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O exército contra os revolucionários no Egito Imprimir E-mail
Escrito por Katherine Manca   
Terça, 01 de Março de 2011
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Apesar da deposição de Mubarak, o Conselho Supremo das forças armadas, que dirige o país no momento, segue sem libertar os militantes presos, proíbe as greves e autoriza as manifestações a conta-gotas. Mesmo assim, a população egípcia não está disposta a deixar que sua revolução seja confiscada.

 

Desde a queda de Mubarak, o exército é que está no poder no Cairo. E a maior parte dos egípcios tem confiança em seus soldados, pois não dispararam contra os manifestantes na Praça Tahrir nos dias de levante. Porém, algumas vozes se elevam, entre operários, assalariados, artistas e estudantes, para denunciar o Conselho Supremo das forças armadas.

 

Considerado como um vestígio do antigo regime, esse Estado Maior tarda, com efeito, em libertar todos os militantes presos pelo reino de Mubarak, pressiona os grevistas para que voltem ao trabalho, proíbe acesso dos jornalistas aos locais de greve, bloqueia a estrada até Gaza e inunda de SMS os celulares de todos os egípcios, exortando-os a permanecer calmos e retornar ao trabalho.

 

Pois as forças armadas egípcias, que podem utilizar à sua conveniência todas as redes de comunicação, privadas ou públicas, tanto Vodafone como Mobinil, se comportam como um governo militar. Com o pretexto de garantir a segurança na cidade, o toque de recolher é mantido e o Estado de Emergência, em vigor há quase 30 anos, prossegue.

 

Além do mais, a respeito da proteção da cidade, são essencialmente os bancos, a bolsa, a embaixada americana, o parlamento e a sede da televisão pública que os tanques protegem. Em Chobra, por exemplo, um bairro do norte do Cairo, nenhum tanque veio proteger uma igreja que há três dias está ameaçada de ser incendiada por muçulmanos, sob alegação de que um jovem cristão teria queimado o Alcorão no meio da rua. Os coptos (cristão egípcios) devem, pois, remediar-se sozinhos e garantir sua própria proteção.

 

"Militares, atenção, estamos vigiando"

 

Sexta-feira passada, durante a manifestação que em princípio comemorava a vitória – supervisionada pelo exército que montara controles por toda a cidade –, alguns protestantes ainda apontavam o dedo aos militares. "Que eles nem sonhem em roubar nossa revolução, como em 1952", exclamava Ahmed Elkoussy, que com os cinqüenta funcionários de sua oficina de artes gráficas pendurava cartazes com dizeres como "A revolução não terminou", "Militares, atenção, vigiamos". Um pouco mais longe, um homem exibia as feridas recém-cicatrizadas. "Foi o exército, o exército que me fez isso, há poucos dias, antes de ser levado sem cerimônias por um oficial, longe dos jornalistas".

 

O exército, por sua vez, está tenso. Os oficiais não querem que se fotografem os tanques, tampouco querem responder perguntas. Na noite de sexta-feira, depois da manifestação, enquanto os jovens dos bairros populares permaneciam na Praça Tahrir, os das classes mais acomodadas levavam a manifestação cinqüenta metros adiante, na Praça Talaat Harb. Resultado: dois ambientes completamente diferentes.

 

Em Taalab Harb, os militares permitiram que os jovens fizessem festa a noite inteira, projetassem vídeos etc. Na Tahrir, era impossível entrar na praça, bloqueada por um tanque. O exército havia, inclusive, chamado forças especiais, unidade antiterrorista e requisitado o desocupado Hotel Cleópatra, a fim de usá-lo como um QG improvisado. "Não diremos o que se faz ali", dizia laconicamente um soldado, postado na entrada do edifício, cujos acessos estavam igualmente vedados. Assim, portanto, aos jovens dos bairros populares, toque de recolher e vigilância ostensiva.

 

Greves proibidas

 

E para os trabalhadores também. Em Mahallah, por exemplo, um dos maiores complexos industriais do Oriente Médio, onde 24.000 operários de uma fábrica têxtil estiveram em greve durante cinco dias, até sábado passado, era impossível se aproximar da fábrica; os militares tinham cortado toda a circulação. Isso porque as greves dão medo nos militares. Não esqueceram que foi em Mahallah onde começou o movimento de greve geral de 6 de abril de 2008, do qual emanou diretamente a coalizão que convocou o povo a se manifestar em 25 de janeiro último, provocando a ruptura no país.

 

A fim de apaziguar a situação, as forças armadas acabam de ceder às reivindicações dos operários e despediram toda a diretoria da fábrica, corrompida e demasiadamente ligada ao antigo regime. O Conselho Supremo prometeu, igualmente, viabilizar, daqui a seis meses, um salário mínimo de 1.200 libras egípcias (336 reais), para todos os trabalhadores do Egito e melhorar o seguro-saúde, os transpores públicos etc.

 

E para evitar o contágio, que já havia conquistado vários setores, como o dos bancários, da saúde e da construção, as forças armadas enviaram mensagens de SMS aos montes, da noite de segunda até terça. O recado é claro: "Por razões de segurança nacional, todas as pessoas que participarem de manifestações ou ações que não estejam expressamente autorizadas pelo exército serão detidas".

 

Mas quando escrevemos essas linhas, um milhão de pessoas se manifesta na Praça Tahrir contra o governo militar.

 

Katherine Manca, do Novo Partido Anticapitalista da França.

Website: http://www.npa2009.org/

 

Retirado de Viento Sur, traduzido por Faustino Eguberri

http://www.vientosur.info/

 

Tradução para o português de Gabriel Brito, jornalista do Correio da Cidadania.

 

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Última atualização em Qui, 03 de Março de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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