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Destino Estrangeiro
Escrito por Raymundo Araujo Filho   
Qui, 01 de Setembro de 2011
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Este livro sobre Preconceito, Segregação e, por que não?, auto-segregação de um povo, deve ser contextualizado justamente para libertarmos a nós mesmos e os que protagonizam esta saga descrita por Daniel de qualquer sentimento de culpa por fatos que transcendem preocupações individuais, mas que só serão resolvidos e enfrentados a partir de muitas decisões de foro íntimo e intimíssimo, quais sejam, a nossa libertação de fronteiras geográficas e econômicas, sejam elas quais forem.

Após saborearmos uma pizza na adorável companhia de nossas mulheres, fui presenteado pelo meu amigo de longa data, Daniel Chutorianscy com o seu último livro, mas com a surpreendente (para mim) solicitação de uma resenha sobre o mesmo, o que faço com prazer, mas sem saber se estou à altura desta empreitada.

Seria pretensão minha tentar tecer comentários técnicos sobre a narrativa do autor que, mesmo sem eu ser um especialista na matéria, posso perceber que é enxuta (minimalista até), árida, dura e sensível ao mesmo tempo, além de instigante na sua sucessão temática. E com amplo conteúdo, contrastando com a economia de palavras e curtos períodos. Poucos escritores brasileiros que conheço percorrem este estilo com a manutenção do ritmo e o pulsar da emoção, como vejo que conseguiu atingir Daniel.

Destino Estrangeiro, na minha leitura, não é um livro exatamente sobre judeus emigrados para estranhos (a eles) países. É um livro sobre o Preconceito. Contra os Preconceitos, seja por que ou por quem for. Por isso, requer ampla interpretação e correlações, a meu ver.

Os livros são obras abertas à interpretação do leitor, muitas vezes sobrepassando o que o próprio autor coloca nas linhas, mas deixa implícito nas entrelinhas, instigando o leitor a “mares nunca dantes navegados”.

Creio que este livro do médico, ativista político, escritor e humanista Daniel Chutorianscy poderia ser resenhado sob a ótica freudiana do mito da Grande Mãe Judia, tão forte é a presença dela em todo o livro, com a sua vigilância em prol do bem estar e calmaria para os seus. Poderia ser também comentado sob a égide do lamento de quem se acha excluído ou não inserido em ambientes e sociedades. Também alcançaria os leitores, alguma resenha que privilegiasse a análise histórica dos tempos pelos quais o livro passeia. Cada uma delas traria uma faceta da realidade descrita magistralmente pelo autor.

Mas, cidadão comum que sou, afeito a generalidades corriqueiras da vida, escolhi comentar o livro sob as experiências por mim vividas com o Povo ali descrito e seus descendentes brasileiros, portanto as três gerações que convivi esporadicamente como carioca e brasileiro, nascido portanto,  em um dos países que mais acolheu o Povo Judeu emigrado da Europa, no início do início do século passado, com “reforço” a partir da metade do século passado, por causa do nazi-fascismo.

Portanto, inicio este comentário dizendo que, quando eu era criança, não gostava muito dos garotos Judeus lá do Leblon, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, onde o que havia de mais cosmopolita no Brasil desfilava cotidianamente nas ruas do bairro, onde me criei.
Eram garotos que não se misturavam muito com a gente, só às vezes e nunca para conversas fiadas com “os das ruas”, não estudavam nas escolas públicas que freqüentávamos, não faziam festas de aniversários para seus amigos do bairro, mas sim para seus amigos que, em geral se reuniam não nos clubes do bairro, mas em clube específico da comunidade judaica. 

Ir nas casas deles para brincar, nunquinha, pois as mães deles não permitiam. E, andavam com aquela estranha “touquinha” (solidéu) que não cobria a cabeça, apenas o cocuruto, os diferenciando do resto da malta, principalmente aos sábados.

Mas, eram crianças como nosotros, que brincavam e brigavam, riam e xingavam, jogavam bola bem e outras mal, eram bonitas e feias, como nós, digamos, mais autóctones, ou menos identificadas com a “terra da qual seus avós vieram” e que, pelo que eu via, emanavam grande ascendência na vida delas, ainda naqueles dias.

