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Governos Lulla, Dillma e o PT: a manipulação dos números Imprimir E-mail
Escrito por Raymundo Araujo Filho   
Sexta, 13 de Maio de 2011
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"Ao abrir seu bar, o dono viu, com surpresa, o bêbado entrar no estabelecimento e lhe pedir uma coxinha de galinha. Quando ia mordê-la, o bêbado a devolveu dizendo "por favor troque a coxinha pelo mesmo valor, mas de pinga".  Mal recebeu a branquinha, bebeu-a de um só trago, virou as costas e saiu do bar, ganhando a rua. O dono do boteco correu e interpelou-o: "Ó pá! Saístes sem pagar a pinga!". O bêbado respondeu "Mas eu a troquei pela coxinha de galinha...". "Mas então pague a coxinha, ao menos", respondeu o dono do boteco, com cara de esperto. E o bêbado respondeu: "Mas eu não comi a coxinha....".

 

Não é nada confortável, no século XXI, estarmos a fazer críticas às ações equivocadas e omissões propositais, desta vez levadas a cabo por aqueles que, durante 20 anos, se disseram a força política que poderia mudar o Brasil, mudar o curso das coisas e inaugurar outra era na política brasileira. Uma era de mais ética e com combate à acumulação de capital pelos mais ricos, à custa do empobrecimento geral da nação, além de combate à rapinagem econômica internacional. Traíram esta agenda, ainda se tornando aliados dos quadros da direita que combatemos há décadas, mas agora ilustres apaniguados desta nova aristocracia política, inaugurada nacionalmente com a eleição de Lulla e reeleita com Dillma e penduricalhos.

 

Assim, na perspectiva de elucidar este complexo e pobre momento político brasileiro, a mim cabe tentar a lucidez política, mas também as análises, como fiz no artigo "Aumento de Salário, sofisticação da renda e qualificação do consumo" e farei agora sobre esta falácia da "diminuição recorde da pobreza extrema no Brasil".

 

Começamos por esclarecer que a faixa de corte que determina quem é "extremamente pobre" é totalmente arbitrária, nos seus R$ 70 por mês (= R$ 2,3 ao dia). O número é tão arbitrário que sequer respeita o valor marco de R$120,00 / mês (R$ 4,00 ao dia), que é o corte para o recebimento do Bolsa Família. Dizem que o índice é da ONU, o que só mostra a incongruência destes números, devido à flutuação do poder de compra do dólar, entre os países.

 

Mas mesmo sobre a pobreza extrema do governo, temos uma conta que não chega. O último relatório do IPEA nos mostra que temos 15 milhões de brasileiros nesta situação (R$ 2,3 ao dia). Ora! Lulla e sua troupe de malabaristas de números contestavam a cifra de 50 milhões de brasileiros na faixa de miséria, que usaram para se elegerem contra Serra (pois perderam duas vezes para FHC). No primeiro dia de mandato, começaram imediatamente a adotar o número dos tucanos que, se me lembro bem, era de 32 milhões de brasileiros na faixa de "até" R$ 2,3 ao dia.

 

Agora nos dizem que temos 15 milhões de "pobres extremos", obrigando-me a concluir que o que se fez de mais profundo no Combate à Miséria foi colocar 17 milhões de Brasileiros sem nada, ou quase nada, na faixa da iniqüidade econômica de, repito, "até" R$ 2,3 ao dia. Dizendo-se que se sai desta situação extremosa quem recebe esta "merreca", ainda mais desobrigando-se, o governo, de gastar com estruturas de acolhimento e promoção social - como não pagar a pinga e dizer que não comeu a coxinha de galinha.

 

E com o presidente Lulla a propalar, mais de uma vez e em convescote de bacanas, que "os banqueiros lucraram mais comigo do que em qualquer outro governo anterior ao meu" (se vangloriando disso). Sendo que isso representa cerca de mil vezes mais do que foi gasto com estes 17 milhões de brasileiros, que dizem ter "tirado da miséria extrema" com, repito, iníquos R$ 2,3 ao dia.

 

Mas tratemos dos miseráveis, não daqueles de caráter, mas de dinheiro. Dando de "lambuja" os números de Lulla e FHC, aqueles 32 milhões em 2002 de "miseráveis extremos", contra os 50 milhões do falecido, e esquecido, Betinho (duvido que hoje ele estaria em apoio a isso aí, que o IBASE apóia, mesmo criticamente...).

 

Podemos, seguindo então a linha do governo, por exemplo, classificar não como miseráveis extremos, mas sim miseráveis, aqueles que ganham de R$ 70 a R$120 por mês. Estes têm entre os R$ 2,3 e R$ 4,0 ao dia e, portanto, além de comerem menos de 1000 calorias / dia (o mínimo aceitável é de 2 mil calorias), não têm onde morar, o que vestir nem como se transportar. É sabido que a estrutura social de acolhimento dos Sem Teto neste país de Lulla e Dillma, tal como foi no de Collor e FHC, é deficitária, ano a ano, em relação aos que passam a necessitar de amparo social.

