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Luta de classes Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 08 de Junho de 2011
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Há muita gente na esquerda que supõe finada a existência e a contradição entre as classes sociais. Essa contradição, que inclui unidade e luta, não seria mais o motor do desenvolvimento social. Este ocorreria porque os interesses nacionais sobrepujariam os interesses grupais e individuais e fariam com que todos, ou quase todos, agissem em apoio aos objetivos nacionais comuns.

 

Outros pensam que a luta de classes ainda está presente, mas se restringiria ao terreno econômico dos salários, abonos, horas extras, redução da carga de trabalho e assuntos afins. Tal luta, como a dos bombeiros do Rio, também deveria subordinar-se aos interesses nacionais do desenvolvimento do país.

 

Com isso, uns e outros parecem não distinguir os interesses que diferenciam os grupos sociais e os fazem se constituírem como classes. Interesses, diga-se de passagem, que, às vezes, se confrontam com os interesses nacionais. Portanto, não reconhecem a disputa e a colaboração entre as classes nos mais diversos campos da sociedade.

 

Nem classificam os políticos, parlamentares, lobistas, jornalistas e outras expressões sociais e profissionais como representantes contraditórios de interesses de classe. A partir daí, não enxergam luta de classes na resistência parlamentar e social às políticas de redistribuição de renda. A raiva de setores da classe média, ao viajarem em aviões com inúmeros passageiros de primeiro vôo, oriundos da mal classificada classe C, não passaria de inveja ou ignorância, e não do preconceito de classe.

 

A partir daí, também não entenderam por que parte do PMDB manobrou para atender aos interesses dos grandes capitalistas agrários na votação do Código Florestal. Nem se deram conta de que os interesses dos pequenos agricultores foram mergulhados no esquecimento, parecendo fazer parte dos interesses do capital agrário. Sem uma clara distinção de classe, e dos interesses realmente em disputa, alguns parlamentares erigiram os interesses nacionais de colaboração entre todas as classes, sequer notando que os grandes capitais agrícolas não estão nem aí para a nação.

 

O mesmo diz respeito à perplexidade de alguns petistas quando, ao se tornarem empresários e utilizarem os métodos legais e extra-legais comuns à prática de negócios da burguesia, se vêem atacados pela hipocrisia generalizada dos representantes dessa classe social no parlamento, na imprensa e em outras áreas políticas e sociais.

 

Apesar de haverem demonstrado seu desejo de colaboração de classe, e de fazerem nada mais do que todos os representantes da burguesia sempre fizeram, não entendem por que estão sendo atacados e colocados no centro da luta de classes real. Esquecem que, formalmente, continuam representando o partido que se declara, explicitamente, contra tudo isso. E que sua colaboração com uma parte da burguesia parecerá, à burguesia como um todo, sempre, como uma tática para comê-la pelas bordas.

 

Mesmo porque, disso a burguesia entende. A própria parte da burguesia que se viu obrigada a aliar-se ao PT, diante da disputa de poder contra outros setores da burguesia, pratica essa tática o tempo todo, na expectativa de enfraquecer e subordinar o PT a seus próprios interesses. E a parte da burguesia na oposição está sempre alerta e pronta para aproveitar qualquer deslize, real ou fictício, que petistas, no governo ou fora dele, pratiquem. Isso, independentemente de toda a burguesia praticar, sem remorsos, os mesmos deslizes que acusa desabrida e hipocritamente nos outros.

 

No império romano de César, não bastava sua mulher ser honesta. Ela também deveria parecer sempre honesta. Na República formalmente democrática do Brasil, não basta aos petistas parecerem honestos. Eles precisam ser honestos e terem a capacidade de comprovar que são honestos, embora a lei predisponha que ao acusador cabe o ônus da prova. O que, de cara, impede qualquer petista no governo de praticar os mesmos métodos de negócio praticados normalmente pelos membros da burguesia.

 

Diante das crises passadas e da atual, talvez tenha chegado o momento de o PT retomar o conceito da luta de classes como parte da realidade e tirar daí todas as conseqüências. Sua perspectiva de se manter à frente do governo para, pelo menos, implantar as reformas democráticas e sociais demandadas pela maior parte da sociedade brasileira depende de os petistas não abrirem flancos para os ataques dos representantes burgueses.

 

A aliança com uma parte da burguesia continua sendo indispensável para derrotar os setores mais reacionários e inimigos principais do povo brasileiro. Mas a esquerda não pode confundir seus métodos com os métodos da burguesia, seja aliada ou não. O grande esforço atual da direita burguesa consiste em fazer o povo acreditar que os métodos do PT não diferem em nada dos métodos dos seus representantes, tema que já esteve presente com muita força na última campanha eleitoral. Se conseguirem sucesso nesse convencimento, terão dado o primeiro passo sério para retirar o PT e a esquerda do governo.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Sexta, 10 de Junho de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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