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Obama e a Palestina: pequenos avanços, grandes recuos Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 10 de Junho de 2011
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O esperado discurso de Obama de 19 de maio pouco contribuiu para uma solução justa do impasse da Palestina. Certamente significaram avanços a afirmação das fronteiras de 1967 como base dos acordos de paz (embora a ONU já tivesse ido além, fixando essas fronteiras sem as limitações da palavra "base") e a necessidade urgente da criação do Estado palestino.

 

Pode parecer pouco, mas não foi para o primeiro-ministro Netanyahu. Ele considera a expressão "fronteiras de 1967" um autêntico tabu, já que, ao contrário do que pleiteou Obama, procura prolongar ao máximo as discussões sobre a Palestina com o fim de ganhar tempo para encher de novos assentamentos o território que resta aos árabes, tornando inviável seu projeto de nação.

 

Animado pela reação indignada de políticos e empresários americanos, ele declarou "fantasiosa" a proposta de Obama e correu a pedir a solidariedade do congresso americano, onde obteve uma recepção apoteótica. O que não foi surpresa. Afinal, como diz o jornalista americano Philip Giraldi, "este é o melhor congresso que a AIPAC (principal lobby judaico-americano) pode comprar".

 

Três dias depois do seu discurso, Obama foi ao congresso da referida AIPAC para esclarecer as coisas. E aí, recuou quilômetros, numa clara rendição ao contra-ataque do primeiro-ministro israelense e seu lobby.

 

Explicando o sentido da expressão "fronteiras de 1967", Obama disse: "Significa que as partes - israelenses e palestinos - negociarão uma fronteira que será DIFERENTE DA EXISTENTE EM 4 DE JUNHO DE 1967. Permitirá que as partes levem em conta as mudanças que ocorreram nos últimos 44 anos, INCLUINDO A NOVA REALIDADE DEMOGRÁFICA".

 

Em outras palavras: os palestinos devem esquecer os limites de 1967, embora tenham sido aprovadas várias vezes pela ONU, e aceitar a "nova realidade demográfica", ou seja, a perda de grande parte do seu território, confiscada pelo governo de Israel para o assentamento de cerca de 400.000 israelenses.

 

Obama falou também em "trocas de territórios" para compensar essas perdas. Trocas que seriam feitas de comum acordo. Ou seja, os árabes teriam de aceitar o que os israelenses lhes propusessem. Não seria grande coisa, a julgar pelos repetidos pronunciamentos de Bibi contra a entrega dos assentamentos, hoje ocupando as melhores terras da Cisjordânia.

 

Mas o grave não ficou nisso. Obama abandonou a mais importante posição que assumira em favor de uma Palestina livre e viável: a exigência de interrupção de novos assentamentos para garantir o início das negociações de paz, que ele havia repetido insistentemente durante o primeiro ano do seu mandato.

 

Para o governo de Tel-aviv, isto seria péssimo, pois seu objetivo é exatamente o contrário: tomar cada vez mais terras árabes. Ligados por estradas exclusivas para judeus, os assentamentos israelenses já transformaram boa parte da Cisjordânia numa série de "bantustões" isolados entre si.

 

Caso a expansão dos assentamentos continue, breve a Palestina se tornará um recorte de áreas não contíguas, sem condições de constituírem um país viável. E a idéia dos "dois Estados" não passará de um sonho impossível. Por isso, os árabes negam-se a voltar às negociações de paz enquanto a construção de novos assentamentos não for suspensa.

 

Obama deixou de lado esse assunto nos dois discursos pronunciados em maio. Não deixou, porém, de se pronunciar contra o reconhecimento da independência da Palestina.

 

Em fins do ano passado, Abbas, o presidente da Autoridade Palestina, decidiu como último recurso declarar unilateralmente a independência do Estado da Palestina, nas fronteiras existentes em 1967. A idéia foi bem recebida em todo o mundo, inclusive nos principais países da Europa. Era tido como quase certo que a criação do novo Estado seria reconhecida oficialmente durante a próxima assembléia da ONU, em setembro. Com o veto do presidente dos EUA, isso dificilmente acontecerá, pois os governos europeus devem seguir seu líder.

 

Mas Obama foi mais adiante no discurso que tantas palmas arrancou do pessoal da AIPAC. Ele condenou o reatamento da aliança entre os dois movimentos pela libertação da Palestina - o moderado Fatah e o radical Hamas -, fato que causara indignação em Israel. Netanyahu tinha sido taxativo. Não poderia sentar-se à mesa das negociações com a gente do Hamas, que repudiava a existência do Estado de Israel.

