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FIFA: quando o futebol vira caso de polícia Imprimir E-mail
Escrito por Francisco Bicudo   
Quarta, 15 de Junho de 2011
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Era uma vez Joseph Blatter (reeleito na terça-feira, 31/05, presidente da FIFA com toda a tranqüilidade), que era amigo de Mohamed Bim Hammam (presidente da Confederação Asiática de Futebol), que trabalhava em sintonia com Ricardo Teixeira (presidente da Confederação Brasileira de Futebol). O trio vivia em aparente harmonia - uma rusga cá, outra acolá, é verdade, mas com posições sempre convergentes em relação aos temas prioritários do planeta-futebol. Podiam até discordar no acessório, mas cerravam fileiras no principal. Ao menos era essa a imagem que tentavam vender à opinião pública - um mundo de sonhos e de poses sorridentes para flashes e câmeras (ah, as imagens...), a fazer prevalecer o tão decantado "sossego, ordem e sintonia na casa da FIFA".

 

Mas o ser humano é movido por vaidades, ambições que transformam sorrisos em carrancas. Blatter queria mais um mandato à frente da entidade que manda no futebol mundial (está no cargo desde 1998). Bin Hammam avaliou que era momento propício para desafiar e enfrentar o poderoso chefão na eleição (nem chegaria a tanto, pois teve a candidatura cancelada, em função dos escândalos recentes; é assim que funciona a justiça seletiva de Blatter). Pois é, como diria o sábio Garrincha: faltou combinar com o adversário.

 

De acordo com o que foi divulgado pelos jornais, antes de ser impedido de participar da disputa, o representante da Ásia moveu pedras do xadrez para acertar jogo comum e articular posições com Ricardo Teixeira, com a promessa de que o brasileiro seria o candidato oficial em 2015, depois que tivesse colhido os louros da realização da Copa do Mundo no Brasil. "Eu vou agora, você vem depois", sugeriu. A dobradinha Bin Hammam-Teixeira mexeu com os humores de Blatter. E está provocando um furacão na FIFA.

 

A bola de cristal das amizades se quebrou, espatifou. E a luta fratricida pelo poder trouxe à tona um enredo sórdido que, bem longe dos tapinhas nas costas de camaradagem, está cada vez mais parecido com as rivalidades e brigas que envolvem famiglias mafiosas. Pobre futebol.

 

Propinas bem gordas

 

Como é comum nesses duelos de titãs pós-modernos, abastecidos invariavelmente por dossiês midiáticos, informações preciosas a respeito das entranhas da entidade máxima do futebol começaram a ser vazadas para a imprensa. Em reportagem exibida no final de maio pela BBC, a TV pública inglesa, o repórter investigativo Andrew Jennings, famoso por desmantelar esquemas de corrupção na FIFA e autor do livro "Jogo Sujo - O Mundo Secreto da FIFA", voltou a garantir que teve acesso a uma lista (já havia feito essa afirmação no final de 2010) que revelaria nomes de peixes graúdos do futebol mundial que teriam recebido, na década de 1990, propina da ISL (International Sports and Leisure), uma falida empresa de marketing esportivo. No total, cerca de 100 milhões de dólares teriam sido fartamente distribuídos. Em troca, a empresa teria sido beneficiada com contratos e participações privilegiadas em transmissões de TV, placas de publicidade e eventos esportivos, incluindo a Copa do Mundo.

 

Ricardo Teixeira, segundo a reportagem de Jennings, seria um dos nomes da lista e, portanto, favorecido pelos agrados da ISL - teria recebido a bagatela de 9,5 milhões de dólares. Vale lembrar que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol, concluída no Congresso Nacional em 2001, já apontara ligações suspeitas e perigosas entre o manda-chuva do futebol brasileiro e uma empresa de fachada (laranja) chamada SANUD, que seria justamente a responsável por intermediar os pagamentos feitos pela ISL (a CPI identificou 2,9 milhões de reais, apenas entre 1996 e 97). Outro nome da lista? João Havelange, ex-presidente da FIFA, sogro de Teixeira...

 

"Além de Ricardo Teixeira, a reportagem citou os presidentes da Conmebol, Nicolas Leoz, e da Confederação Africana de Futebol (CAF), Issa Hayatou, que também teriam engordado os bolsos. A ISL faliu em 2001, o que ocasionou a abertura de dois processos na cidade suíça de Zug. Os promotores queriam saber como uma empresa com contratos de marketing milionários foi à bancarrota. No primeiro, Nicolas Leoz foi citado por receber propina da ISL por meio de empresas de fachada", destacou  reportagem  da revista Carta Capital.

