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Política industrial interessa aos trabalhadores? Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Sexta, 15 de Julho de 2011
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Os trabalhadores estão preparando um Dia Nacional de Mobilização. Sua pauta compreende um novo modelo de desenvolvimento, que tenha a educação como eixo. Eles também reivindicam alimentação melhor e mais barata, com eixo na reforma agrária, combate ao trabalho escravo no campo e fortalecimento da agricultura familiar, para evitar que o país continue sendo apenas exportador de commodities. E demandam o fim do imposto sindical, mais e melhores empregos e trabalho decente.

 

Boas vindas aos trabalhadores! Na intensa e surda disputa de classes da sociedade brasileira, eles são atores fundamentais e, sem suas mobilizações e suas lutas, será impossível avançar nas reformas e nas políticas democráticas e populares, nos diversos terrenos em que tais reformas e políticas são discutidas. Ou seja, além dos governos, parlamentos, tribunais e outras instituições, é fundamental que as ruas também as discutam e se façam ouvir.

 

O que inclui a discussão em torno de uma nova política industrial, conforme reivindicada pelo presidente da CUT. Discussão que é chave para o desenvolvimento como um todo, já que não é possível atacar os problemas sociais relacionados com educação, saúde, moradia, saneamento, recuperação e proteção ambiental se não houver recursos suficientes para isso. E a industrialização demonstrou ser a única forma histórica com capacidade de gerar recursos em volume suficiente para tratar desse conjunto de problemas sociais.

 

Sem indústria forte e diversificada é ilusão supor que se pode superar a condição do Brasil como país que só possui commodities agrícolas para exportar. Ou achar que se possa delinear um desenvolvimento que garanta a soberania nacional e que possa, no processo de disputa com o capitalismo, tornar-se socialmente justo, ambientalmente sustentável e voltado aos interesses populares.

 

Os trabalhadores podem dar uma contribuição inestimável nessa discussão, porque sabem que não pode existir uma classe trabalhadora forte sem indústrias. A coluna vertebral da classe trabalhadora são os operários industriais. Além disso, não existe desenvolvimento sem a construção de uma base industrial poderosa, tecnologicamente avançada, de alta produtividade, cuja produção de riqueza permita uma distribuição ampla da renda.

 

É lógico que a distribuição da renda, no modo de produção capitalista, não ocorre automaticamente. Se depender dos donos dos meios de produção, em sua busca pelo lucro máximo, a parte da riqueza gerada distribuída aos trabalhadores, via salário e outras formas, será a mínima possível, inclusive apelando para formas de trabalho aparentadas com o escravismo. Portanto, para que essa distribuição iníqua não ocorra, os trabalhadores são levados a lutar, podendo ou não contar com o auxílio do Estado.

 

Portanto, na atual discussão sobre desenvolvimento será preciso distinguir, de início, a existência de dois processos, relativamente paralelos e articulados. Um é o processo de geração de riqueza, cuja locomotiva é o desenvolvimento industrial. Este necessita de políticas claras de construção de uma infra-estrutura moderna e de instalação de plantas de fabricação dos setores produtivos estratégicos. Outro é o processo de distribuição da riqueza, cujos ramos principais são a poupança para a reprodução ampliada do processo produtivo, os salários, a educação, a saúde e as demais demandas sociais.

 

Portanto, como na velha disputa sobre a precedência do ovo e da galinha, é o ovo da geração de riqueza ou do desenvolvimento econômico que precede e garante a distribuição da riqueza, ou da renda. É evidente que educação, saúde, moradia e outras condições sociais são fundamentais para a elevação do processo de geração de riqueza a níveis sempre crescentes. No entanto, sem a famosa acumulação primitiva da riqueza, a distribuição não passará de sonho.

 

Paralelamente, a discussão sobre o desenvolvimento também deveria incluir a questão do modo de realizá-la. Tal questão, em geral, aparece mascarada sob a retórica do social e ambientalmente justo, e de acordo com os interesses populares. Seria melhor que ela fosse discutida abertamente em torno da possibilidade ou não do modo capitalista de produção poder realizar ou não tal desenvolvimento, ou da necessidade de sua substituição por um modo socialista de produção.

 

Para início de conversa, em ambos os casos é muito difícil realizar um desenvolvimento social e ambientalmente justo e totalmente de acordo com os interesses populares. E gerar utopias a respeito pode ser trágico, como a história já demonstrou. Mas esse é um problema que demanda muito mais espaço do que seria plausível neste artigo. Portanto, voltaremos a ele no próximo.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Sábado, 16 de Julho de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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