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Sobre a Guerrilha do Araguaia Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 04 de Maio de 2011
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Algum oficial ou ex-oficial das Forças Armadas, o jornalista Lucas Figueiredo e a Revista Carta Capital prestaram um grande serviço à história do povo brasileiro. Segundo o próprio Figueiredo, tornaram público o "registro histórico mais aprofundado" sobre a Guerrilha do Araguaia, travada nas selvas do sul do Pará. Isto é, o Diário de Maurício Grabois, principal comandante da guerrilha, escrito entre abril de 1972 e dezembro de 1973.

 

Esse feito, porém, não isenta Figueiredo de críticas pelas deduções ligeiras que faz de sua própria leitura do texto e por erros de informação que poderia ter evitado. Em primeiro lugar, talvez mesmo sem intenção, tenha acusado Grabois de ter sido rígido com seus comandados "neófitos", enquanto não o era consigo mesmo, o que não transparece nas páginas do Diário. Ao contrário, Grabois demonstra, em vários momentos, sua admiração pelo que chamou de "juventude generosa, abnegada e valente", participando de um movimento que colocava em evidência suas altas qualidades.

 

Na prática, a observação negativa de Figueiredo induz o leitor a concluir que a Guerrilha do Araguaia não passou de um bando de jovens citadinos, numa aventura em que, por isso mesmo, jamais poderia ter sucesso. Esse tipo de conclusão foi desmentido pela história. Mao Zedong, Ho Chi Min e Fidel Castro eram jovens citadinos que se transformaram em líderes de revoluções que tiveram, na maior parte do tempo, como cenários principais, as zonas rurais.

 

Por outro lado, essa conclusão também desqualifica mais de meia centena de jovens que imolaram suas vidas na luta contra a ditadura. Alguns deles se encontravam realizando trabalho entre os camponeses de Goiás, Tocantins e Pará desde 1965, havendo granjeado sua simpatia e seu respeito bem antes do início das ações armadas.

 

Portanto, também merecem não só o nosso respeito como nosso reconhecimento por sua contribuição para dar fim ao regime militar que assolou nosso país por mais de 20 anos. Aliás, essa questão tem sido um dos principais problemas da esquerda, aí incluído o PCdoB, para avaliar mais profundamente a luta armada no Brasil. Como avaliar e fazer a crítica severa dessas diversas tentativas armadas, empreendidas entre 1964 e 1973, todas elas derrotadas, sem manchar o sacrifício daqueles que deram suas vidas nessas lutas?

 

Muita gente supõe que, para honrar adequadamente os que tombaram, talvez seja mais conveniente não mexer nas feridas da derrota. Outros, convencidos de que a luta armada foi inapropriada, e será sempre inapropriada, simplesmente consideram que não há lições a tirar das diversas experiências ocorridas. Entre estes, há ainda os que culpam a luta armada pelas mortes daqueles que advogavam o caminho pacífico, como se os esbirros do regime militar se incomodassem em distinguir seus opositores por essas diferenças.

 

O que realmente interessava à ditadura era liquidar todas as antigas lideranças populares e democráticas e esmagar qualquer núcleo organizado de resistência, armado ou não. O resto era detalhe. Além disso, seguir um ou outro caminho de luta depende menos do lado de cá do que do lado de lá. Em 1964, quem impôs uma decisão armada foi a direita civil e militar, embora naquele período grande parte da esquerda também pensasse erroneamente que ela poderia impor tal solução.

 

Em segundo lugar, Figueiredo também demonstra desconhecimento de certos fatos históricos relacionados com a Guerrilha do Araguaia e com o PCdoB, que a promoveu, ao afirmar que os que não morreram no Araguaia não tinham deixado relatos consistentes sobre os acontecimentos. Antes de morrer assassinado na Chacina da Lapa, de São Paulo, não do Rio de Janeiro, Ângelo Arroyo apresentou ao comitê central do PCdoB um circunstanciado relatório sobre a guerrilha, ainda em 1974.

 

Esse relatório, que serviu de base para a avaliação que o comitê central do partido passou a realizar sobre aquela luta, foi apreendido pela repressão policial-militar durante aquela chacina. O relatório Arroyo contém as principais informações sobre os acontecimentos que vão do início das operações militares, em abril de 1972, até o massacre do comando militar da guerrilha, em dezembro de 1973, não se diferenciando em nada das informações essenciais contidas no Diário de Grabois. Se não foi incinerado pelo hábito das classes dominantes brasileiras em destruir evidências históricas, pode ser consultado por todos que se interessam pelos tempos sanguinários.

 

De qualquer modo, a publicação do Diário de Grabois recoloca na ordem do dia a discussão sobre as lutas armadas ocorridas no Brasil contra o regime militar, não apenas sobre a Guerrilha do Araguaia. Como a luta armada está fora de questão no atual processo político brasileiro, tal discussão histórica talvez possa ocorrer num ambiente mais sereno e permita uma análise mais profunda sobre as diversas experiências, análise que nos ajude a tirar as lições que qualquer experiência histórica contém.

 

Se isso ocorrer, os erros que Figueiredo imputa a Grabois se dissolverão por toda uma geração de brasileiros que, diante da brutalidade da ditadura militar, colocou o militar à frente do político e os grupos armados acima do partido, considerou a defensiva como erro imperdoável, tomou a subestimação da força do inimigo e a superestimação de suas próprias forças como inspiração de luta, confundiu granjear simpatia e amizade com trabalho político e propaganda armada com trabalho de massa, desconsiderou a necessidade de realizar trabalho de massa secreto nas condições de clandestinidade, desdenhou a influência das concessões do regime sobre o espírito de luta das massas e supôs imutáveis as formas de ação da ditadura.

 

O Diário de Grabois tem o mérito de expressar com nitidez, nas medidas e nas ações práticas, todas essas concepções que faziam parte do pensamento de grande parte da esquerda durante o regime militar, mesmo teoricamente supondo estar aplicando outra linha política. Nesse sentido, o lado humano de Grabois não se revela apenas em sua dor, angústia, solidão e saudades da família, contempladas no texto. Revela-se também em haver tomado partido, sem temer cometer erros e colocar em risco a própria vida, na luta mortal entre a maior parte do povo brasileiro e a ditadura militar.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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Última atualização em Sexta, 06 de Maio de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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