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Músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira questionam capacidade do maestro Minczuk Imprimir E-mail
Escrito por Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação   
Sexta, 13 de Maio de 2011
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No mês de abril, um escândalo dos mais inesperados irrompeu no campo da cultura brasileira: uma enorme crise foi deflagrada na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). O maestro, Robert Minczuk, tentou empreender uma truculenta série de avaliações dos músicos, procedimento desconhecido de toda e qualquer orquestra de "nível internacional". Em protesto, os músicos não concordaram em se submeter a tal procedimento, o que acarretou na demissão por justa causa de 44 dos 82 integrantes da OSB.

 

Para tratar do assunto, o Correio da Cidadania entrevistou Luzer David Machtyngier, ex-presidente da comissão dos músicos da orquestra e um dos líderes do movimento que exige a reintegração dos demitidos, além da saída do maestro. Por sinal, Minczuk foi pego em flagrante irregularidade, pois veio a público a informação de que, além da batuta, exercia ainda a direção administrativa do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, um ilegal (e milionário) acúmulo de cargos – agora, afastou-se do Theatro.

 

De acordo com Luzer David, o procedimento adotado pelo maestro é absolutamente inaceitável, uma vez que músicos com décadas de experiência e serviços prestados à orquestra não precisam de um duvidoso processo de avaliação. No entanto, acredita que haja intenções obscuras por trás das demissões, uma vez que a própria administração da OSB admitiu que um período mais generoso financeiramente se aproxima. Dessa forma, não se pode imaginar, ainda, os reais objetivos de uma reformulação avassaladora no elenco. Mas ele nos lembra que, na época das vacas magras e atraso de salários, os demitidos de agora mantiveram a orquestra viva.

 

Alguns grandes veículos entrevistaram o maestro Minczuk, entre eles a revista Veja em suas páginas amarelas, apresentando-o como mentor de "uma guerra santa contra a mediocridade e o corporativismo e pela excelência artística". Deputados da Assembléia carioca já trabalham, no entanto, na apuração de suas irregularidades. Além disso, já se mostraram a favor da reintegração dos músicos, vítimas de absurda insensibilidade, como diz a deputada federal Jandira Feghali e também o nosso entrevistado.

 

A conversa completa com Luzer David Machtyngier pode ser conferida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Como o senhor analisa a tentativa de demissão de músicos há longos anos integrantes da OSB, sob a alegação de ausência na avaliação proposta pelo maestro Roberto Minczuk? Sabe-se, inclusive, que alguns foram notificados da "ausência" antes mesmo da hora marcada para tal avaliação.

 

Luzer David Machtyngier: A impressão que temos desde o início da crise é de que essa avaliação de desempenho constituía, na verdade, uma cortina de fumaça no sentido de promover uma série de demissões, o que acabou acontecendo - tanto através de demissões por justa causa, como também por um programa de demissão voluntária, aderido por apenas três músicos.

 

Correio da Cidadania: O senhor considera uma prática cabível que músicos que chegam, alguns deles, a 40 anos de atuação reconhecida tenham de ser avaliados da forma como se propôs, diante de uma banca internacional, em audição única? Existem exemplos correlatos em outros países?

 

Luzer David Machtyngier: Não, é evidente que não. Desde o início deste processo, quando recebemos a convocação por correspondência, avisando-nos que o programa seria implementado – o que ocorreu na primeira quinzena de março –, oferecemos um farto material à direção artística e à administração da orquestra, no sentido de mostrar que tal programa não é executado em nenhuma orquestra de "nível internacional", como eles gostam de citar, em nenhum lugar do mundo.

 

Isso inclusive foi confirmado por manifestações de apoio que recebemos nesses últimos tempos, da Alemanha, de Israel, EUA, por exemplo, comprovando que tal tipo de avaliação não tem o menor sentido.

 

Correio da Cidadania: Demitir funcionários com 40 anos de orquestra, portadores de currículo e capacidade altamente reconhecidos no meio, utilizando-se, ademais, de expediente polêmico, é um acontecimento no mínimo surpreendente. Existiriam por trás desse acontecimento motivações políticas e/ou pessoais subliminares?

 

Luzer David Machtyngier: Não temos como comprovar, mas tudo indica que sim. Tanto questões políticas como pessoais, como citado. E isso está sendo analisado e investigado, principalmente o fundo político, junto ao poder legislativo do Rio de Janeiro.

 

Tivemos uma audiência pública com quatro deputados estaduais e um representante da deputada federal Jandira Feghali; uma audiência para a qual a administração da orquestra foi convidada, mas não compareceu.

 

O resultado dessa investigação deve comprovar a conotação política do programa de demissões voluntária.

 

Correio da Cidadania: A direção da orquestra chegou a mencionar que alguns temas têm ganhado grande proporção, pois estaria se avizinhando um período mais generoso em termos de verbas, com mais dinheiro sendo investido na orquestra, o que traria novidades nos próximos tempos. É possível fazer alguma correlação entre esta menção e as demissões? Haveria interesses clientelistas por trás dos intentos de reformulação da orquestra?

