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Haiti: sinais de esperança Imprimir E-mail
Escrito por D.Demétrio Valentini   
Sexta, 01 de Abril de 2011
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Era grande a expectativa de reencontrar o Haiti. O vôo para Porto Príncipe, vindo de Santo Domingo, possibilitava enxergar o território da ilha que repartem em comum a República Dominicana e o Haiti. Já tinham nos advertido que a fronteira entre os dois países podia ser percebida do alto. Onde as montanhas estivessem desmatadas, começava o Haiti. Até isto ajudava para nos perguntar o que mais estaria pesando sobre o pobre país, atingido tão violentamente pelo terremoto do dia 12 de janeiro de 2010. Seria tudo igual, ou já poderíamos perceber alguma melhora?

 

Foi um alívio ao sair do aeroporto. Já não havia tanta gente esperando por gorjeta. As ruas já estavam mais desobstruídas. Dava para identificar a satisfação do pedreiro arrematando o reboco de sua pequena casa. O povo parecia empenhado em seu trabalho. O tráfego fluía, embora confuso e sem orientação nenhuma. Havia, finalmente, sinais de esperança. Ainda estava muito presente a visão do ano passado, logo depois do terremoto. Parecia que o povo já não estava aturdido pela catástrofe, e começava sua lenta reação. Sim, a vida parece renascer dos escombros. O povo do Haiti está mostrando a força de sua garra e o poder de sua resistência às calamidades.

 

Verdade que no dia seguinte, indo para a solene celebração da ordenação episcopal do bispo auxiliar de Porto Príncipe e à posse do novo arcebispo da mesma arquidiocese, nos defrontamos, de novo, com panoramas constrangedores. Ainda existem quarteirões inteiros em completa ruína. Sobretudo com pequenas casas, de estrutura frágil, que sucumbiram inteiramente ao terremoto. Muita gente ainda se abriga em tendas, que existem aos milhares, espalhadas em quase todos os quarteirões da cidade. Há pequenos edifícios caídos, cujos destroços ainda se encontram amontoados, tal como os deixou o terremoto.

 

Sim, a recuperação da cidade levará muitos anos. Ainda pesa sobre o país o fardo desta tragédia descomunal. Por mais que o povo pareça ter se resignado ao tamanho da desgraça, e ter se motivado para a sua superação, o Haiti precisará por longos anos da solidariedade dos outros povos, que precisa encontrar a maneira adequada de ser exercida.

 

Mas o capítulo principal desta epopéia a ser vivida é, certamente, a retomada da consciência do povo, de sua identidade, do seu valor, de sua soberania que precisa se livrar de qualquer obstrução, de sua garra e de suas virtudes traduzidas em capacidade de resistência e criatividade de iniciativas.

 

Dois símbolos eloqüentes da reestruturação do país estão na ordem do dia. No sábado, dia 26 de março, se realizou a ordenação de um novo bispo auxiliar para Porto Príncipe, e a posse do novo Arcebispo, na pessoa de D. Guirre Poulard. Finalmente, depois de mais de um ano da morte do arcebispo anterior, vítima do terremoto, a Igreja recompõe seus quadros ministeriais.

 

No campo político, o fato relevante são as eleições presidenciais. O segundo turno, realizado no dia 20 de março, aguarda a publicação do seu resultado para o mês de abril. Mas seja qual for o vencedor, ou o cantor popular Michel Martilly ou a mulher do atual presidente, Mirlande Manigat, o fato maior é que as eleições sinalizam para a retomada da normalidade democrática no país, que precisa ser conduzida com muita maturidade, para não reincidir em antigos equívocos.

 

A posse do novo arcebispo se deu na praça existente nas proximidades da catedral, que ainda se encontra em ruínas. Saindo de lá, passamos em frente ao antigo palácio do governo. Ele também está em ruínas, tal como o terremoto o deixou.

 

São dois símbolos que apontam para a mesma direção. A reconstrução será lenta.

Primeiro é necessário refazer a coesão nacional, com instituições respeitáveis e competentes. E garantir as condições mínimas de vida digna para o povo. Depois se farão também os edifícios públicos destinados a simbolizar as instituições.

 

Como falou o Arcebispo, no momento de sua posse, o povo do Haiti precisa se sentir desafiado a retomar, por si mesmo, a incumbência de sua reconstrução nacional. Mesmo que daqui a dez, vinte ou até trinta anos ainda não esteja tudo concluído. Como a própria catedral antiga, que levou mais de 40 anos para ser feita.

 

Mas o que mais comove, no meio desta desgraça de conseqüências tão visíveis, são as tragédias invisíveis, que só são percebidas no convívio com o povo sofredor. Dói o coração vendo tanta gente simples, sobretudo mulheres, muitas ainda meninas, vendendo na rua pequenos produtos agrícolas, tentando conseguir um dinheiro para a sua sobrevivência.

 

Nem todas conseguem. Como a pobre moça, que sucumbiu. Socorrida pelas Irmãs, constataram seu estado de profunda anemia. Tentaram de tudo para reverter o quadro, mas não deu. Tinha 21 anos. Ela morreu. De fome!

 

Ou o menino na escola. Como muitos, não conseguia minimamente se concentrar. Acabou confessando: já fazia três dias que não comia mais.

 

São dramas como estes que nos motivam para a urgência da reconstrução do Haiti. Ele continuará interpelando nossa consciência. Ele precisará de nossa solidariedade por muito tempo ainda.

 

D. Demetrio Valentini é bispo da diocese de Jales-SP.

 

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