topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Colecionador de palavras Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Perissé   
Qui, 19 de Julho de 2007
Recomendar

 

O colecionismo figura entre as manias humanas mais interessantes. Revela nossa capacidade de fazer recortes no universo e criar microcosmos temáticos. Nesses pequenos mundos, construídos com carinho e obsessão, o colecionador se torna especialista, pesquisador contumaz, “pastor” zeloso de um rebanho de coisas e símbolos.

 

Há os que colecionam selos, moedas, cartões telefônicos, cartões postais, canetas, cardápios, conchas, gravuras, gibis, caixas de fósforos, camisetas, chaveiros, girafinhas e outros animais em miniatura — pingüins, corujinhas, rinocerontes, hipopótamos, elefantes, dinossauros, etc.

 

O colecionador típico está sempre atento, de olhos abertos, farejando oportunidades para alimentar sua paixão. Orgulha-se de ter comprado um chaveiro na África do Sul, de ter roubado um cardápio num restaurante da Itália, de ter recebido um cartão postal raríssimo da Tanzânia.

 

Não coleciono nada. Falta-me espírito de catalogador, nem meus livros estão organizados. Acumulam-se em adorável promiscuidade, sem etiquetas e pudores.

 

A palavra “colecionar” tem a ver com a palavra latina legere — ler, colher. O colecionador é leitor meticuloso, recolhe do todo múltiplo amostras especiais. E talvez por essa brecha etimológica eu possa me incluir entre os colecionadores de diferentes gostos.

 

Coleciono palavras, guardo as que me dizem algo peculiar. Na minha coleção está a palavra “escola”, que em sua história relaciona-se com a noção de tempo livre, tempo que liberta — skholê, em grego. Ir à escola é, ou deveria ser, ingressar no espaço da liberdade.

 

Déboussolé eu trouxe da França, indica aquele que está desorientado, desnorteado, não sabe o norte, não sabe onde fica o oriente, está “desbussolado”, sem bússola, perdido, desconcertado. Gosto desta palavra e a incluí em minha coleção como um alerta. A escola existe para que não haja déboussolées.

 

“Palpite”, mesmo o infeliz, é uma palavra atraente. Vem do verbo latino palpare, palpar com as mãos, tocar às cegas, mas também acariciar e afagar. A palpitação do toque e a pálpebra com seus movimentos repetidos têm a ver com o palpite. Palpitar é tocar repetidamente algo que se desconhece, tentando extrair algum indício do que ali está.

 

Guardei em minha coleção a preciosa palavra “pessoa”. Pessoa soa bem, e não à toa tem a ver com sonare, soar em latim, porque persona era a máscara de teatro pela qual passava a voz do ator, interpretando o personagem.

 

Há outras muitas palavras nesta minha coleção que, justamente por seu grande valor, não tem preço.

 

 

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.

Web Site: www.perisse.com.br

 

Para comentar este artigo, clique comente.

Recomendar
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates