Desinformação e desrespeito na mídia brasileira

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Por alguma razão escondida dentro de cada um de nós que escrevemos esse texto tivemos como escolha profissional o ensino de língua (materna ou estrangeira). Por algum motivo desconhecido, resolvemos abraçar uma das profissões mais mal pagas do nosso país. Não quisemos nos tornar médicos, advogados ou jornalistas. Quisemos virar professores. E para fazê-lo, tivemos que estudar. Estudar, para alguém que quer ensinar, tem uma dimensão profunda.

 

Foi estudando que abandonamos muitas visões simplistas do mundo e muito dos nossos preconceitos. Durante anos debatemos a condição da educação no Brasil; cotidianamente aprofundamo-nos sobre a realidade do país e sobre uma das expressões culturais mais íntimas de seus habitantes: a sua língua. Em várias dessas discussões utilizamos reportagens, notícias ou fatos trazidos pelos jornais.

 

Crescemos ouvindo que jovem não lê jornal e que a cada dia o brasileiro lê menos. A julgar por nosso cotidiano, isso não é verdade. Tanto é que muitos de nós, já indignados com o tratamento dado pelo Jornal Nacional à questão do material ‘Por uma vida melhor’, perdemos o domingo ao, pela manhã, lermos as palavras de um dos mais respeitados jornalistas do país, criticando, na Folha de S. Paulo, a valorização dada pelo material ao ensino das diferentes possibilidades do falar brasileiro. E ficamos ainda mais indignados durante a semana com tantas reportagens e artigos de opinião cheios de idéias equivocadas, ofensivas, violentas e irresponsáveis.

 

Lemos textos assim também no Estado de São Paulo e nas revistas semanais Veja e IstoÉ. Vimos o Jornal Nacional colocar uma das autoras do material em posição humilhante de ter que se justificar por ter conseguido fazer uma transposição didática de um assunto já debatido há tempos pelos grandes nomes da Lingüística do país – nossos mestres, aliás.

 

O jornalista Clovis Rossi afirmou que a língua que ele julga correta é uma "evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras" e que os professores têm o baixo salário justificado por "preguiça de ensinar". Uma semana depois, vimos Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti narrarem um drama em que um aluno teria aprendido uma construção errada de sua língua e afirmarem que o material "vai condenar esses jovens a uma escuridão cultural sem precedentes". Também esses dois últimos jornalistas tentam negar a voz

 

contrária aos seus julgamentos, dizendo que pouquíssimos foram os que se manifestaram, e que as idéias expressas no material podem ter sucesso somente entre alguns professores "mais moderninhos". Já no Estado de São Paulo vimos um economista fazendo represálias brutas a esse material didático. Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia, porém fica nítida a fragilidade de suas concepções sobre ensino da língua. A mesma desinformação e irresponsabilidade revelou o cineasta Arnaldo Jabor, em seu violento comentário na rádio CBN.

 

Ficamos todos perplexos pela falta de informação desses jornalistas, pela inversão de realidade a que procederam, e, sobretudo, pelo preconceito que despejaram sem pudor sobre seus espectadores, ouvintes e leitores, alimentando uma visão reduzida ao senso comum, equivocado quanto ao ensino da língua. A versão trazida pelos jornais sobre a defesa do "erro" em livros didáticos, e mais especificamente no livro ‘Por uma vida melhor’, é uma ofensa a todo trabalho desenvolvido pelos lingüistas e educadores de nosso país no que diz respeito ao ensino de Língua Portuguesa.

 

A pergunta inquietante que tivemos foi: será que esses jornalistas ao menos se deram o trabalho de ler ou meramente consultar o referido livro didático antes de tornar públicas tão caluniosas opiniões? Sabemos que não. Pois, se o tivessem feito, veriam que tal livro de forma alguma defende o ato de falar "errado", mas sim busca desmistificar a noção de erro, substituindo-a pela de adequação/inadequação. Isso porque a Lingüística, bem como qualquer outra ciência humana, não pode admitir a superioridade de uma expressão cultural sobre outra. Ao dizer que a população com baixo grau de escolaridade fala "errado", o que se está dizendo é que a expressão cultural da maior parte da população brasileira é errada, ou inferior à das classes dominantes. Isso não pode ser concebido, nem publicado deliberadamente, como foi nos meios de comunicação. É esse ensinamento básico que o material propõe, didaticamente, aos alunos que participam da Educação de Jovens e Adultos. Mais apropriado, impossível. Paulo Freire ficaria orgulhoso. Os jornalistas, porém, condenam.

