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Quem tem medo do Oriente Médio? Imprimir E-mail
Escrito por Diego Coletti Oliva   
Segunda, 28 de Fevereiro de 2011
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No último mês, presenciamos um episódio único na história contemporânea, um verdadeiro tapa na cara dos conservadores ocidentalistas e da esquerda derrotista, que havia desistido da esperança de mudanças. Pudemos assistir no Oriente Médio a uma cena de efervescência política protagonizada pelas massas populares, sem líderes carismáticos ou fundamentalistas tomando a dianteira dos acontecimentos. Pudemos finalmente ver em ação uma mudança democrática real, encabeçada pelos jovens, pelas mulheres e pelos movimentos sociais do país. Mas por que toda a polêmica ao redor deste tópico? Por que todo esse medo em relação às conseqüências dessa mudança?

 

Ora, é simples. O medo alinha-se à possibilidade de as massas exploradas do ocidente descobrirem que, assim como as do Oriente Médio, têm o poder para reivindicar o que lhes é de direito. Medo de que as pessoas entendam, finalmente, a mensagem de Alan Moore em V de Vingança: "O povo não deve temer seu governo. O governo é quem deve temer seu povo!".

 

Para tentar apagar essa chama, que se espalha pelos países árabes, desde dezembro do ano passado, quando um mercador da Tunísia ateou fogo em si mesmo em desespero por ter tido suas mercadorias confiscadas pela polícia, que os poderes do capitalismo ocidental (ou seria melhor dizer global?) se valem de diversos artifícios para imprimir em nossas mentes uma imagem negativa dos acontecimentos do mundo árabe. Olhem para o Egito, por exemplo, país que recebeu mais destaque da mídia brasileira, mas que não foi o único, nem sequer o primeiro, a lutar por sua democracia.

 

Há 30 anos o país das pirâmides vivia sob a opressora ditadura de Hosni Mubarack - apesar de nós, do lado de cá do Oceano Atlântico, nunca termos reparado nisso, até agora. Esse governo sempre foi apoiado e financiado pelos dólares estadunidenses, assim como outras ditaduras do Oriente Médio e da América Latina nas últimas décadas. Em troca desse apoio, o governo egípcio fornecia suporte às políticas israelenses e fazia pressão contra a influência do Irã na região. Por esse motivo, os olhos mais atentos puderam perceber as mudanças no discurso do governo dos EUA, de acordo com o fortalecimento dos movimentos populares no Egito.

 

Em um primeiro momento, o apoio de Obama era para que Mubarack permanecesse no poder, afinal, sua queda significaria perder um aliado importante na chamada "Guerra ao Terror". Vendo que os movimentos sociais ganhavam cada vez mais força e adesão popular, não apenas no Egito, mas em todo o mundo, o discurso mudou: que saia Mubarack, mas só em setembro, quando serão realizadas as novas eleições. Assim, haveria tempo para que os EUA preparassem um substituto à altura.

 

Mas isso ainda não havia sido suficiente, uma vez que as massas continuavam a se agitar. Logo, ao notar que este era um fim inevitável, o discurso mais uma vez se adapta e vira-se contra o ditador derrotado, de modo a exigir sua saída imediata do poder, como uma última tentativa de preservar sua imagem e ainda conseguir alguma influência junto ao novo governo democrático a ser instituído.

 

A revolução aconteceu depois de 18 dias de agitação, conflitos entre manifestantes e uma efervescência política que há muito não se via. Foi justamente isso que assustou mais os detentores do poder. Os manifestantes egípcios eram, na sua maioria, jovens e mulheres, com diploma universitário e desempregados, desiludidos com a realidade e o status quo de seu país e indignados com a política praticada pelo seu governo.

 

Eis exatamente o motivo do medo: essa descrição (jovens, desempregados, desiludidos e descontentes) está longe de ser típica do Egito, ou mesmo do Oriente Médio. Podemos aplicá-la em praticamente qualquer país, seja ele árabe, latino-americano etc. Conseguiram visualizar o tamanho da encrenca em que os donos do poder se meterão caso essa história de sair às ruas e reivindicar mudanças vire moda?

 

Por isso, a grande mídia ocidental (e capitalista) já pôs em prática diversas estratégias para deslegitimar as mudanças alcançadas por lá, como colocar a Irmandade Muçulmana em uma posição de liderança dentro dos movimentos e vinculá-los aos grupos terroristas favoritos da famigerada "Guerra ao Terror".

 

É claro que nem tudo são rosas (ou nesse caso jasmins?), e não veremos a ascensão de um novo modelo político e social que supere todos os problemas desses países, mas o fato de um povo, que viveu 30 anos sob um regime ditatorial, conseguir alcançar, por sua própria conta, sem (ou melhor, contra) a intervenção imperialista dos EUA, merece destaque e celebração.

 

Neste momento, são os militares que estão no poder no Egito, pelo menos provisoriamente se cumprirem sua palavra. Em breve, uma nova constituição será redigida e submetida a plebiscito. Não é a melhor situação, nem a mais democrática, mas já é um grande avanço no país.

 

O que devemos respeitar, e copiar, é a força e a coragem que levou o povo às ruas na defesa de seus interesses e na busca por mudanças. Essa situação que nos parece tão inacreditável é o que deveria ser natural. Afinal, se nós nos consideramos uma democracia e temos tanto orgulho disso, deveria ser mais do que comum que estivéssemos acostumados a reivindicar nossos direitos.

 

Ou será que o que temos por aqui não passa de uma pseudo-democracia? Uma ditadura mascarada pelo capitalismo ocidental/global? Onde muitos interesses (políticos e econômicos) estão em jogo, e a voz de nosso povo está ainda mais abafada do que esteve, por tantos anos, a voz do povo egípcio?

Enquanto isso, por lá, as coisas continuam: Tunísia, Egito, Jordânia, Argélia, Iêmen, Marrocos etc., ao passo que, por aqui, as coisas também continuam... em silêncio.

 

Diego Coletti Oliva é cientista social.

 

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Última atualização em Segunda, 28 de Fevereiro de 2011
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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