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As rebeliões que estão ocorrendo no Oriente Médio, África e Europa indicam que o neoliberalismo está chegando numa situação limite. Cansadas da exploração que vêm sofrendo, há duas décadas, elas resolveram agir com violência.
Não há elementos para saber se chegarão ao nosso país. Mas, sem dúvida, estamos diante de uma possibilidade concreta. Após vinte anos de refluxo da pressão popular, quem sabe o exemplo dos povos revoltados tenha alguma influência no ânimo das nossas massas populares.
O acontecimento das rebeliões precisa ser analisado sob dois ângulos: por um lado, é bastante positivo, pois estimula o despertar das massas populares do sonambulismo que as tornou inertes; por outro lado, implica no risco de que a burguesia, alertada e temerosa, resolva agir preventivamente e restrinja ainda mais essa democracia restrita que temos.
Por isso, a esquerda precisa estar atenta e acompanhar pari passu a evolução desses processos. Para tal, precisa estar em contato permanente com a massa, pois só assim conseguirá captar, em tempo oportuno, sua disposição de luta.
Ao que parece, os processos são espontâneos e não respondem a nenhuma consigna partidária.
Assim, é importante que os partidos de esquerda, hoje perdidos num esforço eleitoreiro desgastante, apenas para conquistar migalhas do poder burguês, mudem de discurso e de conduta.
De outro modo, serão fatalmente atropelados.
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