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A tragédia da fome e os números do governo Imprimir E-mail
Escrito por Aldo Santos   
Terça, 19 de Julho de 2011
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Por mais que o governo brasileiro tente maquiar os dados da miséria social e econômica existente no país, os números apresentados por ele mesmo não deixam a menor dúvida da tragédia social em que está mergulhada a classe trabalhadora brasileira.

 

Nesses 511 anos de invasão do nosso território, a classe detentora do poder tentou de todas as formas calar, submeter e exterminar os índios, negros e operários como forma de sufocar o grito de dor e morte precoce, decorrente da fome que campeia nosso rico país, pobre, porém, na distribuição dos bens e riquezas produzidas pela classe trabalhadora historicamente saqueada e escravizada pelos governos e patrões.

 

Na Colonização, no Império e agora na República o modelo econômico capitalista impresso através dos dados estatísticos, mais do que números, cifras e cálculos, expressam a fisionomia de um povo cansado de ser explorado, extorquido e vendido no lucrativo balcão de negócios em períodos eleitorais, que ocorrem a cada dois anos, na ciranda do vale-tudo pela manutenção do poder burguês.

 

O artigo de Maurício Savarese sintetiza os dados revelados pelos órgãos governamentais, assim como os dados que dão sustentação às políticas governamentais e afirma que "...no Brasil existem 16,2 milhões de pessoas na extrema pobreza, uma população equivalente a população do terceiro maior estado brasileiro, o Rio de Janeiro..."

 

O Ministério do Desenvolvimento Social estabeleceu o valor de R$ 70,00 (setenta reais) per capita mensal para definir a população brasileira carente. O Plano "Brasil Sem Miséria" da presidenta Dilma terá como base os dados do censo 2010.

 

"Essa é a população mais vulnerável e, mesmo assim, os serviços públicos não estão chegando. Queremos que os serviços que já existem sirvam a essa população", disse Campello, ao lado dos presidentes do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Márcio Pochmann, e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Eduardo Nunes. "Pretendemos ir a essa população, não fazer um chamamento e dizer que os equipamentos do Estado estão lá."

 

Para os menos esclarecidos e, para os marqueteiros políticos, a campanha de Dilma fará, mais uma vez, o grande milagre da "partilha equilibrada". Na extrema miséria dará auxílio paliativo que não resolve nem ataca os reais problemas econômicos brasileiros e, na outra ponta, favorecerá os capitalistas, socorrendo bancos e empresários com o dinheiro público sacado do trabalho e suor da classe trabalhadora. O tripé dos governos Getúlio, Lula e Dilma (pais dos pobres e literalmente mãe dos ricos) perpetua e institucionaliza a miséria, usando, ainda por cima, do marketing eleitoral para posar de defensores e aliados dos pobres e oprimidos.

 

Num outro artigo de Marcos Mendes, intitulado "Até quando o governo vai continuar expropriando o povo?”, Ele transcreve dados da auditoria cidadã da dívida-2010 (estudo realizado pelo mandato do deputado federal Ivan Valente, do Psol), que vão à raiz dos problemas e desvendam a relação nos governos de FHC e Lula, apontando que o país está comprometido e afundado em dívidas impagáveis, ao longo dos vários governos que os antecederam:

 

"Quando FHC assumiu em janeiro de 1995, a dívida interna era de R$ 62 bilhões, e quando deixou o governo, em dezembro de 2002, esta alcançava R$ 687 bilhões. A dívida externa era de US$ 143 bilhões em janeiro de 1995 e US$ 211 bilhões quando terminou seu mandato em dezembro de 2002. Durante os oito anos de FHC foram pagos R$ 2,079 trilhões a título de juros, amortizações e rolagem da dívida (Auditoria Cidadã da Dívida – 2010). Isso tudo, apesar das privatizações de nossas estatais estratégicas e lucrativas!

 

Lula assumiu o governo em janeiro de 2003. A dívida interna estava em R$ 687 bilhões e a externa em US$ 211 bilhões. Ao final de seu mandato, a interna alcançava R$ 2 TRILHÕES e 241 BILHÕES, e a externa US$ 357 bilhões. Durante seus oito anos de mandato, Lula pagou R$ 4,763 trilhões a título de juros, amortizações e rolagem da dívida (Auditoria Cidadã da Dívida - 2010). E as privatizações continuaram, especialmente por meio dos leilões das jazidas de petróleo.

 

Como se vê, Lula pagou muito mais que FHC e deu um golpe de mestre ao quitar a parcela com o FMI de US$ 15,5 bilhões, o que lhe rendeu enormes frutos políticos e confundiu a cabeça dos brasileiros, que pensam que a dívida brasileira teria sido paga, embora quase a metade do orçamento federal (44,93, cerca de R$ 635 bilhões), esteja sendo destinada ao pagamento de juros, amortizações e rolagem da dívida. Isso enquanto se investe 2,89% em Educação, 3,91% em Saúde, 0,6% em Segurança Pública, 0,04% em Saneamento, 0,00% em Habitação, 0,06% em Cultura, 0,38% em Ciência e Tecnologia, 0,16% em Organização Agrária, entre outras (Auditoria Cidadã da Dívida - 2010)."

 

O governo brasileiro, mesmo tentando mascarar e esquivar-se da macroeconomia e da crise mundial, a exemplo do assalto às conquistas dos trabalhadores da Grécia, Portugal e outros países europeus, não conseguirá deter a marcha da crise que avança a largos passos.

 

Nesse contexto, por mais "caridosa e justa" que seja a campanha para amenizar o sofrimento dos famélicos brasileiros, essa é mais uma saída eleitoreira, paliativa e transitória, na qual o povo está percebendo a não agregação de valor permanente e de capitalização efetiva na resolutividade dos problemas por eles enfrentados.

 

Felizmente a máscara e a ilusão de muitos com o governo Lula e agora Dilma estão caindo mais rápido do que se pensava. Além da perversa concentração de renda, terras e riquezas, o símbolo desse governo tem sido o imobilismo e a corrupção, como vem ocorrendo com a queda de dois ministros em um curto tempo de "desgoverno".

 

Não obstante esses relatos e constatações, se faz necessária uma reação efetiva e a unidade a sério da esquerda conseqüente, através do movimento sindical, estudantil, popular e partidário, para que possamos enfrentar essa tragédia social em que o país está literalmente mergulhado, tendo por base um programa de ação capaz de dialogar e apontar os caminhos para libertar a classe trabalhadora do massacre capitalista e marcharmos coesos rumo a uma sociedade verdadeiramente solidária, efetivamente socialista e autenticamente humana.

 

Revolucionar é preciso!

 

Aldo Santos é coordenador da APEOESP-SBC, presidente da Associação dos professores de filosofia e filósofos do Estado de São Paulo, membro do Coletivo Nacional de Filosofia e da Executiva Nacional do PSol.

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