 

Repetindo a argumentação israelense, Obama afirmou que a reconciliação era um "obstáculo" à paz na região. Ignorou que, ao anunciar as pazes com o Fatah, Khaled Meshal, dirigente do Hamas, declarou que aceitava a solução dos dois Estados, separados pelas fronteiras de 1967, e indicava o próprio Abbas (tido como cordato por americanos e judeus) como representante de sua organização nas negociações a serem realizadas.

 

Não foi surpresa quando Obama reafirmou que os laços de amizade ligando os EUA a Israel seriam "inabaláveis" e "blindados". Ao que pergunta Robert Fisk, conceituado expert em Oriente Médio (The Independent, 30 de maio): "No caso dr o partido violentamente direitista e racista do hoje ministro Lieberman assumir o poder, esses laços ‘inabaláveis’ e ‘blindados’ exigiriam que continuássemos a fornecer bilhões em armamentos a eles?".

 

Talvez aí Obama não fosse tão longe. Por ora, ele manifestou "completo comprometimento" com a segurança de Israel: "Eis por que estamos fornecendo nossa mais avançada tecnologia a nossos aliados israelenses, apesar dos momentos difíceis de nossa economia, aumentamos nossos financiamentos de ajuda militar a níveis recordes".

 

E, justificando esse excepcional apoio: "Todo Estado tem o direito de autodefesa e Israel precisa ser capaz de se defender". "Todo Estado" menos o palestino, é claro. Vibrantemente aplaudido pelo pessoal da AIPAC, Obama finalizou, dizendo que, em nome da segurança de Israel, os palestinos deveriam contentar-se com "um Estado soberano desmilitarizado". Ou seja, um estado incapaz de se defender de Israel ou de qualquer outro país. Sem condições de defender sua soberania, portanto.

 

O saldo desse episódio, marcado pelos dois discursos de Obama, entremeados pela vitoriosa passagem de Bibi pelo Congresso, parece desastroso para os palestinos. No primeiro discurso, poderia se visualizar algumas esperanças de uma nova atitude americana. Mas logo após o contra-ataque do primeiro-ministro israelense, com a ruidosa cobertura dos deputados e senadores americanos, Obama recuou, adotando posições adversas à causa árabe.

 

De qualquer modo, dizem alguns observadores otimistas, Obama está aos poucos defendendo idéias importantes, que favorecem a causa dos "dois Estados". Primeiro, foi a interrupção dos assentamentos. Agora, a pressa nas negociações de paz e a imposição dos limites de 1967, ainda que sujeitos a trocas de territórios.

 

Mas nada disso é aceito por Israel. Por mais que Obama procure ganhar a boa vontade do governo de Tel-aviv, defendendo seus interesses, ainda que injustos, em episódios como o veto na ONU à condenação dos novos assentamentos, o apoio na discussão do massacre da flotilha de Gaza e dos crimes na invasão de Gaza, e a negação ao reconhecimento do Estado palestino.

 

O único resultado dessa estratégia tem sido o descrédito crescente de Obama junto aos árabes, que não o consideram um mediador imparcial entre eles e os israelenses. Vão nesse sentido as declarações de Leon Panetta, diretor da CIA, e do general Petraeus, comandante no Afeganistão. Para eles, a inércia na criação de uma Palestina independente contribui decisivamente para piorar cada vez mais as relações do mundo árabe com os EUA.

 

Impossível imaginar que Obama não esteja consciente disso. Como é provável que ele realmente sinta o drama palestino e deseje uma solução justa. No entanto, essa soma de razões de Estado e razões humanitárias não tem sido suficiente para mover o presidente dos EUA a exercer uma pressão real sobre Israel.

 

Teria contra si a maioria dos congressistas, que são financiados pela AIPAC e congêneres; os lobbies da indústria de armamentos, interessada nos imensos gastos militares israelenses; grande parte do eleitorado judaico-americano; muitas igrejas fundamentalistas cristãs, jornais e redes de TV e rádio. Todos eles 100% pró-governo de Israel, seja lá quem for.

 

Com Netanyahu, ou gente como ele no poder, a paz na Palestina continuará muito longe. Enquanto isso, Obama seguirá fazendo propostas, algumas até positivas, e declarações bem articuladas que, na verdade, não são para valer. Ou melhor, são: servem para promover sua imagem de "bom moço", com vistas nas eleições presidenciais de 2012.

 

Luiz Eça é jornalista.

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Última atualização em Quarta, 15 de Junho de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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