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Aprendiz de feiticeiro? Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 13 de Setembro de 2011
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O discurso do presidente Obama no Congresso dos Estados Unidos, apresentando seu plano de geração de empregos para tirar o país da crise em que se debate, parecia cópia modificada da política adotada pelos chineses, sumarizada em nossos comentários da semana passada.

 

Em síntese, da mesma forma que os chineses, Obama pretende aplicar algumas centenas de bilhões de dólares em obras de infra-estrutura, recuperação de áreas atingidas por desastres naturais, construção de moradias, redução das emissões de gases poluentes, proteção ambiental e programas de proteção social.

 

O foco principal desses investimentos é a geração de empregos. Da mesma forma que propõem os chineses, esses empregos devem provir do fortalecimento das pequenas e médias empresas, nas quais se concentra a maior parte da força de trabalho industrial. Para isso, os impostos que gravam essas empresas devem ser reduzidos, e elas devem ter acesso a créditos mais favoráveis. Tudo para ampliar a produção e aumentar o número de postos de trabalho.

 

Bem vistas as coisas, o presidente americano propôs ao Congresso do país a adoção de políticas que aumentem a massa salarial total, ou o poder aquisitivo do conjunto dos trabalhadores, de modo a reativar a economia norte-americana. Ou seja, um programa que qualquer economista keynesiano aprovaria sem discussão, mesmo levando em conta os problemas estruturais da economia norte-americana.

 

Porém, diferentemente da China, e também do Brasil e de outros países que ainda devem desenvolver por muitos anos sua estrutura industrial, os Estados Unidos possuem poucas condições de retomar um novo caminho de desenvolvimento industrial. O capitalismo norte-americano chegou num estágio em que os custos de seu mercado interno não lhe permitem manter as taxas médias de lucro indispensáveis para sua reprodução ampliada.

 

Não é por outro motivo que suas corporações empresariais segmentam suas plantas industriais por inúmeros países, principalmente naqueles com infra-estrutura moderna e populações agrárias que podem fornecer força de trabalho de custo muito inferior. Portanto, é difícil supor que a política corporativa de fechar empregos nos Estados Unidos e criar empregos em outros países seja sustada ou revertida. Mesmo porque, a rigor, a sociedade norte-americana vai mal, mas suas corporações empresariais vão, em geral, muito bem.

 

Outro problema estrutural da economia norte-americana consiste na hegemonia do capital financeiro. Este se transformou numa monstruosa e incontrolada máquina de produção de dinheiro fictício e de sucção de recursos monetários. Não tem, pois, qualquer interesse em dividir com os pequenos empresários e os trabalhadores os recursos estatais que podem ser canalizados para salvá-lo da bancarrota e irrigar seus sistemas especulativos, como ocorreu em 2008.

 

Nessas condições, o plano de Obama pode apenas ser o início de um programa em que os ricos, através do Estado, garantam um padrão mínimo de vida para seus pobres, através do funcionamento de empresas que sejam intensivas em trabalho. Por isso, quem assistiu à apresentação do discurso de Obama no Congresso pode ver que, apesar das insistentes palmas da platéia frontal montada pelos democratas, a bancada republicana se manteve num silêncio ensurdecedor.

 

Os republicanos, mais do que os democratas conservadores, sabem que um programa do tipo proposto pelo presidente Obama só pode ser realizado se os ricos forem taxados fortemente, fornecendo os recursos necessários para sua implementação. Por isso, eles só aplaudiam o presidente quando ele fazia propaganda explícita do nacionalismo ianque de grande potência. Nessas condições, a batalha para a aprovação do plano presidencial provavelmente será cruenta.

 

Por outro lado, as palavras de Obama podem ter calado fundo nos trabalhadores e na classe média. Consciente ou inconsciente dos problemas estruturais existentes na sociedade norte-americana, o presidente hasteou uma bandeira de luta. Eventualmente, dependendo da ação das forças que agem sobre essa sociedade, tal bandeira pode mobilizar parcelas consideráveis da população do país e colocá-las em confronto com o sistema financeiro, as grandes corporações e suas representações políticas.

 

Se fez isso conscientemente, Obama pode estar tentando uma reforma que só terá sucesso se houver uma reestruturação do capitalismo norte-americano. Se o fez inconscientemente, ou apenas tendo em vista as eleições presidenciais de novembro de 2012, Obama pode estar criando a mesma situação do aprendiz de feiticeiro, que colocou em ação forças e fenômenos que não conseguia controlar.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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Última atualização em Sábado, 17 de Setembro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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