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A direita e a sua fábrica de mentira Imprimir E-mail
Escrito por Atilio Borón   
Qui, 28 de Abril de 2011
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A cúpula da extrema-direita mundial em Buenos Aires revela diversas coisas. Mais visivelmente, o crescente desespero do imperialismo em "reorganizar as suas tropas" e tentar recuperar o controle total do continente.

 

A heróica resistência de Cuba (onde o VI Congresso do Partido Comunista de Cuba acaba de ratificar a continuação do projeto socialista, devidamente atualizado); a força política radical dos processos em curso na Venezuela, Bolívia e Equador; e, finalmente, a persistência de uma orientação latino-americanista e integracionista no Brasil, Argentina e Uruguai geram ansiedade nos administradores imperiais.

 

O resultado do primeiro turno das eleições no Peru e a probabilidade de uma vitória de Ollanta Humala é outra dor de cabeça para o ocupante da Casa Branca. Daí a hiperatividade dos publicistas imperiais, com Mario Vargas Llosa como aclamada figura de proa, acompanhado por figuras pouco apresentáveis tais como Jose Maria Aznar, derrotado numa eleição por mentir descaradamente aos espanhóis sobre os atentados de Atocha, e Arnold Schwarzenegger, o arquiteto da destruição progressiva do mais importante sistema de universidades públicas nos Estados Unidos, a Universidade da Califórnia, que combinou amplos critérios de inclusão social com altos níveis de excelência acadêmica.

 

A chegada à Argentina deste contingente, organizado e financiado por poderosos "think tanks" da direita radical, como a Mount Pelerin Society, o Instituto Cato, a Heritage Foundation e o National Endowment for Democracy, com laços estreitos com os serviços de inteligência dos Estados Unidos e um desonroso ativismo a serviço das mais criminosas ditaduras latino-americanas, demonstra a internacionalização agressiva da direita, sob a direção geral de Washington, e a importância que atribuem à "reconquista" deste continente.

 

Mas o evento também revela algo que nem mesmo o uso virtuoso da linguagem de Vargas Llosa, ou os artifícios retóricos de outro visitante, Fernando Savater, pode esconder: o neoliberalismo é uma receita que só serve para enriquecer os ricos e empobrecer os pobres. Estão aí a comprová-lo os casos, já não da América Latina, mas da Europa rica e dos próprios Estados Unidos, exemplos claros da débâcle a que levam às políticas neoliberais. Num movimento sem precedentes, a agência de cotação de risco Standard & Poors acaba de modificar a nota dos títulos da dívida dos EUA de "estável" para "negativa".

 

O neoliberalismo transformou a superpotência imperialista numa nação de mendigos que irá sobreviver enquanto os chineses, japoneses e sul-coreanos estiverem dispostos a continuar a emprestar-lhes dinheiro. A dívida pública dos EUA chegou a 47000 dólares per capita, e a nível mundial já supera 14 trilhões de dólares, um montante igual ao seu PIB, enquanto há apenas 30 anos oscilava em torno de 1 trilhão de dólares. Um sucesso das políticas neoliberais, é claro!

 

Por sua vez, a crise na Europa, que começou na Grécia, já se alastrou com seu "efeito dominó" a Portugal e Irlanda; Itália e Espanha estão no fio da navalha, enquanto a França, Inglaterra e Alemanha vêem a sua situação deteriorar-se dia após dia. Mas os ideólogos e propagandistas do neoliberalismo persistem no seu sermão, pois nas águas turbulentas da crise o capital financeiro fortalece-se à custa dos milhões que são declarados em bancarrota. Três milhões de mutuários de hipotecas em falta nos Estados Unidos não impediram que o salário anual dos principais CEOs de Wall Street voltasse aos níveis multimilionários. Numa palavra, os nossos ilustres visitantes não são nada mais do que um bando de vigaristas e publicitários, que na sua ideologia barata ignoram os dados que emergem da experiência, da realidade.

 

Uma vez que os participantes do conclave de Buenos Aires insistem tanto nos benefícios do neoliberalismo para a nossa região (e nas virtudes do modelo chileno, tão exaltadas por um dos seus porta-vozes, também participante na reunião, Sebastian Edwards), é oportuno dar uma olhadela no que pensam os latino-americanos a respeito das políticas neoliberais.

 

A consultora Latinobarómetro publica uma pesquisa anual das opiniões e atitudes políticas e sociais da população em 18 países da região. Os seus dados são ainda mais relevantes porque é uma empresa com um forte viés conservador e insuspeita de ser crítica do neoliberalismo. Em edições anteriores do relatório anual esqueceu-se de mencionar que em 2002 tinha havido um golpe de Estado na Venezuela. Agora, na página 26 do seu relatório para o ano de 2010, diz-se que nesse ano no Equador "houve um incidente confuso com as forças policiais, que foi qualificado por alguns como ‘golpe’". Deixamos os leitores tirarem as conclusões por si mesmos.

 

Bem, nesse documento perguntou-se aos entrevistados se eles acreditam que as privatizações foram benéficas para o seu país. Seria bom que Don Mario e seus amigos dessem uma espreitadela nestes dados, porque na América Latina, no seu conjunto, apenas 36% responderam afirmativamente. E se se observam os dados para o Peru, apenas 31 % deram a mesma resposta, 34% no Chile e 30% na Argentina (1). Quando interrogados sobre a sua satisfação com os serviços públicos privatizados (outro dos cavalos de batalha do neoliberalismo), apenas 30% dos latino-americanos responderam que sim, 27% no Chile e no Peru, e 30 % na Argentina.

 

Questionados sobre a situação econômica dos seus países, 27% dos entrevistados no Chile - ou seja, cerca de um em cada quatro - dizem que é boa ou muito boa, contra 17% na Argentina (igual à média latino-americana) e escassos 10% no Peru de Alan García e seu (agora) admirador Mario Vargas Llosa. Quando a pesquisa perguntou "quão justa é a distribuição da riqueza", o país com a maior proporção de pessoas que dizem que é "justa ou muito justa" é a muito criticada - pelos organizadores desta maratona publicitária – Venezuela bolivariana, com 38%, em comparação com 14% no Peru e 12% na Argentina e no Chile, país que os nossos visitantes sugerem imitar pelas suas conquistas econômicas e sociais, embora 88% da população entrevistada diga que a atual distribuição de riqueza é injusta. De fato, um detalhe insignificante para os ideólogos de direita.

 

Poderíamos continuar a fornecer fatos e números que revelam a profunda insatisfação com os resultados das políticas neoliberais na América Latina. Claro que isso não vai mudar nem um pouco a posição dos nossos visitantes. Assim como os teólogos medievais insistiram em que a Terra era plana, enquanto contemplavam as esferas do Sol e da Lua, estes anunciantes modernos estão fazendo seu trabalho, sem se intimidarem com os dados da experiência empírica. A sua missão é propagar estas "mentiras que parecem verdade", para usar uma frase incisiva do escritor e notável publicista do império, que com a sua florida e precisa prosa teve a delicada tarefa de dar credibilidade a um golpe que os nossos povos pagam com a sua dor e, muitas vezes, com suas vidas.

 

Nota:

 

(1) Estes e outros números estão disponíveis no Corporationn Latinobarómetro, Relatório 2010.

 

www.latinobarometro.org

 

Atilio Borón é doutor em Ciência Política pela Harvard University, professor titular de Filosofia Política da Universidade de Buenos Aires e ex-secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).

 

Tradução de Vermelhos.net

 

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