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Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 26 de Abril de 2011
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Na discussão sobre as perspectivas do Brasil são recorrentes as acusações de que o governo Dilma, como antes o governo Lula, teria se curvado à idéia de transformar o Brasil em celeiro do mundo, deixando de lado a industrialização. Já vimos que a suposta desindustrialização do Brasil não passa de uma peça de propaganda, brandida especialmente pelos que quebraram o parque industrial brasileiro durante os 12 anos de hegemonia e domínio neoliberal.

 

Nesse sentido, os resultados da viagem de Dilma à China desmentiram os boatos disseminados em profusão pela grande imprensa a respeito de uma mudança substancial nas relações com esse país asiático. E mostraram, mais uma vez, que os mitos e distorções da direita e da ultra-esquerda sobre a China continuam quase os mesmos de 30 anos atrás.

 

Ao contrário do noticiário corrente, os chineses trabalham para transferir tecnologias e cooperar no crescimento da produção industrial brasileira, investindo na construção de novas plantas, seja em associação com empresas brasileiras, seja por sua própria conta. E, também ao contrário do noticiário corrente, a China se mostrou aberta aos investimentos brasileiros, dando nova chance à Embraer para disputar seu mercado altamente competitivo e apresentando novos nichos que podem ser aproveitados por empresas brasileiras.

 

O problema consiste em encontrar mais empresários brasileiros que sigam o exemplo da Embraco, WEG e calçadistas gaúchos, que se instalaram na China para aproveitar o crescimento de seu mercado interno e elevar sua capacidade competitiva. Apesar disso, a direita quase certamente não arrefecerá sua balbúrdia sobre as políticas de relações com a China. Ela continuará misturando alhos com bugalhos, em especial porque tem interesses e ligações muito fortes com os capitais transnacionais norte-americanos e europeus aqui instalados.

 

Afinal, a China se tornou uma competidora feroz. Realizou uma política de industrialização que deverá ser completada em um quinto do tempo gasto pelas antigas potências. Isto numa época em que os ideólogos neoliberais defendiam que não havia outro caminho para as nações em desenvolvimento a não ser inserir-se de forma subordinada na globalização.

 

Nesse sentido, a China é um mau exemplo. Não só porque pode construir siderúrgicas, fábricas automotivas, de máquinas pesadas e outros equipamentos, que vão concorrer no mercado interno com as multinacionais e forçar a queda dos preços de oligopólio atualmente praticados por muitas delas. Mas também, e principalmente, porque ela continua mostrando aos países em desenvolvimento que é possível um caminho diferente, aproveitando-se das próprias contradições do capitalismo desenvolvido, para industrializar-se de forma soberana.

 

Foi esse exemplo que abriu as condições para inúmeros países asiáticos evitarem o neoliberalismo, já nos anos 1990, e permitiu que muitos países africanos e sul-americanos retomassem sua industrialização nos anos 2000. A própria China nos mostrou que, mesmo aplicando políticas de abertura e de atração de investimentos diretos estrangeiros, e empregando amplamente a propriedade privada, é possível preservar-se contra o domínio das corporações transnacionais, fazendo-as confrontar-se com empresas estatais e públicas altamente competitivas e hegemônicas nos setores estratégicos.

 

Por outro lado, para industrializar-se não é necessário abdicar de ser celeiro do mundo, nem retirar da agricultura o papel de produção combinada de alimentos e de commodities. Porém, embora a China tenha se transformado na principal compradora dessas commodities, saber aproveitar-se das condições internacionais favoráveis para transformar as commodities agrícolas em saldos comerciais e reservas em moedas internacionais, e ao mesmo tempo desenvolver a economia agrícola familiar como esteio do suprimento interno de alimentos, é um problema que tem muito pouco a ver com os chineses.

 

Esse é um problema eminentemente brasileiro, a ser resolvido através do estabelecimento de uma clara divisão de trabalho entre o agronegócio e a economia familiar. Por um lado, é preciso impedir que o agronegócio se expanda de forma descontrolada e selvagem sobre as extensões agricultáveis, mananciais, matas ciliares e florestas. Sem zoneamento agrícola, sem proteção adequada aos mananciais e matas ciliares, sem reservas florestais interligadas, que permitam o livre trânsito da vida selvagem, sem observação das curvas de nível e da rotatividade de culturas, sem medidas que evitem a contaminação das águas fluviais e aqüíferos por produtos químicos, o agronegócio ameaça transformar o futuro celeiro do mundo num deserto.

 

Por outro lado, também é preciso impedir que o agronegócio avance, como vem avançando, sobre as terras dos agricultores familiares, principais responsáveis pelo suprimento de alimentos para o mercado interno. Impedimento que não depende de medidas administrativas, mas fundamentalmente de políticas positivas de assentamento de novos produtores, de apoio técnico e creditício a seu processo de plantio, tratos culturais e colheita e, não menos importante, de suporte no processamento e na comercialização dos produtos alimentares. Sem isso, os alimentos continuarão sendo os grandes vilões inflacionários, obrigando o governo a adotar políticas de compressão do consumo e, portanto, de manutenção da pobreza e da miséria.

 

Portanto, ao invés de implantar um imposto de exportação sobre as commodities, na suposição de que isso aumente a oferta para o mercado interno e, portanto, tenha um impacto favorável sobre a inflação, é preciso levar em conta o impacto que isso pode ter sobre a balança comercial e seus resultados reais sobre a inflação por outros caminhos. Talvez seja mais inteligente adotar medidas mais eficazes para assentar os restantes dois a três milhões de trabalhadores sem-terra em terras da União e desapropriadas, ampliando consideravelmente o número de agricultores familiares, ao mesmo tempo em que se implementam as políticas de proteção e consolidação da agricultura familiar, permitindo uma elevação substancial da produção de alimentos para o mercado interno.

 

Nessas condições, as perspectivas do governo Dilma são favoráveis, tanto em termos internos quanto externos, apesar das modificações desfavoráveis do cenário internacional. O Brasil ainda possui um bom campo de manobra para solucionar seus problemas conjunturais, superar a presente pressão inflacionária, e também neoliberal, e avançar na reconstrução da infra-estrutura e no adensamento de suas cadeias industriais.

 

Feito isso, os que supõem que ficaremos muito tempo sem transformações estruturais, subordinados ao agravamento dos problemas estruturais, terão cada vez mais que buscar argumentos irreais e apelar para o xingamento, talvez a última arma que lhes reste. Aliás, o agravamento do conservadorismo de Serra e, agora, de Aécio, é apenas o exemplo patético de uma esquerda e de uma centro-esquerda, transformadas em direita reacionária, diante de uma esquerda que procura trilhar um caminho historicamente inusitado.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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Última atualização em Qui, 28 de Abril de 2011
 

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