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Análise de discurso do setor de petróleo Imprimir E-mail
Escrito por Paulo Metri   
Quarta, 17 de Agosto de 2011
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A análise de discurso, relacionada com a lingüística, identifica construções ideológicas presentes em textos e pode, dentre outras utilidades, se transformar em uma arma do cidadão para se defender da manipulação de poderosos. Seria utilizada para analisar textos da mídia e de políticos, buscando encontrar interesses que os conformam e um melhor entendimento das forças políticas que nos cercam.

 

Na maioria das vezes, um órgão ou um indivíduo faz um discurso inconsistente porque quer enganar o público, buscando usufruir, com isto, de algum benefício. A pessoa enganada não acataria a imposição a que a estão induzindo a aceitar se fosse informada corretamente. Para poder convencer, a mentira e o cerceamento de informações exatas são praticados livremente. Enfim, a análise de discurso verifica o nexo de afirmações e propostas existentes em um texto e busca identificar os reais princípios nos quais ele se baseia.

 

Dentre os inúmeros materiais de trabalho para a análise de discurso, estão os atos falhos, as faltas de coerência do discurso em diferentes épocas, além das incoerências lógicas deste. Desta forma, alguns políticos podem ser desnudados e em alguns casos são descobertos facilmente por total desinteresse em se esconder. Quanto maior o menosprezo pela opinião pública, maior o desleixo nas ações de subterfúgio.

 

Como complemento a tudo isso, faz bastante sentido buscar-se, após a identificação da peça de teatro que está sendo representada com objetivos não verdadeiros, as reais razões que estão justificando as dissimulações. É imperioso deixar a população informada de tudo, para ela poder entender o mundo de falsidades e procurar se precaver com relação ao futuro.

 

O ministro das Minas e Energia (MME), senhor Edison Lobão, disse, logo após a descoberta do pré-sal pela Petrobrás, que a recém-descoberta reserva não poderia ser entregue a esta empresa para produzi-la “porque ela não pertencia mais ao Estado, por ter cerca de 60% de seu capital em mãos privadas”.

 

Para um leigo, o ministro estava dizendo que, se a riqueza do pré-sal fosse entregue à Petrobrás, uma parte desta riqueza, especificamente 60% dela, iria ser entregue graciosamente para grupos privados. Este é um raciocínio errado, mas que faz sentido para o leigo. Contudo, sabe-se que os controladores de qualquer empresa entregam, para o conjunto dos acionistas, dividendos, bonificações e direitos de subscrição, e nunca entregam uma parcela do patrimônio, proporcional à participação do acionista no capital.

 

Portanto, o que o ministro disse de forma imprecisa resultou em repulsa por parte da sociedade da tese da entrega direta do pré-sal para a Petrobrás. Desta forma, foi descartada, sem maior análise, a mais atrativa alternativa para a sociedade brasileira, que acarretaria maiores compras e desenvolvimentos tecnológicos locais, faria restar maior parcela do lucro aqui para ativar nossa economia e permitiria ao Estado brasileiro realizar negociações estratégicas na comercialização do petróleo.

 

Recentemente, o diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), senhor Haroldo Lima, na ansiedade de ver confirmada pela presidente Dilma a 11a rodada de leilões de áreas do território nacional para exploração de petróleo, declarou que não sabia o por que de a presidente estar demorando a aprovar o edital desta rodada. Deu a entender, durante uma entrevista à agência Reuters, que a presidente não precisaria conferir o edital e outros documentos relativos à rodada. Este fato, motivado pela angústia pela qual passa o diretor geral, consistiu em um vazamento de seus pensamentos mais íntimos, que nunca seriam ditos, em momentos sem estresse, quando atua o bloqueio da racionalidade. O desbloqueio foi tanto que ele chegou a ponto de ser ligeiramente indelicado com a presidente.

 

Deste fato, podem ser retiradas duas conclusões. A primeira é que o diretor geral da ANP tem pressa, sem deixar a mínima dúvida, em realizar a 11a rodada de leilões, além de querer realizar várias outras rodadas. A segunda conclusão é que a presidente Dilma não tem pressa e, talvez, até relute com relação à atratividade de novas rodadas pela lei das concessões (no 9.478). A análise de discurso pode ajudar à presidente Dilma, se ela está com dúvida. Para tal, é preciso responder à pergunta que brota na cabeça de todos: quem se beneficia com a pressa desmedida?

 

Os maiores beneficiários são as empresas de petróleo estrangeiras, pois elas não têm grandes reservas que abasteçam, durante muito tempo, seus parques de refino, que estão em seus países de origem. Elas têm certeza que o preço do barril irá subir muito nos próximos anos e, assim, querem se livrar de ter de comprar petróleo no mercado no futuro, o que comprometeria a lucratividade. Portanto, precisam desesperadamente firmar contratos hoje, com países produtores, por coincidência todos do mundo em desenvolvimento, que lhes dêem a possibilidade de encontrar reservas.

 

Por outro lado, o único e grande perdedor graças à pressa desmedida é a sociedade brasileira. Primeiramente, não há razão para se ter pressa. Nossa sociedade já tinha a garantia que a necessidade de seus próximos 17 anos seria suprida com as reservas da Petrobrás antes da descoberta do pré-sal. Notar que, na hora de se verificar a garantia de suprimento interno, o petróleo brasileiro entregue a empresas privadas não pode ser considerado como necessariamente direcionado ao país, pois a lei vigente e o contrato não obrigam.

 

Além disso, a pressa significa, quando a Petrobrás não consegue arrematar a área, as perdas já citadas, quais sejam, menos compras e desenvolvimentos tecnológicos no país, menos permanência de lucro para ativar nossa economia e menos petróleo na posse do Estado para servir como elemento de barganha em negociações internacionais. Contudo, o ato mais criminoso de todos que os dissimuladores estão escondendo do povo é que o acúmulo de rodadas em relativamente pequeno espaço de tempo visa exaurir a capacidade do Brasil de explorar sua riqueza soberanamente. Pretende-se atingir o máximo da capacidade financeira e gerencial da Petrobrás, para, a partir daí, áreas do nosso território ficarem à disposição das empresas estrangeiras.

 

No trajeto alternativo da economia brasileira, caracterizado por muitas áreas do nosso território estarem com empresas estrangeiras que as arremataram, a sociedade pode esquecer a utilização do setor do petróleo como alavanca para uma boa fase do desenvolvimento nacional. O que acontecerá será a expansão da fase do Brasil exportador de commodities, inclusive com alta exportação de petróleo por empresas estrangeiras e altas importações de equipamentos para este setor, e com o parque industrial e o estágio tecnológico estagnados em níveis baixos.

 

Por tudo que foi exposto, as rodadas de leilões pela lei no 9.478 precisam ser banidas em definitivo, o pré-sal deve ser entregue à Petrobrás, atendendo ao artigo 12 da nova lei (no 12.351), em velocidade tal que induza ao máximo os desenvolvimentos fabril e tecnológico, e que se abasteça bastante o Fundo Social.

 

Paulo Metri é conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros.

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Última atualização em Sábado, 20 de Agosto de 2011
 

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