 

Sabemos que os veículos de comunicação possuem uma influência poderosa sobre a visão de mundo das pessoas, atuam como formadores de opinião, por isso consideramos um retrocesso estigmatizar certos usos da língua e, assim, o trabalho de profissionais que, todos os dias, estão em sala de aula tentando ir além da mera repetição dos exercícios gramaticais mecânicos, chamando atenção para o caráter multifacetado e plural do português brasileiro e sua relação intrínseca com os mais diversos contextos sociais.

 

A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas aparece, sobretudo, o medo de a escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes. Entretanto, se tivessem lido o referido material, esse medo teria facilmente se esvaído. Como todo lingüista contemporâneo, os autores deixam claro, na página 12, que "como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário".

 

Dessa forma, sem deixar de valorizar a norma escrita culta – necessária para atuar nas esferas profissional e cultural e, logo, determinante para a ascensão econômica e social de seus usuários, embora não suficiente –, o material consegue promover o debate sobre a diversidade lingüística brasileira. Esse feito, do ponto de vista de todos que produzimos e utilizamos materiais didáticos, é fundamental.

 

Sobre os conteúdos errôneos que foram publicados pelos jornais e revistas, foi possível ver, após uma semana, as respostas dadas pelos educadores, estudiosos da linguagem e, sobretudo, da variação lingüística, já bastante elucidativas para informar a esses profissionais do jornalismo. Infelizmente, alguns jornalistas não os leram.

 

Mas ainda dá tempo de aprender com esses textos. Leiam as respostas de lingüistas tais como Luis Carlos Cagliari, Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Sírio Possenti, além de educadores como Maria Alice Setubal e Maurício Ernica, entre outros, publicadas em diversas fontes, como elucidativas e representativas do que temos a dizer. Aliás, muito nos orgulha a paciência desses autores – foram verdadeiras aulas para alunos que parecem ter que começar do zero.

 

Admirável foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Lingüística, de Educação - e de atitude cidadã, diga-se de passagem - para "formadores de opinião" que, sem o domínio do assunto, resolveram palpitar, julgar e até incriminar práticas e idéias solidamente construídas em pesquisas científicas sobre a língua, ao longo de toda a vida acadêmica de vários intelectuais brasileiros respeitados - idéias essas que começam, aos poucos, a chegar à realidade das escolas.

 

Ao final de anos de luta para podermos virar professores, ao invés de vermos nossos pensadores, acadêmicos e professores valorizados, vimos a humilhação violenta que eles sofreram. Vimos, com isso, a humilhação que a academia e que os estudos sérios e profundos podem sofrer pela mídia desavisada (ou maldosa). O poder da mídia foi assustador. Para os alunos mais dispersos, algumas concepções que levaram anos para serem construídas foram quebradas em instantes. Felizmente, esses são poucos. Para grande parte de nossos colegas estudantes de Letras o que aconteceu foi um descontentamento geral e uma descrença coletiva nos meios de comunicação.

 

A descrença na profissão de professor, que era a mais provável de ocorrer após tamanha violência e irresponsabilidade da mídia, não aconteceu – somente por conta daquele nosso motivo interno ao qual nos referimos antes. Nossa crença de que a educação é a solução de muitos problemas – como esse, por exemplo – e de que se trata de uma das profissões mais satisfatórias do mundo continua firme. Sabemos que vamos receber baixos salários, que nossa rotina será mais complicada do que a de muitos outros profissionais, além de todas as outras dificuldades que todos sabem que um professor enfrenta. O que não sabíamos é que não tínhamos o apoio da mídia, e que, pior que isso, ela se voltaria contra nós, dizendo que o baixo salário está justificado e que não podemos reclamar porque não cumprimos nosso dever direito.

 

Gostaríamos de deixar claro que não, ensinar gramática tradicional não é difícil. Não temos preguiça disso. Facilmente podemos ler a respeito da questão da colocação pronominal, passar na lousa como os pronomes devem ser usados e dizer para o aluno que está errado dizer "me dá uma borracha". Isso é muito simples de fazer. Tão simples que os senhores jornalistas, que não são professores, já corrigiram o material ‘Por uma vida melhor’ sobre a questão do plural dos substantivos. Não precisa ser professor para fazer isso. Dizer o que está errado, aliás, é o que muitos fazem de melhor.

 

Difícil, sabemos, é ter professores formados para conseguir promover, simultaneamente, o debate e o ensino do uso dos diversos recursos lingüísticos e expressivos do português brasileiro, que sejam adequados às diferentes situações de comunicação e próprios dos inúmeros gêneros do discurso orais e escritos que utilizamos. Esse professor deve ter muito conhecimento sobre a linguagem e sobre a língua, nas suas dimensões lingüísticas, textuais e discursivas, sobre o povo que a usa, sobre as diferentes regiões do nosso país e sobre as relações intrínsecas entre linguagem e cultura.

