Golpe de mestre

 

O PMDB mostrou que é formado por velhas raposas na arte da rapinagem. Partido fisiológico não tem compromissos senão o de praticar golpes sejam de natureza política, sejam fisiológica.

 

Na votação do preço do salário mínimo na Câmara dos Deputados, o PMDB logrou praticar uma grande encenação. Sua bancada votou maciçamente na proposta do governo Dilma em estabelecer em R$ 545,00 o preço do salário mínimo. O golpe foi o de exibir para os capitalistas e para o governo Dilma que o PMDB estava coeso em apoiar as medidas do interesse do sistema.

 

É claro que para este partido, de natureza estritamente fisiológica, nada é feito gratuitamente. Em troca do apoio maciço que foi dado ao mísero salário mínimo proposto pelo grande capital, com a anuência das centrais sindicais corrompidas, esse partido colherá grandes frutos, na forma de cargos e benesses do aparelho de Estado.

 

Veja-se a quanto chegamos com o lulismo no governo! Antes, porém, faz-se necessário deixar explicitado o que significa lulismo. Para fazê-lo, recorremos ao seu "irmão gêmeo", o peronismo argentino, que desmantelou a vida política naquele país, cooptou os sindicatos, levantou a bandeira dos "descamisados" com medidas similares às do Bolsa Família e gerenciou o grande capital. Quando exaurido, Perón foi deposto do governo. Mas, quando se fez necessário, a classe burguesa foi buscá-lo no exílio e promoveu um evento eleitoral onde o "general do povo" conseguiu 92% dos votos válidos como candidato à presidência da Argentina.

 

Como o peronismo, o lulismo tem caminhado no sentido de excluir a vida política e transformar o jogo do poder num simples processo de barganha. Lula jamais poderia ser chamado de estadista mesmo no sentido burguês da palavra. Evitou fazer as reformas de base, necessárias ao desentrave do crescimento do capitalismo, para se poupar de qualquer impopularidade. Praticou desbragadamente o populismo e nisso teve êxito. Porém, não teria caso não soubesse celebrar um ‘casamento’ tão escabroso como o foi PT-PMDB.

 

Gilvan Rocha é presidente do CAEP- Centro de Atividades e Estudos Políticos.

 

Blog do autor: www.gilvanrocha.blogspot.com/

 

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Comentários   

0 #6 Não se amofine, DulcinéiaRaymundo Araujo Filho 17-03-2011 13:22
Pois tem gente que apanha, apanha e ....acaba gostando de apanhar. Você ao menos, diz que demora, mas aprende.

Um dia li uma coisa horrível do Paulo Francis, comentando a auto biografia da cantora Tina Turner, que colocava-se como vítima de seu ex marido (e excelente músico) Ika Turner. Disse o PF "quem passa 16 anos apanhando do marido não é vítima, mas sim cúmplice".

Não é toda a verdade, mas é parte dela....
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0 #5 IncômodoDulcinéa 16-03-2011 22:37
Há muitos anos algo me incomodava. Incomodava-me no Sindicalismo e deixei.
Continuou a incomodar-me no PT, mas eu me acomodei.
Há pessoas, e sou dessas, que precisam apanhar muito para aprender.
E começo a tomar uma nova direção no meu caminho.
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0 #4 O ovo da SerpenteCarlos Rodrigues 16-03-2011 11:11
O lulismo a meu ver representa o Ovo da Serpente, do modelo por ele criado, “os emergentes do neo consumismo bobo.” E vão ser eles as Serpentes desse modelo “imediatico,” dizem mediático.
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0 #3 marcflav 14-03-2011 15:37
prezado Gilva, impecável o seu texto. lembra Hannah Arendt, das origens do totalitarismo
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0 #2 Golpe de MestreGilberto 14-03-2011 10:28
E dizemos que o Zé Povinho é cínico e analfabeto político. Não será que ele se protege ou se disfarça de toda essa bandalheira política? S eé que podemos chamar isso de política!!
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0 #1 Lição AprendidaRaymundo Araujo Filho 12-03-2011 08:07
"o lulismo tem caminhado no sentido de excluir a vida política e transformar o jogo do poder num simples processo de barganha".

Muitos irão reclamar do que vai abaixo, mas a lição que aprendi com Lulla, fpoi que dar PODER para sindicalistas Corporativos NUNCA MAIS!

De Lech Waleska (o ídolo do PSTU) a Lulla (ídolo da CUT e dos banqueiros), foi uma erda, digo, uma osta....
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