 

Luzer David Machtyngier: A gente imagina que essa melhoria orçamentária experimentada pela orquestra tenha grande contribuição do trabalho que os músicos executaram ao longo desse período todo, de muitos anos.

 

Além do mais, na época das vacas magras, muitos músicos sofreram com importantes atrasos salariais, de longos períodos, e nem assim abandonaram o trabalho.

 

Portanto, a sustentação da orquestra se deve fundamentalmente ao trabalho realizado pelos músicos, permitindo que a orquestra sobrevivesse.

 

Correio da Cidadania: Como está neste momento o desenrolar dos acontecimentos, no que se refere à permanência do maestro Roberto Minczuk à frente da OSB e à demissão dos músicos?

 

Luzer David Machtyngier: Quanto aos músicos, 36 dos 44 que não compareceram às audições já foram demitidos por justa causa. Os oito remanescentes ainda estão com suas situações sendo analisadas, já que muitos não compareceram em função de doença, encaminhamento errôneo da correspondência que comunicava o horário das audições...

 

Do ponto de vista dos demitidos, lutamos por sua reintegração. E faz parte da proposta encaminhada pelos músicos à administração o pedido de afastamento do maestro, considerando a sua falta de liderança e incapacidade de administração, visto que, em seis anos de trabalho, não pôde avaliar o poder artístico dos músicos. A ponto de necessitar, após seis anos, de uma avaliação de desempenho para ter uma noção exata dos músicos que ele teria sob seu comando.

 

Correio da Cidadania: Imagina que as demissões possam ser revistas?

 

Luzer David Machtyngier: A partir do momento em que nossas reivindicações sejam atendidas, acreditamos que sim. O que acontece não é uma inflexibilidade dos músicos, e sim a consideração de que a permanência do Minczuk e a troca da demissão por justa causa por uma suspensão, como querem os administradores, não representam as condições para concretizar a reintegração.

 

Correio da Cidadania: O concerto-manifesto realizado sábado, 30 de abril, com a participação, entre outros, da pianista Cristina Ortiz e do maestro Oswaldo Colarusso, teve alguma repercussão neste sentido?

 

Luzer David Machtyngier: O concerto daquele sábado foi bastante favorável em termos de público e crítica, servindo para comprovar definitivamente que esses músicos têm competência o bastante para realizar um espetáculo do nível que foi apresentado. Não foi à toa que vários artistas, como esses citados, se mostraram solidários à causa.

 

Correio da Cidadania: E como está o clima na orquestra, entre os músicos e também em relação à Fundação?

 

Luzer David Machtyngier: O nosso contato, dos músicos demitidos com a administração, nesse momento praticamente não existe, uma vez que eles mesmos colocaram um comunicado de meia página no jornal O Globo dando as negociações por encerradas.

 

Do nosso ponto de vista, as negociações podem ser reabertas a qualquer momento, desde que nossas reivindicações sejam estudadas com um carinho que até agora não houve.

 

Correio da Cidadania: Quanto à comissão aberta na Assembléia Legislativa carioca, ela tem passado confiança, no sentido de resolver o assunto por uma via mais humana, tal como defendeu a deputada federal Jandira Feghali em artigo recente?

 

Luzer David Machtyngier: Com toda certeza. Temos absoluta confiança de que a manifestação e o trabalho iniciado pelos parlamentares trarão frutos muito interessantes para que seja possibilitada a reintegração de nosso elenco de músicos, tal como pretendemos.

 

Correio da Cidadania: Finalmente, qual a sua opinião quanto à política cultural em nosso país, especialmente no que se refere ao incentivo à formação musical e à música clássica? Estes últimos acontecimentos na OSB estão, a seu ver, de alguma forma, ligados à nossa política cultural?

 

Luzer David Machtyngier: A política cultural de nosso país – temos que reconhecer com alegria – tem experimentado incrementos muito interessantes. O governo tem se preocupado bastante com a importância da educação na formação dos jovens.

 

Especificamente a respeito da musica clássica e a música de modo geral, há dois anos foi aprovado um projeto de lei que obriga as escolas públicas de Ensino Fundamental a colocarem em seu currículo o ensino da música. Isso certamente trará frutos muito interessantes, do ponto de vista da educação geral de nossos jovens e também para descobrir talentos que poderão levar a música brasileira ao mundo todo.

 

Correio da Cidadania: Portanto, os últimos acontecimentos relativos à orquestra não têm relação direta com as políticas culturais do país?

 

Luzer David Machtyngier: Não. Sob o nosso ponto de vista, trata-se de algo interno à orquestra. O que está acontecendo na orquestra não resulta de influência nenhuma do poder público. Muito pelo contrário, como mostrou a audiência da Alerj, o poder público está mobilizado para dar uma solução digna a todos esses acontecimentos.

 

Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

 

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Última atualização em Qui, 26 de Maio de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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