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Os brasileiros e a união civil de homossexuais Imprimir E-mail
Escrito por Francisco Bicudo   
Sábado, 13 de Agosto de 2011
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Para contribuir com um debate fundamental e urgente, arrisco breves linhas e um olhar reflexivo (mais questões que respostas) sobre a pesquisa feita pelo Ibope Inteligência que entrevistou duas mil pessoas e foi divulgada nesta quinta-feira pelo jornal “O Estado de São Paulo”, revelando que 55% da população brasileira é contrária à união civil entre homossexuais.

 

Primeiro: certamente a superação do preconceito exige de todos, nos mais distintos espaços públicos, esforço cotidiano para garantir o acesso amplo e plural à informação e o exercício de formação crítica, fazendo valer a pedagogia da esperança de Paulo Freire, aquela que é dialética (contradições e conflitos) e dialógica (via de mão dupla) e que, como dizia o educador, se contrapõe à “instrumentalização tecnicista e bancária”.

 

Educação é certamente uma variável importante. Mas será que é adequado e sensato reduzir os resultados da pesquisa à equação (que me parece rasa) “falta de educação = recusa maior à união civil”, como podem sugerir à primeira vista os números do levantamento (68% dos que têm até o quarto ano dizem “não” à união entre pessoas do mesmo sexo, enquanto no segmento ensino superior esse percentual cai para 40%)? Sim, a distância é grande.

 

Porém, não é também extremamente elevado o índice de recusa entre aqueles que têm pelo menos a graduação, muitos dos quais passaram por tantos outros cursos, intercâmbios, especializações, mestrados, doutorados e, ainda assim, com todo esse repertório e sofisticado percurso educacional, mantêm-se firmes em suas visões conservadoras de sociedade? Notem, estamos falando de 40% deste grupo “iluminado e esclarecido”, quase metade dos que são vistos como “formadores de opinião”. Um exagero preocupante, não? Como explicar essa relação? Como fica, nesse caso, a equação citada acima? A pensar.

 

Segundo: chamam a atenção os resultados revelados quando consideramos a variável religião. Entre os ateus e agnósticos, 51% aceitam a união civil, mas 49% a recusam – um quase empate. Ou seja, o que fica sugerido é que cai por terra o argumento muitas vezes usado neste debate (e em tantos outros) que associa o não seguir uma religião a uma visão mais elevada e progressista de sociedade.

 

Em relação ao tema, quem não crê parece ser tão conservador quanto os que professam e seguem crenças religiosas, sem diferenças significativas. Ainda olhando para esta variável, protestantes e evangélicos são os mais avessos à união civil – 77% deles não a aceitam. Para refletir: o que estaria acontecendo nos templos neopentecostais? Qual a influência dos meios de comunicação de que são proprietários nesta fotografia? Que relações estabelecer entre o avanço sólido e acelerado dos movimentos evangélicos no Brasil e a consolidação de uma cultura de viés conservador?

 

Parece razoável sugerir que este resultado tão impactante de alguma maneira possa ser compreendido como um dos reflexos nefastos de vociferações promovidas por pastores como o truculento e nada tolerante Silas Malafaia, que não se cansa de tratar a homossexualidade como doença, como castigo do demônio, como algo a ser perseguido e punido. Obviamente que esse discurso indigente pautado por atrocidades e bobagens encontra ressonância e é amplificado no tecido social – e precisa ser fortemente combatido. O que não significa limitar o debate a uma também reducionista sentença matemática “evangélicos = intolerantes”.

 

Há vários tons de cor cinza entre o preto e o branco. Rótulos são perigosos – e tendem a consagrar injustiças. Confesso que gostaria agora de ver analistas se debruçando sobre a pesquisa e cruzando os dados de forma complexa: grau de escolaridade + religiões + classes sociais + apoio ou recusa à união civil. O que pode sair dessa costura? Uma pista importante, dada pelo sociólogo Rudá Ricci em entrevista publicada no final do ano passado pelo site do Sindicato dos Professores de São Paulo e que se refere à ascensão das novas classes médias:

 

“Essa população tem letramento, tem acesso à informação. Não lê, é verdade, mas sabe o que está acontecendo e escolhe seus candidatos de forma bem egocêntrica. São famílias egocêntricas. Por exemplo, vão à igreja para conseguir o sucesso, por isso fazem muitas novenas e promessas. A religião é usada como uma estratégia de garantia e de estratégia da família”. Vale também pensar a respeito. E antes que perguntem: sou ateu, convicto e tolerante. E absolutamente favorável à união civil de homossexuais.

 

Terceiro: a sensibilidade feminina parece aqui também dizer “presente” de maneira muito mais efusiva: 52% das mulheres apóiam a união civil. Entre os homens, esse percentual despenca para 37% - um sinal também claro do machismo patriarcal fundador de nossa sociedade e elemento ainda forte, infelizmente, da identidade nacional.

 

Quarto: a boa notícia parece ser a posição favorável representativa dos jovens à união – entre a faixa etária de 16 a 24 anos, o apoio chega a 60%. Há luz no fim do túnel.

 

Quinto e último, um de meus mantras prediletos: vitórias eleitorais não estão diretamente associadas à construção de hegemonia de valores. No plano federal, lá se vão oito anos de governo Lula e mais oito meses de administração Dilma Rousseff, gestões de continuidade e eleitas com forte empenho e participação das forças progressistas e de esquerda do país. Mas que foram (e são) também governos que recuaram em iniciativas cruciais quando consideramos as lutas históricas dos grupos homossexuais.

 

A pouca disposição para fazer aprovar o projeto de lei que criminaliza a homofobia, durante o governo Lula, que acabou resultando no arquivamento da proposta, e o cancelamento da distribuição dos kits anti-homofobia produzidos pelo Ministério da Educação em escolas públicas, já sob a batuta de Dilma, são dois exemplos gritantes de derrotas progressistas – que as forças obscurantistas obviamente comemoraram e das quais souberam tirar proveito. Até porque, ensina a Física: espaço que é deixado vazio acaba sendo ocupado. Nem sempre da maneira mais desejável. E, às vezes, é tarde demais. 



Eis minha impressão - e a discussão que sugiro: os valores conservadores se esparramam pelo tecido social, com intensidades distintas, obviamente, mas independentemente de escolaridade, religiões, classe social... Há uma onda conservadora também em curso no Brasil.  

 

Francisco Bicudo é jornalista e professor de Comunicação na Universidade Anhembi Morumbi. 

Blog: http://www.oblogdochico.blogspot.com/ 

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