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Tempo e cura Imprimir E-mail
Qui, 12 de Julho de 2007
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Dizem que o tempo cura. A força salutar do tempo é invocada especialmente quando o assunto é a cicatrização das emoções. E, no entanto, o tempo só cura os afetos na mesma medida em que sana uma ferida da carne.


Um sangramento não estanca, nem uma ferida cicatriza porque hoje é depois de ontem: são os anticorpos que trabalham. Toda cura é produto da vitalidade do organismo. No coração como na carne.


Quando perdemos uma pessoa querida, vem o luto. Chorar é uma ginástica do coração, tão necessária como comer e dormir para o corpo. A perda é uma realidade e a tristeza é um sentimento adulto. A superação não passa pela negação, mas pelo confronto da dor.


Até descobrir que somos maior do que ela. Existem as boas lembranças que iluminam o presente. Delas revela-se a gratidão, fundada nos prazeres do agora. É na alegria de estar vivo que é possível integrar a perda como gratidão. Saudades transmuta-se em esperança.


A desilusão amorosa tampouco cura-se por si só. No primeiro momento, há também o luto. Depois, a consciência de que o fim de uma relação não leva embora as coisas boas que cada um tem em si. E mais: o que se ganhou em profundidade na relação como o outro não se esvai. Um novo amor é sempre fecundada pelo passado.


É claro que há finais mais doloridos que outros. A primeira reação é fechar-se à entrega. Mas então intui-se que só um amor pode curar a ferida de outro amor. Isso é em si uma tênue abertura, que só alarga. Resultado de uma sede de amor que é divina e não tem limites: por isso, ancorada na fé.


O desentendimento entre queridos pode ser mais explosivo. Uma emoção de tempo curto, que como uma ferida exposta, clama por cuidados imediatos. Às vezes é viável contornar a situação na hora; às vezes não.


O tempo aí também não é mágico: a desculpa que gera o perdão, na religião católica como na judaica, é aquela que traz o arrependimento sincero. Isso é produto de reflexão do coração. A paz nunca é unilateral: quando um não quer, dois não se entendem – não há perdão. Por isso, toda amizade precisa estar assentada na humildade – uma forma elevada da caridade.


Não é exato dizer que o tempo cura. Mas é na realidade do tempo que o humano projeta-se como existência: se constrói e se descobre em uma relação dialética com a vida, onde a perda revela o que somos, que só é porque perde, e ao perder, se faz.


A cura do coração é a prova cotidiana de que a ressurreição nada mais é do que o milagre do humano: fere-se e cura-se, simplesmente pelo dom do amor à vida, que pulsa.

 

 

Fábio Luís é jornalista.

 

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Última atualização em Qui, 12 de Julho de 2007
 

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