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Malandragem multinacional Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 21 de Junho de 2011
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Notícias recentes da imprensa especializada apontam para iniciativas de sindicatos metalúrgicos, tanto patronais quanto de trabalhadores, dispostos a propor à presidenta Dilma a equalização salarial da categoria para todo o país. Esta teria por base o piso salarial praticado na indústria metalúrgica paulista e deveria ser associada a medidas para impedir a entrada de manufaturados importados da China e a instalação de fábricas chinesas em áreas produtivas nacionais já assoberbadas.

 

Aparentemente, parecemos estar diante de uma proposta avançada, em que se combinam os interesses de melhoria salarial dos trabalhadores das demais regiões do Brasil com os interesses da indústria nacional para enfrentar a concorrência chinesa. Mas, na realidade, nos defrontamos com uma verdadeira malandragem multinacional.

 

Suponhamos que o piso salarial dos metalúrgicos paulistas seja estendido a todos os trabalhadores brasileiros. Se isto só tivesse como resultado a melhoria salarial, seria o melhor dos mundos. No entanto, com estágios diferentes de desenvolvimento industrial, de custos de alimentos, matérias primas e logística, várias das outras regiões do Brasil vão perder aquilo que alguns costumam chamar de vantagens comparativas.

 

Nessas condições, a tendência dessa equalização salarial poderá ser a transferência de capitais, indústrias e também trabalhadores para São Paulo, esvaziando o atual processo de industrialização, pelo menos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O que aparece como uma proposta progressista pode se transformar, com relativa rapidez, no mesmo processo que causou os desequilíbrios históricos entre o Sudeste, especialmente São Paulo, e as demais regiões do país.

 

O pior da proposta, porém, talvez não seja isso. Os sindicatos patronais das outras regiões vão chiar e os patronais paulistas devem estar prontos para recuar ao primeiro grito. Simplesmente porque o que as metalúrgicas paulistas querem, em especial as automobilísticas - que só têm de nacional o fato de estarem localizadas no território brasileiro e terem trabalhadores dessa nacionalidade -, é evitar que os chineses imponham a elas a famosa competição de mercado.

 

A proposta de equalização salarial não passa de isca, ou boi de piranha, para contar com o apoio dos trabalhadores e com o beneplácito de petistas desavisados. As multinacionais automobilísticas estavam acostumadas a praticar preços administrados e concorrerem entre si dentro de determinados parâmetros de lucratividade. A coisa era tão boa que a GM Brasil se deu ao luxo de socorrer sua matriz, em crise nos Estados Unidos.

 

A simples entrada de duas montadoras chinesas, a Chery e a JAC, já balançou todos os valores e está obrigando as multinacionais a rebaixarem preços e, portanto, suas margens de rentabilidade. O que é bom para os consumidores e para o controle de inflação. E não consta que essas importações devam causar o propalado fenômeno da desindustrialização. Mesmo porque os chineses estão considerando essa entrada como o primeiro passo para instalar plantas de produção no Brasil, na expectativa de manter seus preços competitivos.

 

Aliás, a esmagadora maioria dos investimentos chineses direcionados para o Brasil não vai para a especulação de curto prazo, mas para a instalação de fábricas. Portanto, fazem parte dos chamados investimentos diretos, voltados para a industrialização do Brasil.

 

A Sinopec e a Sinochen investiram alguns bilhões de dólares para participarem da exploração e produção de petróleo e gás, além da construção de gasodutos e outras instalações industriais. A XCMG, a Liugong, a Sany e a Zoomlion, as maiores empresas chinesas de fabricação de máquinas pesadas, também estão investindo alguns bilhões de dólares na implantação de fábricas, em Minas e São Paulo, para a produção de equipamentos que até então não possuíam similares brasileiros.

 

Outras empresas chinesas estão investindo em áreas diferentes dessas, mas sempre na perspectiva de fabricação no Brasil. Isso vai forçar outras empresas estrangeiras a investirem no Brasil, ao mesmo tempo em que podem incentivar os capitais nacionais a também se disporem a investir na produção, ao invés de ficarem atrelados à jogatina do mercado da especulação financeira.

 

Se esse processo se combinar com a queda dos juros e com o ajuste do câmbio, o Brasil estará entrando muito rapidamente na rota de uma nova industrialização, desmentindo aqueles que vivem alardeando que entramos numa desindustrialização sem volta. E as multinacionais terão que se reestruturar para enfrentar o ambiente, que vivem propagando em teoria, mas não gostam de praticar: o da concorrência ou competição, no qual vende quem tem o mesmo tipo de produto, mas preço menor. O que, de imediato, pode elevar o salário real dos trabalhadores.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Sexta, 24 de Junho de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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