 

No entanto, segundo  matéria do jornal Lance!, citando a BBC, "Teixeira e Havelange teriam feito um acordo na Justiça suíça em que concordaram em pagar uma multa de cerca de R$ 8,9 milhões para escapar de processo, aberto após a falência da ISL no início da década de 2000. A legislação suíça proíbe a divulgação de detalhes de acordos judiciais, mas um promotor da cidade de Zug quebrou esse sigilo". Em troca, amparada pela legislação suíça, a dupla teria recebido a garantia de não divulgação dos nomes da lista citada por Jennings. Estranho... A devolução de tão polpuda e generosa quantia, sem reclamações, não representaria de alguma forma reconhecimento de irregularidades (no mínimo) ou até mesmo de crime (para ser mais preciso)? No mundo do futebol, dinheiro garante silêncio?

 

Blatter precisa de Teixeira

 

O mais surreal é que, embora estremecidos, e apesar das cotoveladas, dos chutes nas canelas, das ombradas e disputas por espaços de candidaturas presentes e futuras, o destino de Blatter parece estar umbilicalmente ligado ao de Teixeira - e vice-versa. Como os dois são arquivos-vivos de toda a sorte de lambanças ocorridas nos últimos tempos no mundo do futebol, precisam se encobrir e se proteger, mutuamente. "Todo mundo sabe que o Blatter não quer o Platini, pois ele (Platini) fala com repórteres, vai permitir que as pessoas descubram todas as sujeiras da FIFA. De jeito nenhum Blatter iria indicar o Platini. (...) Blatter precisa passar a tocha da FIFA para Teixeira", afirmou Jennings, em  entrevista publicada pelo UOL.

 

E, para assumir a FIFA, o Imperador do futebol nacional pretende seguir a mesma lógica de proteção e já prepara inclusive sua sucessão na CBF, como revela  reportagem publicada pelo jornal O Estado de São Paulo. "Avô e pai já definiram quem deve ditar o ritmo do esporte mais popular do país, sabe-se lá por quanto tempo: Joana Havelange, 33 anos, formada em administração, com pós-graduação em marketing, ex-jogadora profissional de basquete nos Estados Unidos e leitora apaixonada de João Havelange - o Dirigente Esportivo do Século XX". Quem é a moça em questão? A filha de Ricardo Teixeira, obviamente neta de João Havelange. Negócios em famiglia, tutti buona gente...

 

O negócio e os patrocinadores

 

Há possibilidade de mudanças nos rumos e na direção da FIFA, diante desse terremoto? Em seu  blog, Antero Greco, da ESPN/Brasil e do Estadão, acha que essa possibilidade só estará colocada se houver pressão dos patrocinadores. "Tem empresa multinacional com imagem a zelar que se mostra, pelo menos aparentemente, preocupada com associações negativas que podem ser feitas por estarem ao lado da FIFA. Se não for por lisura, no mínimo é por medo do mercado que alguns desses gigantes do capitalismo podem entrar no circuito e exigir alterações. Embora eu tenha lá minhas dúvidas…"

 

No mundo do negócio da bola, falam mais alto, em situações-limite, os interesses de quem efetivamente banca e sustenta o negócio. Patrocinadores (Coca-cola e Adidas, por exemplo) não querem ver suas marcas associadas a denúncias, propinas, toma-lá-dá-cá, trocas de favores regadas a milhões de dólares - ao menos não publicamente. Quando isso acontece, antigos parceiros e aliados passam a ser vistos como produtos descartáveis. São alijados do poder. O que vale mesmo são os contratos, os lucros maximizados, os direitos de imagem, as calculadoras funcionando alucinadamente. Amigos? Amigos. Negócios à parte... E, se sobrar para Blatter, poderá também respingar em Teixeira. 

 

"Acho que se o Blatter for eleito, ele não deve ficar mais um ano. Tem muita bagunça e sujeira. Sabemos de pessoas como Blatter, Warner e Teixeira. Você tem Adidas e Coca-Cola (patrocinadores da FIFA que reclamaram das denúncias). Algumas coisas foram ditas em público, então imagine o que estão falando em particular. Eles estão chamando Jeróme Valcke, que trabalhou como diretor de marketing e fechou os acordos, e dizendo: "Blatter, saia daqui".  As empresas querem ele fora", afirmou Jennings, na mesma entrevista concedida ao UOL. 

 

Bem, enquanto os patrocinadores pressionam e decidem o que fazer, vou ver mais uma vez a sensacional vitória do Barcelona (3 x 1) sobre o Manchester United, pela final da Liga dos Campeões da Europa. Aquele de fato é o futebol que deveria estar na boca do povo - e nas manchetes dos jornais.

 

*

 

Em tempo: haveria muito mais a dizer sobre escândalos na FIFA - votos comprados e acertos para definição de sedes de Copas do Mundo, por exemplo. Prometo voltar ao tema. Até porque o repórter Andrew Jennings estará no Brasil, em São Paulo, no início de julho, para participar do XI  Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

 

Francisco Bicudo é jornalista e professor de Comunicação na Universidade Anhembi Morumbi. 

Blog: http://www.oblogdochico.blogspot.com/

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Última atualização em Qui, 16 de Junho de 2011
 

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