Projetos: idéias e ações

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Final de semestre, ocasião para auto-avaliação. O robô sapiens não avalia o que faz: são os seus chefes que observam e julgam seu desempenho. Já o homo sapiens (nem sempre tão sapiens) tende a avaliar-se.

 

Não se trata, é lógico, de nos expormos despudoradamente em rede nacional, mas cada um poderá fazer a sua auto-avaliação sincera (“sem cera”, isto é, o mais depurada possível), detectando progressos e regressos, lacunas e preenchimentos. Uma boa auto-avaliação, sempre parcial, leva à festa, no caso das conquistas, e ao arrependimento, no caso dos naturais fracassos.

 

O mais importante, porém, são os projetos. Pro... jetar. Pro... lançar. Pro... videnciar. Lançar para frente novas idéias, retomar trabalhos, recuperar caminhos.

 

Se você não for sujeito do seu projeto, acabará se tornando mero objeto dos projetos de outros sujeitos. Manipuladores e oportunistas estão sempre pensando em nós... com as piores intenções. E os que andam ao léu, ao sabor do acaso, estão vulneráveis, são vítimas perfeitas.

 

Educar na família e na escola deveria ser uma provocação (provocação orientadora) para que os jovens criassem seus próprios projetos. O projeto de passar no Vestibular é restrito demais. O projeto de entrar no Mercado de Trabalho é vago e, afinal, decepcionante para todos aqueles que se submetem a trabalhar apenas pela sobrevivência, sem gosto e sem alegria.

 

Os animais morrem quando morrem; os objetos sequer morrem, deterioram-se. Os seres humanos morrem quando morrem seus projetos. Morremos antes de morrer. Morremos quando morre um possível mundo, uma possível viagem, um possível amor.

 

Sonhar é pouco. Sonhamos dormindo, o que inviabiliza projetos reais. Idéias precisam de agenda, que é sempre uma ousadia. Usar agenda supõe tormentos e tormentas, mas é condição para não ficar parado. Ficar parado, ou melhor — ser parasitado por projetos alheios ou parasitar projetos alheios.

 

A palavra agenda, no latim, é plural de agendus, gerúndio do verbo “fazer”, agere, agir. Ter uma agenda significa viver no meio da ação: prevendo, fazendo, acontecendo, correndo, andando, olhando, projetando.

 

Sem projetos pessoais, e personalizantes, corremos o risco de ser dejetados, rejeitados, ou sujeitados por aqueles cujos projetos planejam nos usar da maneira mais abjeta.

 

Pensar, projetar, lançar-se em ação provoca tensão. A tensão própria de quem está sendo. Ainda não estamos acabados. As eventuais formaturas, que nos dão um certo orgulho, são sempre provisórias, pontes para novas aventuras.

 

 

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor – Web Site: www.perisse.com.br

 

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