Discurso único

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É trágico, mas estamos assistindo os partidos e os políticos, sejam de direita, esquerda ou centro, agitarem um único discurso. Batem incessantemente na mesma tecla. Todo mundo anda convencido com o discurso da burguesia que diz ser o sistema capitalista bom, desde que gerenciado com honestidade. Isso é uma mentira!

 

A corrupção é uma chaga de grandes conseqüências, porém, é errado pensar que o sistema vigente é bom e que o único problema é "falta de vergonha na cara". A corrupção é uma chaga, mas não é o único motivo do desmantelo social em que vivemos.

 

Aliás, ela não é causa, é conseqüência, provocada pelo sistema capitalista cujo objetivo é garantir lucros para uns poucos e carência para a maioria. 

 

Imaginemos, para efeito didático, alguém com uma grave infecção, que causa febre, dor de cabeça, desânimo e outros sintomas. Diante desse quadro de saúde, algumas pessoas se alarmam com a febre e procuram sanar esse problema ministrando alguns remédios, porém, mantendo a causa. Assim se dá com a questão do combate à corrupção.

 

Ela é como a febre do nosso exemplo e merece ser combatida, é verdade, mas o correto é eliminar, buscar a causa, e na questão da corrupção lutar contra ela implica, antes de tudo, lutar contra o sistema de desigualdade social, um sistema que privilegia não a competência, não a seriedade, mas a ostentação do que possuímos ou deixamos de possuir. 

 

Esse discurso de guardiões da moralidade beneficia muitíssimo a burguesia, uma vez que as pessoas se voltam contra as conseqüências e deixam a causa, o capitalismo, intocado, livre de ameaça.

 

Por sua vez, muitos políticos demagogos se beneficiam de tal discurso moralista. Jânio da Silva Quadros foi eleito presidente da República ostentando uma vassoura que limparia o Brasil da corrupção. Fernando Collor apresentou-se como o Caçador de Marajás e revelou-se um mestre na arte da roubalheira.

 

Vê-se que o moralismo, em si, não nos leva à libertação dos inúmeros males sociais que padecemos. Fora o capitalismo! Eis o caminho.

 

Gilvan Rocha é membro do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

 

Blog: http://www.gilvanrocha.blogspot.com/

 

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Comentários   

0 #1 antonio gomes lana peixoto 22-03-2011 05:21
a crise é de moral, que um traço do caráter da personalidade de centenas de pessoas. Se todos nós, que nos intitulamos de cristãos, e até criticando os islamitas ou judeus, ou induistas e tantos outros "istas" tivéssemos o costume de pensar e agir com a essência da MORAL cristã, veja bem: - moral do CRISTO e a moral determinada e imposta pelas religiões q se dizem critãs ou detendoras da VERDADE ou descendentes dos apóstolos, se nós realmente fizéssemos aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem e perdoássemos a quem nos ofende, deixando que a NATUREZA que é LEI DIVINO se encarregue do agressor, nós não estaríamos nos matando por sermos capitalistas nem proletários, por sermmos brancos nem de outras cores, por sermos héteros ou homo, por sermos ocidentais ou orientais, por sermos judeus ou cristãos, por sermos pró-árabes ou pró-americanos. o que falta não é moralidade na politica, o que realmente falta é moral na consciencia do eleitor e do eleito, do governado e do governante, do .... etc etc..
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