É preciso defender as lideranças sociais e populares

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No próximo dia 18 de julho, na sede central da Apeoesp em São Paulo, diversas entidades do movimento sindical e popular estarão articulando um ato pela reintegração dos metroviários perseguidos pelo governo Serra e pela companhia do Metrô; assim como pelo fim das perseguições aos dirigentes e ativistas dos movimentos sociais combativos.

 

Trata-se de uma iniciativa que merece ser saudada e ampliada, pois é muito grave a ofensiva sobre as lideranças que se levantam na defesa das reivindicações das suas categorias e movimentos e organizam a luta.

 

Vejamos o que está ocorrendo no país neste ano.

 

Dirigentes dos sem-terra, como Marcelo Buzzeto, foram presos, em uma inequívoca demonstração de que a criminalização dos movimentos sociais é um dos pilares da política dos governos e do latifúndio.

 

O movimento de controladores de vôo teve uma reação furiosa do governo e da cúpula da Aeronáutica, com o afastamento de 14 controladores e a prisão de alguns deles. Ao mesmo tempo, o governo Lula acena com uma MP que daria uma gratificação salarial (caso os controladores não façam mais nenhum tipo de movimento). Uma clara tentativa de dividir o movimento e isolar suas lideranças.

 

No movimento sindical urbano foram afastados cinco metroviários que participaram com destaque da paralisação contra a emenda 3 realizada no dia 23 de abril passado; são lideranças que também têm cumprido um papel de destaque na luta contra a privatização do Metrô. Três deles não estão ainda reintegrados. São os casos do vice-presidente do Sindicato, Paulo Pasin, do diretor executivo, Alex Fernandes, que estão afastados sem receber salários e quaisquer benefícios enquanto durar o inquérito que visa demiti-los por justa causa. Outro diretor, Ciro Moraes, embora não esteja afastado, está impedido de voltar ao seu local de trabalho.

 

Há outros inúmeros exemplos pelo país, preocupantes, ainda mais se considerarmos o endurecimento do governo Lula para com as greves no setor público, como no INCRA e no IBAMA, e a tentativa de impor uma lei anti-greve.

 

Ou seja, há uma política dirigida para atacar as lideranças dos movimentos e os setores da classe trabalhadora que mais estão confrontando as mazelas de uma agenda profundamente anti-popular.

 

 

Dessa forma, iniciativas como o ato do dia 18 de julho em defesa dos metroviários perseguidos são de extrema importância.

 

Trata-se aqui de construir uma campanha prática pelo fim das perseguições e punições às lideranças das lutas sociais, pela liberdade das lideranças presas, reintegração de trabalhadores demitidos e afastados, contra a criminalização dos movimentos sociais e contra a lei anti-greve nos setores e serviços públicos.

 

Fernando Silva, jornalista, membro do Diretório Nacional do PSOL e do Conselho Editorial da revista Debate Socialista.

 

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