 

Esse professor deve ter a cabeça aberta o suficiente para saber que nenhuma forma de usar a língua é "superior" a outra, mas que há situações que exigem uma aproximação maior da norma culta e outras em que isso não é necessário; que o "correto" não é falar apenas como paulistas e cariocas, usando o globês; que nenhum aluno pode sair da escola achando que fala "melhor" que outro, mas sim ciente da necessidade de escolher a forma mais adequada de usar a língua conforme exige a situação e, claro, com o domínio da norma culta para as ocasiões em que ela é requerida. Esse professor tem de ter noções sobre identidade e alteridade, tem que valorizar o outro, a diferença, e respeitar o que conhece e o que não conhece.

 

Também esse professor tem que ter muito orgulho de ser brasileiro: é ele que vai dizer ao garoto, ao ensinar o uso adequado da língua nas situações formais e públicas de comunicação, que não é porque a mãe desse garoto não usa tal tipo de variedade lingüística (a norma culta), não conjuga os verbos, nem usa o plural de acordo com uma gramática pautada no português europeu, que ela é ignorante ou não sabe pensar. Ele vai dizer ao garoto que ele não precisa se envergonhar de sua mãe só porque aprendeu outras formas de usar o português na escola, e ela não. Ele vai ensinar o garoto a valorizar os falares regionais, e ser orgulhoso de sua família, de sua cultura, de sua região de origem, de seu país e das diferenças que existem dentro dele e, ao mesmo tempo, a ampliar, pelo domínio da norma culta, as suas possibilidades de participação na sociedade e na cultura letrada. O Brasil precisa justamente desse professor que os jornalistas tanto incriminaram.

 

Formar um professor com esse potencial é o que fazem muitos dos intelectuais que foram ofendidos. Para eles, pedimos que esses jornalistas se desculpem. E os agradeçam. E, sobretudo, antes de os julgarem novamente, leiam suas publicações. Ironicamente, pedimos para a mídia se informar.

 

Nós somos a primeira turma a entrar no mercado de trabalho após esse triste ocorrido da imprensa. Somos muito conscientes da luta que temos pela frente e das possibilidades de mudança que nosso trabalho promove. Para isso, estudamos e trabalhamos duro durante anos. A nós, pedimos também que se desculpem. E esperamos que um dia possam nos agradecer.

 

Reafirmamos a necessidade de os veículos de comunicação respeitarem os nossos objetos de estudo e trabalho — a linguagem e a língua portuguesa usada no Brasil —, pois muitos estudantes e profissionais de outras áreas podem não perceber tamanha desinformação e manipulação irresponsável de informação, e podem vir a reproduzir tais concepções simplistas e equivocadas sobre a realidade da língua em uso, fomentando com isso preconceitos difíceis de serem extintos.

 

Sabemos que sozinhos os professores não mudam o mundo. Como disse a professora Amanda Gurgel, em audiência pública no Rio Grande do Norte, não podemos salvar o país apenas com um giz e uma lousa. Precisamos de ajuda. Uma das maiores ajudas com as quais contamos é a dos jornalistas. Pedimos que procurem conhecer as teorias atuais da Educação, do ensino de língua portuguesa e da prática que vem sendo proposta cotidianamente no Brasil. Pedimos que leiam muito, informem-se.

 

Visitem escolas públicas e particulares antes de se proporem a emitir opinião sobre o que deve ser feito lá. Promovam acima de tudo o debate de idéias e não procedam à condenação sumária de autores e obras que mal leram. Critiquem as assessorias internacionais que são contratadas reiteradamente. Incentivem o profissional da educação. E nunca mais tratem os professores como trataram dessa vez. O poder de vocês é muito grande – a responsabilidade para usá-lo deve ser também.

 

Alecsandro Diniz Garcia, Ana Amália Alves da Silva, Ana Lúcia Ferreira Alves, Anderson Mizael, Jeferson Cipriano de Araújo, Laerte Centini Neto, Larissa Arrais, Larissa C. Martins, Laura Baggio, Lívia Oyagi, Lucas Grosso, Maria Laura Gándara Junqueira Parreira, Maria Vitória Paula Munhoz, Nathalia Melati, Nayara Moreira Santos, Sabrina Alvarenga de Souza e Yuki Agari Jorgensen Ramos – formandos 2011 em Letras da PUC-SP, futuros professores de Língua Portuguesa e Língua Inglesa.

