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O livro didático adotado pelo MEC e o ensino da Língua Portuguesa Imprimir E-mail
Escrito por Silvio Profirio da Silva   
Quarta, 08 de Junho de 2011
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Segundo Carmi Ferraz Santos (2002, p. 30), "nos últimos 30 anos, surgiu uma ampla literatura na qual se discutiu o modo como vinha se processando o ensino de língua materna no Brasil. Havia nestes trabalhos a preocupação de não apenas criticar as práticas de ensino de língua portuguesa presentes na escola, mas, sobretudo apontar questões de nível conceitual e metodológico na direção de uma nova forma de se conceber o ensino".

 

Nessa perspectiva, percebemos, nas últimas décadas, uma substancial mudança nos parâmetros norteadores do ensino de Língua Portuguesa e, por conseguinte, na metodologia de ensino dessa disciplina. Mas, será que essas mudanças têm sido aceitas pela sociedade?

 

Neste mês, um livro adotado pelo MEC (Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender) tornou-se objeto de inúmeras discussões, causando muita polêmica e recebendo críticas de diversos setores da sociedade. As críticas devem-se ao fato de as autoras abordarem um fenômeno linguístico que todas as pessoas fazem uso, a variação linguística.

 

Em outras palavras, o fato de adequar a fala ao momento comunicativo (situação comunicativa). Por exemplo, a linguagem que utilizamos em momentos informais (conversas com parentes, vizinhos, amigos etc.) não é a mesma que utilizamos em momentos que requerem os usos formais da língua (apresentação, entrevista de emprego etc. (ALKMIM, 2003)).

 

Em geral, os momentos informais permitem construções que fogem da Gramática Normativa. São exemplos desse fenômeno: o tá (em detrimento do está), o pra (em detrimento do para), o uso de marcadores conversacionais da oralidade etc. Todos esses fenômenos surgem da informalidade do momento comunicativo.

 

Tal temática seria o que a Linguística, mais especificamente, a Sócio-lingüística, conceitua como variação situacional (ou também variação estilística ou de registro), por meio da qual o falante usa a língua de acordo com o ouvinte ou com o momento comunicativo (ALKMIM, 2003). Essas são as CERTAS OCASIÕES a que a autora faz alusão no livro didático em questão. Durante décadas, esses fenômenos linguísticos não obtiveram explicações. Por esse motivo, eram caracterizados como erros (e ainda são).

 

Entretanto, a partir da década de 80, diversos estudos linguísticos (Estudos do Funcionalismo, da Linguística Textual, da Análise do Discurso, da Pragmática e da Sócio-lingüística) ganham evidência e, sobretudo, se refletem na metodologia de ensino de Língua Portuguesa, o que ocasionou diversas alterações na maneira de ensinar a língua (seja ela portuguesa ou estrangeira). Todos esses estudos refletiram-se não só na metodologia de ensino, mas também nos manuais didáticos.

 

Além disso, a temática da variação situacional, ou melhor, o uso de certas construções lingüísticas em determinados momentos comunicativos vem sendo abordado por diversos processos seletivos, tais como em provas de vestibular e, acima de tudo, no ENEM. As mais recentes provas de Língua Portuguesa do ENEM trazem questões com situações reais de comunicação que abordam a diferenciação da linguagem formal e informal em função do momento comunicativo. Tais questões requerem que o aluno perceba as marcas de informalidade, como é o caso do "tá, em detrimento do está".

 

Em virtude disso, não há como deixar de abordar esses fenômenos linguísticos nos manuais didáticos. Primeiramente, pelo fato de o ensino de Língua Portuguesa ter como objetivo formar um falante competente, isto é, um falante que esteja apto a utilizar a língua de forma heterogênea. Segundo, pois é função social da escola preparar o aluno para os mais diversos momentos com os quais ele irá se deparar na sociedade, como, por exemplo, processos seletivos etc.

 

E se tais conteúdos (a temática da variação situacional) estão sendo cobrados nesses processos seletivos, nada mais justo que eles sejam abordados na sala de aula. Por essa razão, não há como deixar de abordar esses fenômenos linguísticos nos manuais didáticos (gramáticas e livros escolares). Em função disso, a autora aborda esses usos linguísticos no livro didático em foco.

 

Referências:

 

(1) SANTOS, Carmi Ferraz. A Formação em Serviço do Professor e as Mudanças no Ensino de Língua Portuguesa. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, SP, v.3, n.2, p.27-37, jun. 2002.

 

(2) ALKMIM, Tânia Maria. Sócio-lingüística. In: MUSSALIN, F.; BENTES, A. C. (orgs.). Introdução à Linguística. São Paulo: Cortez, 2003.

 

Silvio Profirio da Silva é aluno do curso de licenciatura em Letras da UFRPE.

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Última atualização em Quarta, 08 de Junho de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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