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OTAN em apuros Imprimir E-mail
Escrito por Manuel Domingos Neto   
Terça, 12 de Julho de 2011
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Só o desespero diante da crise levaria os dirigentes europeus a calcular tão mal a intervenção na Líbia. Animados pela degringolada das ditaduras árabes e contando com o desgaste de Kadafi, montaram uma justificativa inconvincente de socorro “humanitário”, incentivaram deserções no governo líbio e congelaram os cem bilhões de dólares de reservas do país. Apostando num Conselho Nacional de Transição composto por insurretos nada confiáveis, passaram a alimentá-lo com dinheiro e armas. Estimulados pelo sucesso de Obama, que executou Osama Bin Laden ao arrepio das leis internacionais, tentaram assassinar Kadafi, logrando “apenas” atingir seus familiares.

          

Decorridos três meses da cínica decretação de “zona de exclusão aérea” e arguindo o falacioso recurso jurídico dito “responsabilidade de proteger” montado pela ONU para intervir no Kosovo, a OTAN prorroga a intervenção até final de setembro, coleciona fiascos operacionais e, sobretudo, alimenta desconfianças em relação ao futuro da Europa. Os estrategistas erraram feio sobre a capacidade de resistência de Kadafi, desconheceram sua popularidade entre os islâmicos africanos e calcularam mal as próprias forças. Hoje tremem frente à divisão da Líbia, cuja unidade, bem ou mal, estava sendo construída pelo ditador. Com a Cirenaica nas mãos de fundamentalistas, as remotas promessas de unidade nacional desaparecem.

          

Nas contas da ONU, o conflito já contabiliza entre 10 a 15 mil mortos e quase um milhão de pessoas em fuga, num país com pouco mais de 6 milhões de habitantes. A ajuda “humanitária” europeia destrói literalmente a infra-estrutura da Líbia. Apesar dos bombardeios e do congelamento de seus recursos financeiros, Kadafi resiste e fustiga a área controlada pelos insurretos. O FMI estima que o ditador dispõe de 148 toneladas de ouro em forma de lingotes.

 

Enquanto isso, o almirante Woodward, comandante da frota que expulsou os argentinos das Malvinas, escancara a atual fragilidade da Royal Navy, desprovida de porta-avião operacional, indispensável para ações de algum porte. Dado o aperto orçamentário, o único porta-aviões britânico disponível, com seus caças Harrier, não sai de sua base desde 2010. O almirante Stanhope, comandante da marinha britânica, diz que mal conseguiria defender o Canal da Mancha. Já o chefe do Estado-Maior da marinha francesa, almirante Forrisier, aponta a “falta de recursos humanos” e declara que o porta-aviões Charles de Gaulle deve ser recolhido para manutenção sob pena de não operar em 2012. A França despende 1,2 milhão de euros por dia na tentativa de assassinar Kadafi enquanto Sarkozy determina cortes nos gastos sociais. Por seu turno, os italianos não reconhecem em Berlusconi um dirigente para conduzir ações guerreiras.

 

Acossado pela fuga em massa dos líbios, o governo italiano pediu a suspensão das operações. Com a Alemanha recusando maior envolvimento (Merkel apenas repassa recursos do governo líbio aos insurgentes) e o governo dos Estados Unidos sem autorização do Congresso para abrir mais uma frente de batalha, os comandantes britânicos e franceses anunciam a impossibilidade de operar por mais de seis meses.

 

Concebida para a guerra fria e dependente da força estadunidense, a OTAN opera às tontas. Fosse vitoriosa na Líbia, garantiria suprimento de óleo e incrementaria a indústria bélica europeia, desesperadamente necessitada de clientes. Mas essa aventura é uma catástrofe anunciada. A área controlada pelos rebeldes foi, entre todo o mundo árabe, a que mais ofereceu voluntários para combater os Estados Unidos no Iraque. O Conselho Nacional de Transição líbio, com “ministros” refestelados em Paris, é um aglomerado de tendências políticas e interesses tribais unidos apenas para eliminar Kadafi. É inimaginável um Estado cirenaico, rico em petróleo, obedecendo à Europa.

 

Até o presente, de palpável, a OTAN exibiu apenas falta de senso estratégico e fragilidade militar. As exibições de força na Líbia, no Iraque e no Afeganistão mostram o ocaso dos que ainda se vêem donos do mundo. O Brasil, pedindo o cessar fogo no país africano, dá exemplo de lucidez e coragem.

 

Manuel Domingos Neto é professor do Núcleo de Estudos Estratégicos da UFF e coordenador do Observatório das Nacionalidades.

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