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Esquerda não pode mais tergiversar frente às dificuldades do atual período histórico (Valéria Nader, da Redação)
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No mês de agosto de 2011 veio à tona o esperado repique da crise econômica internacional. Como é tradição nestes momentos, reaparecem as velhas discussões. Para os setores mais progressistas, o significado e o futuro da esquerda talvez seja um dos temas que apareçam com maior ímpeto em momentos de aprofundamento da crise do capitalismo. Foi com a preocupação de discutir a esquerda no Brasil, mediante o atual cenário internacional, que a revista Caros Amigos promoveu um importante debate. De certa forma, perpassava a impressão de se estar diante de uma cena do começo dos anos 2000, um momento em que imperavam as polêmicas sobre o ‘caráter’ do governo Lula
EDITORIAL
Realidades ocultas
A reclamação dos deficientes auditivos é justa e se soma à das pessoas cegas, que reclamam instruções em braile. O que custa atender a reivindicações tão modestas? Precisamos humanizar a sociedade. Não é possível continuar massacrando pobres, negros, portadores de deficiências, brasileiros(as) não totalmente aparatados para entrar na guerra de foice das nossas relações sociais.
POLÍTICA
Por um novo padrão de política (Leo Lince)
Casos isolados que se repetem? “Malfeitos” que se resolvem com puxões de orelha, campanhas de propaganda e rearmamento moral? Nada disso. São expressões concretas da corrupção sistêmica. Um padrão estrutural de política, funcional ao sistema dominante, do qual o governo atual, assim como os anteriores, os partidos da ordem, da base aliada ou da oposição, não conseguirão jamais se afastar.
A grande oportunidade perdida (Mário Maestri)
A aceitação da solução parlamentarista por Goulart interrompeu o confronto político e social, quando o golpismo retrocedia. Em 1961, há cinqüenta anos, a leniência de João Goulart e dos segmentos sociais que representava desmobilizaram a população e abriram caminho à vitória do golpe de 1964. No poder durante vinte anos, em nome sobretudo do grande capital industrial, os militares imporiam à população perda de conquistas históricas e reformatação das instituições do país que mantém suas seqüelas fundamentais até hoje.
Nova Reforma da Previdência: trabalhadores continuarão pagando a conta (Ivan Valente)
O Correio publica o discurso proferido pelo deputado Ivan Valente na tribuna no mês de agosto, para abordar a série de reformas que estão a caminho na previdência dos servidores públicos e no INSS. As medidas favorecem a previdência privada, e a mídia, patrocinada pelos bancos, propagandeia o tempo todo a idéia da previdência falida. Um conluio poderosíssimo.
O exemplo da China (Wladimir Pomar)
Se o Brasil pretende enfrentar uma pretensa ameaça chinesa, ele terá que estabelecer regras claras para que os investimentos chineses (e também das demais nacionalidades) elevem o conteúdo nacional dos seus produtos, instalem processos industriais nas áreas de recursos naturais, direcionem sua atenção para as áreas consideradas prioritárias pelos brasileiros e estabeleçam parcerias que envolvam transferências de tecnologias.
SOCIAL
E quem souber que conte outra (Lucio Carvalho)
Experimentando o que costuma ser a regra do tratamento dispensado aos suspeitos de crimes - desde que encontrados pelas ruelas e favelas - e confundido com um criminoso comum, a prisão do médico virou rapidamente notícia local.
INTERNACIONAL
Estados Unidos: o oportunismo eleitoral dos democratas (Virgilio Arraes)
Apesar da conversão ao ideário conservador, eles beneficiam-se perante o eleitorado progressista por conta da intensidade da alteração comportamental à direita. Os neoconvertidos ao liberalismo ainda conseguem confundir muitos cidadãos, ao afirmar que políticas sociais compensatórias seriam, no curto prazo, o início de um longuíssimo caminho para modificações profundas.
Sete pontos acerca da Líbia (Domenico Losurdo)
Mussolini apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da escravidão; hoje a OTAN apresenta a sua agressão a Líbia como uma campanha pela democracia. Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade.
Reconhecimento: a cartada final dos palestinos (Luiz Eça)
Com o fracasso das últimas negociações e como já haviam renunciado à resistência armada, só restava aos palestinos uma cartada: obter para si o reconhecimento internacional de um Estado independente e viável, dentro das fronteiras de 1967. Caso o reconhecimento seja aprovado pela ONU e o governo Israel persista em combatê-lo, ficará provada sua oposição à idéia de dois Estados.
ECONOMIA
Governo busca troca da ditadura dos juros altos pela do controle dos gastos públicos (Paulo Passarinho)
A decisão do Copom foi baseada na percepção das dificuldades que a crise internacional poderá nos causar, combinada com a desaceleração da atividade econômica que – depois de cinco elevações consecutivas da taxa Selic – vários indicadores já apontam. Ninguém poderá nos garantir que o remédio de sempre, a elevação da taxa de juros, não voltará a ser usado sem a menor parcimônia.
MEIO AMBIENTE
Xingu: geopolítica e geoeconomia (Roberto Malvezzi) (Gogó)
Existe uma caixa-preta, comandada por uma espécie de máfia secreta, que efetivamente decide os rumos do país. Sabemos apenas que é um núcleo de decisões com chefes do Executivo, o empresariado nacional-transnacional e os militares.
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