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Si hay gobierno soy gobierno Imprimir E-mail
Escrito por Argemiro Procópio   
Sexta, 06 de Maio de 2011
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Políticas internas amparadas em programas de transferência de renda insuficientes para resgatar as dívidas do sistema para com a população de baixa renda roubam oportunidades da responsabilidade pública, que precisa centrar seus projetos na diminuição das ineficiências e das desigualdades. Por não fazer de anti-modelo o pacote de leis do serviço público que concentra a renda, a política das altas taxas de juros e de exportação de produtos primários configurou um Brasil de abundância sem acesso do povo a tal fartura.

 

Apóstolo da paz que rubricou milionários negócios de armas de guerra, nunca dando ponto sem nó para não descosturar a sua máscara, Lula, o operário vocacionado para a vida palaciana, postou-se firme na fila de nomes indicados para receber o Nobel da Paz. Sua teimosia, rodeada de estudada indecisão para adquirir os mundialmente mal falados aviões de combate e material bélico francês de duvidosa reputação tecnológica, valeu a eterna simpatia da mídia gaulesa e antecipados agradecimentos de Paris. Na reunião do G-20 em Pittsburgh, setembro de 2009, Nicolas Sarkozy, jamais imaginando a futura oposição dos Estados Unidos da América, efetivamente levantou o nome do então presidente brasileiro para suceder a Ban Ki-Moon no posto de Secretário Geral da ONU.

 

No tempo em que preocupações éticas e escrúpulos destacavam o PT dos demais partidos, os movimentos de base lhe transmitiam força. Esperavam que tomasse o território simbólico da lei da selva hobbesiana para libertar, com a ajuda de Beremoth, o povo da lei do mais forte. No momento da sua fundação o mencionado partido guardava o desiderato de um estado de sociedade. Desse ideal os companheiros e as companheiras escaparam logo depois da conquista do Poder.

 

Fiel a outras vocações, a República Sindicalista se abriu em múltiplas concessões sem se fechar por ideal contra as desigualdades. Se vier a se arrepender e rogar por indulgência plenária pelos seus pecados, recuperará a memória histórica. Lembrará que mãos da Igreja Católica, mordidas pela transposição das águas do rio São Francisco e outras arbitrariedades, estenderam-se antes de outras e o cumularam de bênçãos.

 

Versão oficial enlatada e de validade vencida, tal combinação provoca desarranjos intestinos de efeitos colaterais na interpretação acadêmica da marca brasileira no mundo. Cooptado, o pensamento acrítico legitima equívocos. Ao confundir história das relações internacionais do Brasil com resenha de política externa arrematada na linha do si hay gobierno, soy gobierno, essa opção conflita com a prática weberiana que distingue o ideal do cientista da vocação pelega.

 

A construção da história da política exterior sombreada pelo espírito de corpo do establishment, nada afeito ao movimento multidimensional das idéias, impede novas formas de pensar a diplomacia. Esquece que “o desenvolvimento da ciência dissolve o ‘conhecido’ cada vez mais em ‘desconhecido’”.

 

Ventos que unicamente rumam ao que é Governo contrariam o diálogo das diferentes tendências. A identificação de escolas da academia com o Poder, por exemplo, a Escola de Brasília, tal identificação empece uma análise independente a respeito do pensamento político-diplomático brasileiro. A ausência crítico-analítica inerente ao intelectual orgânico faz dele um monoglota com conhecimento de uma história cujas fronteiras iniciam e terminam nos jardins palacianos. Escolhido a dedo, geralmente divide responsabilidades na formação do diplomata.

 

A fidelidade oportunista no debate sobre a política exterior percorre caminhos da parcialidade, prejudiciais à qualidade da reflexão. Retira tanto a clareza quanto a objetividade científica da análise, condecorada por dourar a realidade nos conformes do ditkat da ideologia da ocasião.

 

A lista dos favores dispara o interesse dos identificados com o Poder. Longa, ela inclui na Nomenklatur vários grupos de indivíduos e classes que se deixam cooptar. Na sociedade onde as farsas coexistem com a mesma facilidade que se vira a casaca, a moral como mímica ensina desqualificar a crítica social presente na comparação do interno com o externo. Quando a responsabilidade interpretativa e a autonomia do pensamento perdem a independência para que a diplomacia seja vista acima de toda e qualquer suspeita, a endogeneidade da desonestidade intelectual promove um perigoso amadurecimento da covardia civil.

 

Os responsáveis por documentar o comportamento da história diplomática, quando incapazes de se salvar dos seus salvadores, se dobram ao alinhamento com a docilidade que a proximidade ao poder exige. A produção acadêmica de encomenda brinda aos intelectuais orgânicos uma inconfundível vocação para enlourar o status quo do serviço exterior. Raramente apontam os culpados do crescimento econômico mais vagaroso que o dos vizinhos, e pelo acanhado espaço do Brasil nas relações internacionais. Ou seja, o quinto país em território e população com menos de 1% no comércio mundial!

 

O contorno coadjuvante, seja na sociologia, seja na história do estudo da política externa, vicia epistemologias. Além dos paradoxos, eles costumam reabilitar um lokalpatriotismus municiado de bandeira sob a qual as vaidades cantam o seu hino.

 

A limitação das metas sistêmicas e as ambivalências, mesmo as de custosa reparação, a coragem civil corrige na universalidade do pensar oposto ao corporativismo ávido por recompensas. O oportunismo político raras vezes deixou de mostrar presença, nas etapas, nem sempre evolutivas, dos negócios da política exterior no Brasil e na América Latina em geral.

 

Argemiro Procópio, professor titular do IREL.

 

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Última atualização em Sexta, 06 de Maio de 2011
 

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