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Apagões e luzes Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Perissé   
Quarta, 11 de Julho de 2007
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A palavra “apagão” está em voga. Basta acrescentar-lhe um adjetivo e todo mundo entende que algo em determinado setor não está funcionando: apagão aéreo, apagão educacional, apagão cultural, apagão político...


O apagão energético de 2001 foi, na verdade, um blackout. Para evitar o anglicismo, que se referia, em suas origens militares, ao procedimento de apagar as luzes de uma área prestes a sofrer bombardeio noturno, recorremos ao espanholismo rio-platense (apagón). O apagão é um escurecimento completo. Poderíamos talvez usar a palavra “blecaute”, aportuguesamento do termo inglês, mas “apagão” acabou pegando.


Deslocado do contexto da ausência de luz, o vocábulo se tornou sinônimo de interrupção, de crise, de fracasso, falência, falta de modernização. Equivale, no mundo da informática, à expressão “dar pau”. Apagar é travar.


Entre outros apagões da moda, está o “apagão do trânsito”, de que são vítimas os moradores da capital de São Paulo. Carros demais, poluição, nervosismo, engarrafamentos. Mais de 5 milhões de automóveis, sem falar dos caminhões, microônibus e motocicletas. A cidade vai travar.


A saída é não sair de carro. Melhor ainda, a saída é abrir mão do carro.


Quem não o possui bem sabe como é difícil depender de ônibus, trem e metrô. Lamentável o nosso transporte público, em clima de apagão há décadas! Um bom metrô ajudaria muito. Em São Paulo, com 11 milhões de habitantes, temos 52 estações. Barcelona, população de 1,6 milhão, mais que o dobro: 121.


Independentemente da necessária melhoria do transporte urbano, boa parte do problema se resolveria também se os donos dos automóveis adotassem novos hábitos, pensando nos pulmões de todos, no coração de todos. Para evitar o apagão do trânsito precisamos acender as luzes do bom senso.


Rápida pesquisa: há em São Paulo cerca de 35 mil taxistas. Fosse mais barato usar desse serviço, um hábito salutar seria deixar os carros na garagem (para eventuais urgências, ou algum passeio especial), e recorrer ao táxi. E os taxistas teriam mais trabalho!


Aliás, mesmo com a bandeirada de hoje, fazendo as contas, além de contribuir para a respiração da cidade, economizaríamos muito. Se me torno passageiro cotidiano do táxi, quando não de ônibus/metrô, deixo de gastar com estacionamento, IPVA, seguro, multas, consertos, combustível... Sequer terei que comprar carro!


E se o trânsito engarrafar, simples — pago o que está marcado no taxímetro, saio do carro e vou andando...

 

 

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.

Web Site: www.perisse.com.br

 

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Última atualização em Quarta, 11 de Julho de 2007
 

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