Por que não há segurança na Cidade Universitária?

 

Ao final do ano passado nos deparamos com uma situação estarrecedora: um estudante morreu após horas sem socorro ao lado da Reitoria da Universidade. Dia 18/05 desse ano, novamente somos surpreendidos com o homicídio de um estudante da Universidade que supostamente sofreria um assalto. Somos solidários aos familiares e amigos dessas vítimas e lamentamos muito os acontecimentos. É hora de dar um basta a esse descaso.

 

Ao longo desses primeiros meses do ano vimos inúmeras notícias sobre furtos, roubos e até seqüestros relâmpagos no campus. Além disso, sabemos da ocorrência de diversos casos de estupro. Falta iluminação em pontos de ônibus e diversas ruas do campus e, além disso, há muitos locais sem manutenção que se tornam grandes matagais inóspitos dentro da Universidade. Num primeiro momento, pode parecer que a saída para esse problema tão grave é o aumento de policiamento, catracas e câmeras na USP. Mas será mesmo essa a solução?

 

A USP Butantã é um gigantesco campus, com diversas unidades e pessoas circulando o tempo todo. O que poderia ser um pólo atrativo para a região, de integração e convívio com a comunidade universitária, na verdade é um espaço cercado, fechado à comunidade exterior a seus muros.

 

USP – Universidade Pública?

 

Não se entra na USP depois de determinado horário sem carteirinha. Não raro, a Guarda Universitária age de forma discriminatória com a população pobre e negra caso tente entrar na universidade.

 

Os moradores das comunidades do entorno precisam passar pelas pouquíssimas portarias e muitas vezes ser tratados de forma discriminatória dentro do campus. Não há atividades que sirvam à incorporação e acesso de qualquer pessoa que não tenha vínculo Universitário, ou seja, atraída por atividades acadêmicas (excetuando raras ocasiões).

 

Quando a Universidade se abre, mantém claramente seu corte social, a exemplo das maratonas privadas (Nike, Pão de Açúcar), de público seleto, que aqui ocorrem.

 

Como disse o diretor da FEA , a USP é um ‘aquário’, um local sujeito a crimes, porém, ao contrário do que diz, a resposta não é uma Guarda Universitária armada. Temos uma GU alheia à comunidade, preconceituosa (com homossexuais e mulheres agredidas), preocupada centralmente com a defesa do patrimônio e repressão aos estudantes.

 

A Reitoria ao resumir o debate em "mais polícia no campus" se exime de sua responsabilidade nesta que é a crônica de uma morte anunciada (roubos, seqüestros, morte por inadimplência). Propõe câmera e catracas ao invés de mais pontos de ônibus (inclusive se recusa a atender a demanda de ônibus circular gratuito até o metrô Butantã), iluminação, manutenção e guarda universitária preparada a nos atender.

 

Na verdade, o que vemos na prática é o descaso com as reais demandas e o investimento das verbas públicas naquilo que não é prioridade para a maioria da comunidade universitária – e nem para a população.

 

Por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e aberta a todos e todas!

 

Para garantir um campus seguro é necessário, ao invés da presença da PM, um corpo de funcionários públicos da Universidade que tenha relação com a comunidade e como principal meta a prevenção de delitos. Precisamos de mais iluminação, manutenção de toda a estrutura do campus (em dia, sem matagais!) e nos abrir à comunidade que financia essa instituição pública.

 

Só uma USP que faça parte da realidade da cidade e que entenda de fato seu caráter público pode superar os problemas de segurança.

 

Militarizar a Universidade não resolve nossos problemas, restringe a autonomia universitária, não mudará a vida dos que aqui trabalham e estudam e subverte o caráter da USP que queremos.

 

Queremos uma segurança preventiva na Universidade, composta por trabalhadores públicos e gerida pela comunidade, com iluminação e manutenção de todas as áreas do campus, além de democracia na gestão de recursos da Universidade.

 

USP pública e aberta a todos!

 

Coletivo A USP que queremos.

