Kit conflito trabalhista: quem vai querer?

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Ao ler o jornal de hoje, não resisti à tentação e resolvi escrever por conta e risco sobre a palhaçada da reunião promovida entre o ministro Gilberto Carvalho e as centrais sindicais, a fim de discutir a situação dos trabalhadores de Jirau e de Santo Antônio, em Rondônia.

 

No script, fotos para jornal, imagens para TV, poses de ministros e dirigentes sindicais preocupados com a situação de barbárie que se instalou nos canteiros de obras do PAC.

 

Depois de certo tempo de reunião, enfim saiu uma grande solução: "vamos montar uma Comissão tripartite entre governo, empresários e representantes das centrais sindicais" para (pasmem) verificar as condições de trabalho nas obras do PAC. Como se não fosse pública e notória a situação de barbárie nas condições de trabalho, em especial, mas não somente da construção civil no país.

 

Não saiu nos jornais a composição da "combativa comissão". Por certo a CUT com seu governismo sem limites, bem como a pelegada da Força Sindical, estarão à frente da mesma. A dúvida fica por conta de qual será a postura da CSP-Conlutas, que foi "convidada de honra" para a reunião.

 

Importante ressaltar que se pode, e certamente se irá argumentar, o fato positivo de que a CSP-Conlutas ter sido convidada é um sinal de reconhecimento ao seu trabalho de denúncia da situação dos trabalhadores, o qual dirigentes e entidades sérias da central dirigem.

 

Por outro lado e do outro lado, bobo é uma coisa que não tem no governo Dilma, pois a cena é completa: com a jogada de cena de convidar a CSP-Conlutas, o governo, cuidando da situação com "todas as centrais do país", passa a idéia de que medidas efetivas serão tomadas.

 

Assim se propagandeia e se vende o KIT CONFLITO a quem interessar, em especial para iludir a imensa massa de trabalhadores desamparados. Acredito que a direção da Conlutas, que até segunda ordem é contra as chamadas "Comissões tripartites", estará fora da dita, embora já esteja bem registrada na foto oficial que formou a malfadada Comissão. Ainda mais numa situação em que governo e empresários têm responsabilidade no crime contra a saúde e dignidade dos trabalhadores.

 

Desta forma, o governo acredita que dentro de poucos dias conseguirá diminuir a tensão, através de medidas já cantadas, como a diminuição do número de trabalhadores, ou seja, com a demissão de parte significativa deles.

 

Assim, em poucos dias o que ficará é a foto dos jornais na qual se busca dar a impressão de que TODOS estão preocupados com a situação da classe. É a política do me engana que eu gosto. Pobre classe trabalhadora depender desses lideres para se libertar.

 

Jorge Luis Martins é militante e membro da coordenação da Intersindical e Advogado Trabalhista.

 

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