 

Afirmo, sem medo de errar, que nesta faixa dos "até R$ 120 / mês" temos cerca de 40 milhões de brasileiros (quem viaja o Brasil, como eu, sabe que esta é uma faixa provável). Colaborando com a elucidação sobre os dados do próprio IPEA, rumamos para a faixa dos que recebem entre R$120 e R$ 250. Alerto que considero, assim como o governo, TODOS os brasileiros, inclusive crianças, que "repartem o salário de seus pais, para a conta per capita".

 

Assim, temos perto de outros 40 milhões de brasileiros nesta faixa de R$ 4,00 a pouco mais de R$ 8,00 ao dia, que podemos considerar apenas miseráveis, sem adjetivos. Vejam bem o que seria de suas vidas se cada um que lê este artigo tivesse este dinheiro por dia, mesmo excluindo tudo aquilo que não faz parte da sobrevivência física imediata.

 

De posse então da análise da vida econômica de cerca de 100 milhões de brasileiros, passemos adiante.

 

Agora analisaremos a faixa que vai de R$ 250 a R$ 545 ao mês (de pouco mais de R$ 8 a cerca de R$ 16 ao dia). Estes, a ex-esquerda Corporation chama de pobres, assim, sem adjetivos. Uma singeleza... Estes somam cerca de 40 milhões de brasileiros, ou algo muito próximo a isso.

 

Assim, no país pós-Lulla e de Dillma, 140 milhões de brasileiros estão na faixa de ATÉ R$545 ao mês, divididos equanimente nas três faixas descritas acima. Apenas, diferentemente do pessoal que nos governa, eu as nomeio Indigência Sócio-Econômica, Iniqüidade Econômica e Pobreza Extrema, respectivamente.

 

Agora, vamos nos ocupar daqueles que o governo considera de "classe média", por receberem de 1 a 4 salários mínimos por mês, isto é, cerca de R$ 16 a R$ 64 ao dia, mostrando-nos que "não se faz mais classe média como antigamente". Uma classe média sem poupança e com 25% de inadimplência ao farto crédito com juros escorchantes embutidos. Além de gastarem parte dos seus parcos proventos em planos de saúde, transporte e educação. Aí estão mais cerca de 30 milhões de brasileiros.

 

Passemos agora um pouco mais para cima da tal Pirâmide Econômica. Estamos na faixa dos 4 a 10 salários mínimos, que antes eram chamados de classe média remediada, mas agora têm a alcunha de classe média alta, quase ricos. Estes existem na razão de cerca de 15 milhões de brasileiros, ou alguém aí vai contestar? Estes, se não têm problemas agudos, sabem que, no dia em que se aposentarem, vão perceber no máximo 3 salários mínimos de referência, do INSS, pelo qual descontaram pelo máximo e dificilmente acumularão bens e rendimentos.

 

Assim, temos cerca de 175 milhões de brasileiros que recebem de quase nada a algo em torno de 10 salários mínimos, em proporção inversamente proporcional ao aumento dos ganhos.

 

Podemos ainda colocar cerca de 10 milhões que recebem de 10 a 20 salários mínimos (R$ 5545 a R$ 11090), somando então 190 milhões de brasileiros nestas faixas todas, sendo que, acima de R$1300 ao mês inicia-se o desconto progressivo do imposto de renda, de 7,5% a 27,5%.

 

Estes, do parágrafo acima e do anterior, eram considerados a classe média de antigamente. Os tempos mudaram e os governantes também... Mas a porcaria só fede cada vez mais.

 

Assim, sobram os despreocupados que recebem mais de R$ 12 mil por mês (*) e o Eike "X" Batista que parece ser, sozinho, uma classe econômica... -ESTES PERFAZEM NO MÁXIMO 5 MILHÕES DE PESSOAS, SE TANTO.

 

Estes, senhores e senhoras que conhecem aritmética básica (coisa que os do governo parecem não saber), é o resultado de oito anos e meio em que se mantém a transferência de renda anual para os ricos, de cerca de R$ 300 bilhões – segundo os dados do PNUD avalizados pelo IPEA. Dez vezes mais do que para os pobres, fora o caixa dois e o Pré Sal, transformando esta safadeza no "maior feito social de todos os tempos".

 

Desconsideram que os empregos na indústria claudicam, que nosso parque industrial idem, que a exoneração de nossas riquezas naturais é algo avassalador, à custa da alienação popular.

 

Podem enganar muitos por muito tempo. Mas não a todos o tempo todo...

 

(*) Lembrando que, para que cada membro de uma família de quatro pessoas receba R$ 12 mil por mês, o total de ganhos por lá tem de ser de R$ 48 mil por mês.

 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e se obriga a fazer as contas que o governo faz e esconde; e aqueles que deviam fazer não fazem e se escondem.

 

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Última atualização em Terça, 17 de Maio de 2011
 

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