Comentários   

0 #10 Professor e professorGeber Accioly 01-07-2011 21:58
Lecionei durante mais de trinta e cinco anos e presenciei transformações e mais transformações no ensino, mas nas que me foram impostas sempre houve um "nivelamento por baixo" buscando como alvo o "aluno com dificuldade" (eufemismo para vagabundo) e presenciei o ensino evoluir como rabo de cavalo.
Senti na pele depois da ascenção dos faziam "oposição" (petista e quejandos) um descaso descabido com a política educacional. Dar merenda para evitar evasão escolar é no mínimo ingenuidade (pra não grafar burrice). Não só jornalistas, mas também, qualquer outro profissional, desde 1980 vêm recebedo uma educação progressivamente de baixa qualidade e agora com o Tiririca...
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0 #9 Parabéns Magníficos FormandosValdete Lima 15-06-2011 12:45
Caaríssimos Formandos
Felizes os que serão seus futuros alunos. É esta diversidade que é preciso ser entendida neste país continental. A grande imprensa - como é usual - pinça um trecho de algo e faz disso o seu estardalhaço. Li o capítulo inteiro deste livro e, não há nenhum incentivo a falar o não Portugês, como querem os detratores. Apenas há exemplificações de que o entendimento se faz necessário quando não se usa a norma culta. Sugiro aos ''notáveis críticos'' que vão ao Bronx, em Nova Iorque e vejam os negros iletrados se expressarem. Nem por isso o resto dos americanos deixam de entendê-los. Os grandes jornais deveriam de se envergonhar é de ter os erros crassos em suas publicações. Ex-revisora que sou, os impressos acabaram o Departamento de Revisão para poupar e acumularam erros que antes não existiam. O que dizem eles quando o pobre repórter no afã de terminar a sua matéria comete erros e não têm a quem recorrer...
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0 #8 Mídia ignoranteLuiz Paulo Santana 13-06-2011 13:26
Excelente artigo cuja leitura terei o prazer de indicar. É preciso aproveitar o momento para trazer os esclarecimentos necessários. O preconceito linguístico é um fato. Eu tive esse preconceito, embora não ousasse desclassificar o meu interlocutor que, com a sua variante linguística, comunicava-se perfeitamente comigo (e com a minha própria variante). Mas as pessoas em geral não sabem disso e o preconceito é antigo. É preciso, pois, trazer a questão à lume. Seria interessante escrever a todos os jornalistas e colunistas que se ocuparam com as críticas sobretudo as destrutivas. Terá havido, sem dúvida, em parte, partidarização nas abordagens. O que considero péssimo. Essa mania de partidarizar as questões anda enfraquecendo (e falseando) o debate. Vamos lá. Parabéns pelo artigo.
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0 #7 RE: Desinformação e desrespeito na mídia brasileira Renata L 11-06-2011 23:14
Viva vocês. Que serão professores competentes e respeitosos. Parabéns pelo texto claro e direto. Pena que a mídia vai passar ao largo. E continuar disseminando inverdades. Mas a gente continua na luta.
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0 #6 ParabénsAna 11-06-2011 12:01
Parabéns ao Correio da Cidadania pela qualidade do jornalismo que faz e por abrir esse espaço.
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0 #5 ParabénsAna 11-06-2011 11:46
Essa semana compartilhei no Facebook essa mesma crítica. Junto minhas palavras às desses estudantes. É disso que precisamos: criticar as informações e não apenas enguli-las e replicá-las. Parabéns aos formandos e sorte do Brasil que ganha com esses novos profissionais, já tão bem qualificados e informados criticamente! E a imprensa brasileira (em todas as mídias) deve rever sua obrigação de investigar e estudar melhor as informações que se propõem a divulgar, cumprindo seu papel ético, social e educativo. Liberdade de fazer crítica sim, desde que bem fundamentada. Só repassar uma informação fica mais parecendo fofoca do que jornalismo... É o que parece que grande parte da imprensa tem feito.
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0 #4 Maravilhoso!Orson Silva 11-06-2011 11:11
Parabéns à turma de formandos que teve a iniciativa de defender com propriedade e segurança a sua futura profissão e mostrar que a "Língua Portuguesa" é um órgão vivo, e como toda atividade viva necessita de mudanças e adequações dentro de determinados contextos. Infelizmente muitos profissionais se esquecem que por trás de sua carreira brilhante se escondem muitas outras mentes que os guiaram e os orientaram duarante muitos anos de sua vida.
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0 #3 O choque entre o 'senso comum' e o especialistaPaulo Henrique 11-06-2011 08:56
Eu quero parabenizar a iniciativa dos alunos da PUC! Talvez a única coisa aproveitável que adquiri na minha passagem pela Faculdade de Educação em turmas mistas no sistema "3+1" (no caso do meu curso, eu diria, '4+1') foi o convívio com alunos de Letras que me sinalizaram para essa diferença conceitual entre o 'senso comum' sobre o valor indiscutível da 'norma culta' e a opinião dos especialistas, que enxergam ela como uma ferramente necessária porém sem desmerecer a base cultural do aluno. É o reconhecimento de fato de uma situação que em países europeus existem forma mais clara quando chega ao ponto do dialeto e a escolha de um determinado falar como Língua Oficial - deixando as demais formas de expressão como um característica regional. Eu fiquei surpreso é que mais de vinte anos após eu passar pelos bancos da academia lá no campus da Praia Vermelha, ainda a imprensa continuasse toda presa a visão preconceituosa!
Eu exerço o magistério mas também trabalhei em pesquisa acadêmica e mesmo no mundo corporativo na minha área (biologia). Infelizmente a Faculdade de Educação era muito pouco contextualida, os formandos só precisavam seguir o que já estava estabelecido... aulas expositivas, alunos disciplinados, reprovação simples e um salário já precário! Não fomos preparados de fato para a realidade que já era diferente naquela época e que mudou mais ainda com anos de PSDB e degradação do Ensino Público. Ainda assim, felizmente, é da reflexão dos especialistas e do esforço de muito professores na 'raça' que outras concepções de ensino surgem e atualmente buscamos efetivar nos cursos de licenciatura uma preparação capaz de capacitar os futuros professores para fazer frente aos desafios reais que vão encontrar. O programa PIBID da Capes é um bom exemplo desse suporte do governo federal à mudanças nas práticas tradicionais na formação de professores.

