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MST: apoiar o governo ou lutar pela terra? Imprimir E-mail
Escrito por Raymundo Araujo Filho   
Qui, 25 de Agosto de 2011
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Em relação à luta pela reforma agrária, há muito tempo tenho afirmado, em meus artigos e trabalhos rurais, a necessidade do que chamo de urbanização do debate sobre a reforma agrária, sugerindo a inserção dos movimentos nas cidades, onde estão 60 a70% dos brasileiros, para que se façam discussões e atos e se dê visibilidade ao que se passa no campo, alvo de massiva propaganda enganosa da mídia e do governo.

 

Esta medida simples e que está em qualquer manual de militância básica dificultaria que, entre outras traições às suas propostas eleitorais, Lulla legalizasse os transgênicos, após ter declarado que “um país com esta agricultura familiar não precisa de transgênicos”, frente a dois mil agricultores, em encontro na cidade de Francisco Beltrão (Paraná), na campanha de 2002. O AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa) do Jean Marc e outros até hoje sonegam a filmagem deste emblemático comício de campanha Lulla, em clara promiscuidade institucional entre ONGs e governo. Estes dias, o mesmo MST recebeu com “extremo carinho” a presidenta tucana DiLLma Rousseff (perece que não aprendem ou que a manipulação é grande).

 

Mês passado a Secretaria de Agricultura da Bahia foi “ocupada” pelo MST. Após o governador ter doado 600kg de carne de segunda para alimentar o pessoal, a direção do MST reuniu-se com ele e declarou-se “satisfeita com as proposições do governador Jaques Wagner (Love).

 

Estimo que comecem a fazer o que tinham de estar fazendo, há muito. Na época que eu lançava esta necessidade, diziam que era muito arriscado “pois podia resvalar no Lulla-lá”...

 

Mas, algo está mal colocado nestas jornadas. Em seu comunicado o MST e demais entidades realmente colocam as principais reivindicações, praticamente um programa de governo.

 

Porém, fazer política exige as propostas e também o principal, qual seja, POSICIONAMENTO POLÍTICO. Sem isso, e com muita independência, nada se consegue.

 

Recentemente um companheiro, lutador pela reforma agrária, foi ameaçado de morte, pois denunciou uma falcatrua envolvendo o MST, o MDA e a Universidade Metodista em relação a jovens que NÃO são filhos de agricultores no PRONERA. A direção do MST calou-se. Mas terá de se pronunciar sobre a falcatrua por ação movida no Ministério Público.

 

Assim, o MST tem perseguido e excluído todos aqueles que fazem oposição política a este governo entreguista, pois o movimento se relaciona de forma promíscua com o governo, desde o tempo de Lulla.

 

A pergunta que faço é: o que vai fazer o MST nas cidades? Vai divulgar o seu programa em cima de qual ação política? Será que eles acreditam que o mero proselitismo programático vai fazer a cabeça de alguém? Ou que a iniciativa vai impressionar os agentes dos governos, muitos sendo chamados de “companheiros”?

 

Ou será que vai para as praças passar o filme O Veneno em sua mesa? Neste, o documentarista Silvio Tendler e o tal Fórum Contra os Venenos tentam nos convencer que o governo é vítima da Monsanto, no qual não há uma só crítica aos governos Lulla e DiLLma, ao contrário, dando a impressão que a ANVISA luta contra os venenos, quando o que se passa é o contrário, pois é parte do governo. O documentarista ainda diz em entrevista que “o governo DiLLma está muito no começo, para podermos criticar ou responsabilizar pelo que esta aí”, repetindo uma lengalenga. O Veneno em Sua Mesa e o adesismo na cabeça.

 

Se for para falar de política, sem falar dos políticos, podem ficar aí pelo campo, pois será inútil. Se vierem para divulgar a versão de que o governo é vítima, estou fora! Se for para iniciar a escalada para tornar a eleição de Lulla como “a salvação da lavoura” daqui a três anos, após “o mal necessário DiLLma Rousseff”, também estou fora.

 

Assim, o MST não tem saída. Ou vai responder a estas perguntas ou ficará exposto ao ridículo de viajar quilômetros para fazer o papel de “oposição a favor”.

 

Desta maneira, estimo que os companheiros do MST, MAB, quilombolas e todos os movimentos que verdadeiramente almejam algo mais do que a adesão a governos e acordos pontuais se convençam de que nada conseguirão sem ir para a oposição, romper os vínculos com partidos (o PT tem 90% de adesões no MST), exonerar militantes dos movimentos de quaisquer governos, declarar ABSTENCIONISMO ELEITORAL já para o ano que vem e prometer a ocupação dos espaços urbanos DE FORMA PERMANENTE, usando todas as formas possíveis de ganho de visibilidade positiva na sociedade.

 

Sugiro que se parta para a ocupação de praças com pequenos plantios orgânicos e criações de pequenos animais, mudando o cenário urbano em ação planejada e respaldada. O slogan poderia ser algo do tipo “Se o governo não faz no campo, nós fazemos na cidade”. A radicalização deste processo poderia ser o MST trazendo TODOS os acampados para as cidades, a fim de radicalizarem na prática o que acontece quando não respaldamos a presença das pessoas no campo. “Não fez a Reforma Agrária, nós ocupamos as cidades”!

 

Fica aí o meu programa para o MST. Vir para a cidade com o cartaz “Nós votamos em DiLLma” não carece. Podem ficar nas beiras das estradas!

 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e detesta fingimentos e mistificações, principalmente na política.

 

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