guantanamo seria adiado sine die.

Ainda na área dos Direitos Humanos, ocorreu uma meia mudança. A idéia inicial era punir os torturadores do governo anterior. As pressões de militares e republicanos abrandaram tudo. E o governo arreglou, “vamos esquecer o passado”. Pelo menos, as torturas, inclusive o waterboarding, tão caro ao ex vice-presidente Cheney, foram proibidas, com punições para os infratores.

A Reforma da Saúde proposta por Obama sofreu uma verdadeira guerra por parte dos republicanos e até de alguns democratas. Achavam inaceitável essa intervenção do Estado na esfera privada. Obama fez concessões, resultando num acordo que impediu que o novo Sistema de Saúde fosse digno do mais poderoso e rico país do planeta.

No fim do ano passado, quando ainda havia uma maioria democrata no Congresso, Obama propôs renovação das reduções dos impostos da classe média e dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, queria suspender as isenções de impostos que Bush gentilmente havia concedido aos ricos, todos os que ganhavam mais de 250 mil dólares anuais (cerca de 34 mil reais mensais). Tudo para reduzir o déficit orçamentário e estimular o crescimento.

Fiéis ao seu mantra, mais impostos jamais, os republicanos e democratas de direita gritaram. Obama acabou contemporizando. Aceitou manter as isenções aos mais ricos para poder manter as dos mais pobres. Foi muito criticado, tanto pela esquerda quanto pelos liberais do seu partido. Achavam que Obama precisava pressionar pelas mudanças, mas, fiel a sua idéia inicial de agradar a todos, ele preferiu contemporizar.

Neste ano, agora com uma Câmara hostil, dominada pelos republicanos e sua vanguarda (ou retaguarda?), o pessoal do TeaParty, as mudanças ficaram ainda mais difíceis. No começo do mês, com o país à beira do default, que poderia arruinar a economia americana, Obama teve de encarar novamente a força da oposição.

Todos viram o que aconteceu. Os republicanos tomaram como reféns o próprio povo americano. Ou o presidente aceitava reduzir despesas sociais, renunciando ao corte das isenções de impostos dos ricos, ou a maioria republicana se negaria a aprovar a elevação do limite do endividamento americano, essencial para evitar o calote. Obama chiou, apelou ao civismo dos adversários, mostrou o quadro de destruição que eles estavam desenhando para a América, ameaçou até de, desta vez, ir até o fim. Os republicanos não se tocaram. Ficou claro que, para eles, destruir Obama era o mais importante, mesmo que ao preço de destruir a própria economia do país.

E, mais uma vez, a mudança foi para o espaço. Em troca da permissão para elevar o teto da dívida pública, Obama desistiu de cortar os benefícios de Bush aos ricos e topou reduzir despesas sociais e militares, o que traria substanciais reduções do déficit público a médio prazo.

Apesar de a população reprovar os republicanos por seu papelão no episódio, Obama não foi poupado. Ele foi considerado fraco, sem coragem de enfrentar os adversários na defesa do povo. E as pesquisas espelharam bem esse veredicto. Numa eleição, Obama perderia por 44% x 41% para Rick Perry, o mais bem votado pré-candidato republicano. E olha que Rick Perry está longe de ter uma imagem das melhores...

Era o fim do poço que se aproximava. Já que ficara mais do que claro que a política da busca do consenso e da unanimidade não dava mesmo certo na América furiosamente bipartidária, Obama teve de mudar.

Deixando de lado os apelos à união e ao bom senso, veio com um plano de redução de déficits e recuperação dos empregos de deixar qualquer republicano espumando. De cara, ao lado de leves cortes nos programas de saúde pública, Obama quer economizar 1 trilhão de dólares em despesas militares e taxar os milionários, gente com renda anual de 1 milhão de dólares, para aumentar a arrecadação do estado em mais 1,5 trilhão.

E assim Obama, ao que tudo indica, começou a virar o jogo. Para fazer isso, não tem jeito, vai enfrentar aqueles homens, aquelas empresas e aqueles lobbies que vinham dando as cartas no país. Eles não estão gostando nada do que as propostas de Obama vão significar.

De fato, os milionários terão de pagar mais impostos para custear programa de saúde pública e aumento de empregos, em benefício das classes médias e pobres. As Forças Armadas terão de sair logo do Iraque e, em breve, do Afeganistão. Projetos de desenvolvimentos de novas armas terão de ser interrompidos – atingindo os interesses do Pentágono e da indústria de armamentos.

Evidentemente, os adversários não vão assistir de braços cruzados Obama marcando gols. Vai ser barra, vencer as resistências do Congresso. Obama terá que voltar a ser o Obama da campanha eleitoral. E de reforçar-se, buscando o apoio daqueles 13 milhões que lutaram por ele, das muitas associações progressistas, de negros, latinos, feministas e, especialmente, de jovens, agora inspirados na Primavera Árabe.

Caso renasça o antigo Obama, chegará a hora de mudar também a política americana no Oriente Médio. Parar de assinar em cruz tudo o que Israel quiser. Aí as coisas ficarão pretas de verdade. Mas, sim, eu acho que Obama pode.

Este comentário é certamente muito otimista. Mas não deixa de ter seus toques de realismo, levando em conta que a mudança completa do presidente americano Obama é o que lhe resta fazer para conseguir a reeleição. Pode ser que eu esteja enganado, mas não vejo outro caminho.

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o mundo

 


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Última atualização em Sábado, 24 de Setembro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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