É prazeiroso poder ler na crítica pertinente desses estudantes da PUC uma evidência clara que muitos cursos superiores estão alcançando essa meta de qualificação real de seus formandos. Não basta apenas saber propor estratégicas didáticas diferentes do velho 'cuspe e giz' da aula expositiva em salas sem recursos... nem apenas saber todas as outras propostas inovadoras e dominar a tecnologia já disponível... é preciso preparar o tutano... dotar de ferramentas mas também reforçar o amor natural à profissão. A capacidade de se por na liça para defender as suas opiniões e sobretudo nesse caso uma visão muito maior do que é educação é uma prova tanto do caráter desses formandos como das qualidades positivas do curso que os está licenciando ao magistério da Língua Portuguesa - na tarefa maior de formar o ser humano, o cidadão crítico e atuante... esperança nossa de 'mudar o país'... ainda que procurem deixar-nos como disse Amanda Gurgel, apenas com a lousa e o giz!

Oxalá os nossos 'especialistas' da imprensa percebam que são leigos e dotados do senso comum mais preconceituoso e busquem antes ler e entender a proposta... e criticar a falta de condições com que os docentes são abandonados junto com seus alunos... e não apenas legitimar TODOS os discursos das elites!
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0 #2 RE: Desinformação e desrespeito na mídia brasileira Helena Maria 10-06-2011 23:38
Colegas, que resposta frontal, corajosa, minuciosa, exaustiva, clara, didática! Tanto que, tenho certeza, quem desconhecia essa visão científica da língua, depois de lerem o texto, dificilmente esquecerá a lição. Mas confesso estar surpresa com toda essa celeuma, porque graduada na mesma área de vocês, no ano de 1972, pela Universidade Federal Fluminense, portanto há quase 40 anos, recebi e lógico apliquei nas minhas aulas essa orientação linguística, democrática. Por que só agora esse questionamento? Será por causa de Lula? rs rs rs.
Parabéns e boa sorte na sua missão.
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0 #1 SENSACIONAL!Eulinda Noronha 10-06-2011 19:59
Ilustríssimos senhores formandos 2011 em Letras da PUC... (ÀS FAVAS ESSA LINGUAGEM INADEQUADA PARA ME DIRIGIR A VOCÊS, MEUS COLEGAS, POR QUEM TENHO O MAIOR RESPEITO)
Pessoal, me senti contemplada com este maravilhoso texto de vocês. Também sou formada em Letras pela UECE e fui professora por 25 anos na escola pública. Concordo em gênero, número e grau com tudo o que vocês defenderam com este texto. Boas chicotadas nesta mídia elitista. Valeu! Parabéns para vocês! Parabéns para as escolas que terão vocês como professores. Felizardos os alunos que passarem por suas mãos. É isso!
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