 

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Comentários   

0 #5 Inseguranca cria criminosos!Mluisa 30-05-2011 18:13
- Nao se pode negar que vivemos num mundo inseguro.Que os criminosos sempre estao com um pé á frente da policia. Saimos do industrialismo e entramos na era da tecnologia.Somos civilizados! Entao devemos viver como tal.É comprovado que violência gera violência,e com ela nao se chega a lugar nenhum.Alguém tem sugerido em colocar mais camara na aréa, e boa iluminacao.MAS....o problema é mais complexo do que se pensa.Mesmo com a moderna tecnologia o problema nao vai desaparecer!Entao devemos usar melhor o cerébro!Facamos a pergunta porque existe criminosos se nenhuma crianca nasce criminoso? A concentracao em protejer os alunos! Mas pergunto quem proteje criancas,criada e dormindo nas pontas de ruas,dormindo de barriga vázia,cheirando gazolina para matar a fome.Porque o dinheiro de imposto nao sao devididos mais justo,criando um sistema mais humano?
É comprovado que a história se repete!Temos os fatos como informacoes; mas o que se tem feito para evitar? Todos sao brasileiros,todos se precisa!Entao me pergunto:O que é democracia? O que é direitos Humanos?Para que fabricas de armas?O que acham? Conhecimento nao é poder.Conhecimentos dar possibilidades.
Infelizmente a mentalidade colonialista está muito enrraizada.Que a sombra de Lampiao, se tornou Rambo ou Hulk e vivem em muitos adultos atualmente.Criancas sao tem os adultos como exemplo,entao o que esperamos?
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0 #4 De que autonomia estamos falando?Patricia Jacques Fernandes 29-05-2011 08:19
É válida a ideia de a universidade ser monitorada por "um corpo de funcionários públicos da Universidade que tenha relação com a comunidade e como principal meta a prevenção de delitos". Mas, de que tipo de delitos estamos falando? Incluiremos aí o combate ao uso e ao tráfico de drogas, também realizado por uma parcela da comunidade universitária? Queiram ou não os usuários de drogas ilícitas, o traficante não se importa se vai matar. Ele quer vender e receber. Caso ele se perceba incomodado em seu "trabalho", atirará em quem quer que seja.
Outro ponto é: Como será a contratação desses funcionários especiais? Haverá concurso público? Quem treinará essas pessoas para lidar com criminosos armados prontos para atirar a menor ameaça? Por que não aliar mais monitoramento por câmeras, guarda universitária existente treinada para lidar com a comunidade e policiais militares?
Não esqueçamos que policiais militares também são funcionários públicos. É lógico que o modelo de existente tem o ranço da repressão, é violenta e despreparada para lidar com as diferenças, mas, por que não treinar a polícia para o monitoramento dos campi universitários? Afinal de contas, a polícia deve ser formada para lidar com a sociedade na sua integralidade.
Precisamos mudar isso. Houve a repressão nos tristes anos da Ditadura, mas não podemos ficar parados no tempo. A polícia tem que se atualizada, educada e bem formada para atuar em prol do coletivo.
A polícia é paga por todos e deve respeitar a todos. A comunidade universitária não é somente composta por alunos, professores e funcionários. A universidade precisa receber investimentos que ampliem a segurança e o bem-estar de todos que por ela circulam. A universidade é de TODOS os brasileiros, pois todos nós pagamos impostos.
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0 #3 Por que?Mluisa 22-05-2011 11:18
Porque nao fecham as fabricas de armas!?
Se vive-se em tempo de paz!
Melhor evitar do que remediar!
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0 #2 Aproveitar a comoção popular e empurrar Fabio sousa 20-05-2011 21:15
Como aluno da graduação confirmo esses relatos do coletivo. Lamento infinitamente a morte do nosso colega estudante. Porem, vivemos na usp um momento muito complicado. A ultima vez que a reitoria autorizou a entrada da pm deu em abusos como violencia fisica contra alunos e professores em protestos por melhiras na universidade 2 anos atras. A pm tiraria a liberdade de manifestção e tudo que o 1odas e o psdb desejam é manter alunos e porfssores sob seus olhos de abutres. A pm não é a solução! O problema é antes de tudo politico e social!
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0 #1 Cumprimentos pela iniciativaAna Felippe 20-05-2011 14:58
Olá estudantes! Bom que vocês estejam na articulação.
Com satisfação postamos esta matéria em http://seaf-filosofia.blogspot.com/ ressaltando que esse tipo de Problema é frequente nas universidades brasileiras, especialmente naquelas que estão em campus. Vale anotar que, a nosso ver, a "reengenharia" que levou à terceirização de serviços é a grande responsável por isso. Diz-se que terceirizam-se serviços "não essenciais". E o que são serviços essenciais? Vale debater os conceitos na área da administração do campus, exatamente como se debate no hiato da sala de aula!
Sigam.
O Brasil precisa dessa atitude.
Abraço!
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