Mas, desde sempre nós lá em casa já sabíamos: Meus pais não toleravam piadinhas ou críticas preconceituosas, racistas ou etnicamente xenófobas, embora o “Yankes Go Home!” se dizia muito por lá. Assim, cedo aprendi que todos são criticáveis, desde que com argumentos, mas não por preconceitos.

Mas, ao adentrar o ginásio público (fui do Colégio Estadual André Maurois, da amada Henriete Amado) comecei a conviver aos 11-12 anos com uma turma politizada e instigante, da qual participavam alguns com aqueles nomes com terminações em “y”, muitos dos quais se mostravam ativos e articulados, falando de política como gente grande.

Era justamente o ano de 1966, o da anexação dos territórios árabes do Oriente Médio por Israel de Moshe Daian e seus tanques americanófilos, nas dunas de Golan.

Ali, menino razoavelmente politizado pela convivência familiar e escolar percebi que havia Judeus que criticavam Judeus. Que havia alguma coisa a perceber. Depois entendi que aquela ordem e calmaria amorosa implementada  pela mãe imigrante do livro de Daniel, continuada pela geração de seu  filho e nora, com forte acento na questão educacional e cultural de seus filhos, frutificaram na geração seguinte, talvez em contraposição a esta “calmaria” na figura de alguns brilhantes rebeldes (os netos da primeira geração imigrada), alguns ruivos e sardentos. E, certamente já presente, esta inquietude, na geração anterior, aqui e acolá (eu mesmo conheci uma família judia que os pais diziam “somos Judeus, mas a favor dos árabes...!). A meu, ver infelizmente, vejo que a quarta geração destes imigrantes voltou-se para as lidas mais individualistas e referenciadas em sua origem, aliás, como a mesma geração de brasileiros de origem autóctone.

Dali para frente, encontrei brasileiros de origem Judaica que brilhavam seus olhos em inquietudes salvacionistas da humanidade, dentre eles o meu amigo médico e escritor Daniel Chutorianscy.

Portanto, este livro sobre Preconceito, Segregação e, por que não, Auto Segregação de um Povo, a meu ver deve ser contextualizado, justamente para libertarmos a nós mesmos e os que protagonizam esta saga descrita por Daniel, de qualquer sentimento de culpa, por fatos que transcendem preocupações individuais, mas que só serão resolvidos e enfrentados a partir de muitas decisões de foro íntimo e intimíssimo, quais sejam a nossa libertação de fronteiras geográficas e econômicas, sejam elas quais forem.

E que este livro seja lido pela comunidade judaica no Brasil e no mundo, inclusive em Israel, para que haja um movimento poderoso e irresistível que vença o reacionaríssimo Sionismo excludente e imperialista, uma ideologia travestida de religião, que impõe aos Palestinos, um gueto igual ou pior aos que os Nazistas impuseram aos Judeus e querem se diferenciar dos Árabes, como se estes leprosos fossem a serem segregados, embora sejam originados na mesma paisagem.

E que percebam, definitivamente, que o mundo não se divide em credos, mas em interesses de classes, e não se ofendendo quando criticamos o poder que têm (hoje mais ainda) a plutocracia judaico-sionista, em última análise, dona ou sócia de grande parte do complexo industrial militar e quetais, a serviço do Imperialismo estadunidense.

Sinto-me muito confortado em compartilhar de amizade com brasileiros de origem judaica, e Daniel Chutorianscy é um deles, que comungam de visão não maniqueísta e baseada na concepção histórica que as guerras nunca têm as suas causas originais nas Diásporas Religiosas. 



Sobre o autor: 

Daniel Chutorianscy é médico e escritor. Já publicou os livros: “A um passo da dor”, “Casa Gráfica Lindo Tipo”, “Atlânticos e pacíficos”, “Tamanho do mundo”.

 

Ficha:

 

Título: Destino Estrangeiro

Autor: Daniel Chutorianscy

Editora: Garamond

Ano: 2011

Edição:

Páginas: 96

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Última atualização em Sexta, 16 de Setembro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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